[Jab] Reborn #1, de Millar e Capullo

O que nos aguarda após a morte? Definitivamente, um dos questionamento mais frequentes da humanidade, abordado de inúmeras formas através da história da cultura da nossa espécie. Um tema tão amplo (e frutífero) quanto antigo nas histórias de ficção. Este é o tema central de Reborn, nova colaboração do aclamado Mark Millar com o ilustrador Greg Capullo lançada pela Image Comics neste segundo semestre de 2016.

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Como é costumeiro em suas obras, Millar parte de premissas filosóficas pertinentes e as torna acessíveis para qualquer tipo de leitor através do famoso “raio millarizador”. Em Reborn, o pós-vida é um universo de aventura e ação fantástica infestado de criaturas fictícias batalhando selvagemente em uma mescla interessante de O Senhor dos anéis John Carter de Marte.

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Como é costumeiro em suas edições de estreia, Millar é extremamente eficiente na apresentação da premissa, elenco e na contextualização. Quem está acostumado com a mecânica fluída da didática de seus roteiros identifica logo de cara as indefectíveis ferramentas narrativas de apresentação deste escritor. Portanto, Reborn #1 torna-se novamente aquela edição de apresentação veloz e empolgante que não tem a menor cara de apresentação – um dos principais trunfos do roteiro.

Além da apresentação natural, Millar ainda nos presenteia com uma protagonista extremamente cativante na forma de Bonnie. A idosa no fim de seu ciclo de vida tem uma pitada de todas as características que tornam um personagem principal relacionável: traumas, fragilidade, questionamentos e uma visão única mas, em certo grau, familiar da vida. Ver uma senhora frágil e decrépita se tornar uma heroína vistosa e elegante no pós-vida exuberante e violento da revista é um golpe baixo em qualquer leitor, mas funciona perfeitamente para fisgar o público de massa.

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Prazos confortáveis e mudanças de temática são muito benéficas para qualquer artista e Greg Capullo não é uma exceção. Em Reborn #1, o ilustrador nos relembra porque é atualmente um dos desenhistas de quadrinhos de ação com um dos leques mais extensos de caracterização da indústria. A diversidade física no elenco de Reborn é a característica mais evidente no trabalho de Capullo. Algo que salta aos olhos principalmente em um elenco 100% novo. O roteiro cinematográfico de Millar combina perfeitamente com a fotografia do artista. Com isso temos cenas contemplativas ou dramáticas com ares de Forrest Gump alternando com a ação violenta, heroica e visceral que o universo proposto pelo pós-vida de Reborn pede. O contraste entre esses dois ambientes emocionais é o charme da estreia e Capullo com colaboração providencial de Jonathan Glapion são os principais responsáveis por este efeito na leitura.

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Apesar da premissa superficialmente manjada e o excesso de hype, Reborn é uma estreia bastante interessante. Transformando uma dúvida existencial da humanidade em um blockbuster de fim de semana e balanceando momentos dramáticos genuínos com violência explícita, ação e algumas surpresas, temos um quadrinho movimentado, honesto e visualmente impressionante. A história depende muito do direcionamento futuro a ser dado pelo escritor e evidentemente corre risco de um desenvolvimento que não atenda à expectativa gerada neste início de arco. No entanto, há muito espaço para boas histórias neste novo universo.

  • KIT CARSON

    Não Consigo gostar dos desenhos do Capullo.
    Acho que foi o raio SPAWNizador que estragou meus olhos.

    • Silvio César

      há-há-há!