[Jab] Mother Panic #1, de Houser, Krueger, Edwards e Hester

O que aconteceria se uma jovem abastada, inconsequente e vítima de uma inexplicável tragédia pessoal resolvesse buscar justiça com as próprias mãos em um dos lugares mais violentos, insanos e corruptos do planeta? Mother Panic é a primeira franquia 100% original do novíssimo selo Young Animal da DC. Diferente de Doom Patrol e Cave Carson, o quadrinho escrito por Jody Houser e ilustrado por Tommy Lee Edwards nos leva para um ambiente bastante familiar aos leitores da DC: a cidade de Gotham, onde somos apresentados à intempestiva protagonista Violet Paige.

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A edição de estreia de Mother Panic serve tanto de introdução ao arco inicial, que mistura arte e assassinatos, quanto uma apresentação de sua protagonista. Violet é um misto de socialite desregrada e impulsiva com jovem sequelada e fragilizada por tragédias de um passado obscuro. A protagonista é mostrada a todo momento, no roteiro de Houser, em humores extremos – seja explodindo em um acesso de fúria em um típico jantar beneficiente da alta sociedade de Gotham, seja cuidando de sua mãe vítima de Alzheimer.

A primeira edição tem um roteiro atipicamente veloz para um elenco 100% novo e é muito eficiente no que diz respeito às devidas apresentações. Diferente de outras publicações do selo Young Animal, a trama é completamente inteligível e aterrada. Trata-se de uma história de uma vigilante notívaga na cidade com a maior quantidade de vigilantes notívagos do universo DC (Sim! Fica claro que estamos no universo DC). Uma premissa simples, mas que é enriquecida pelas reentrâncias adicionadas por Houser e por mostrar uma protagonista com uma personalidade única dentro de um ambiente muito familiar.

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A arte de Tommy Lee Edwards casa perfeitamente com a pegada mais “solta” e rebelde do roteiro de Houser. Mother Panic tem um visual sujo, cru e fosco. O traço e colorização de Edwards emulam muito de trabalhos como Michael Gaydos e Alex Maleev, mas tem o diferencial de uma fotografia de ação um pouco mais nítida e lúdica. Além disso, há muito espaço para interpretação de diálogos, através de expressões faciais sutis e certeiras nas cenas menos elétricas

O título ainda conta com uma história curta adicional, escrita por Jim Krueger, na qual escutamos um nostálgico programa de rádio da cidade enquanto vemos seus ouvintes em quadros sequenciais pequenos, ilustrados por Phil Hester. A ode ao noir nesta parte do quadrinho é escancarada e complementa bem o tom mais extremo da primeira história apresentada.

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Mother Panic é o quadrinho de vigilante noturno do selo Young Animal. Isso fica claro nas quatro primeiras páginas da revista. Portanto, para leitores cansados do formato, não é uma leitura recomendada – ainda. A primeira edição, apesar de extremamente eficiente, bem escrita e visualmente impactante, não se distancia o suficiente da enorme quantidade de publicações do gênero para chamar a atenção do grande público ou mesmo dos entusisastas do novo selo da DC Comics. Isso,, de forma alguma atenta contra a qualidade do material. Jody Houser e companhia entregam aqui um produto mais do que digno da linha de quadrinhos à qual ele pertence; para o público mais paciente, vale a pena conhecer Violet Paige e um lado mais extremo e obscuro da velha Gotham.

  • geo

    A arte me lembra mais Sean Murphy do que os artistas citados, boa matéria, fiquei interessado em ler.