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[Jab] Harbinger Renegade #1, de Roberts e Robertson

Escrito por Igor Tavares

Harbinger Renegade é, possivelmente, a publicação mais importante da nova leva de quadrinhos lançados pela Valiant Entertainment no segundo semestre de 2016. A franquia Harbinger, que originalmente (juntamente com a publicação X-0 Manowar) foi o embrião que alavancou a ascensão do novo universo Valiant em 2012, introduziu três personagens cruciais para o desenvolvimento de 90% das histórias na editora: O pragmático psiótico super poderoso Toyo Harada; o atual “coração” da Valiant, Faith Herbert; e um dos personagens mais complexos dos últimos dez anos nos quadrinhos, Peter Stanchek. Portanto, é justificável que este segundo volume, batizado de Renegadetenha o peso e a responsabilidade de levar este universo a novos patamares.

Desta forma, seguindo os passos do trabalho desenvolvido por Joshua Dysart em Harbinger e, posteriormente, em Imperium, o autor Rafer Roberts (com quem já conversamos aqui) começa a reconstruir a equipe de psióticos renegados que teve coragem de desafiar o imenso poder de Toyo Harada, tempos atrás.

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Harbinger Renegade poderia ser um dos quadrinhos mais herméticos da Valiant, destinado somente aos fãs da franquia original. No entanto, graças a uma sequência inicial de recapitulação concisa, didática e muito bem ilustrada por Raúl Allen, qualquer leitor pode entrar de cabeça nesta publicação. Rapidamente fica claro quem é quem e o que os principais personagens estiveram fazendo desde o final de Harbinger. A partir da quarta página, portanto, Roberts inicia sua história de reunião do disfuncional grupo: após o vazamento de informações pertencentes à fundação Harada (ao final da Harbinger original) relativas a ativação de indivíduos com poderes pisóticos, um grupo clandestino de jovens vem tentando ativar jovens com este potencial de forma totalmente descuidada e matando alguns no processo. Se sentindo responsáveis por isso, Faith e o jovem hacker @X tentam evitar novas mortes, mas precisam de ajuda de seus antigos companheiros.

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O roteiro de Roberts é muito veloz e dinâmico. Dada a quantidade de informações jogadas sobre o leitor logo nesta edição, temos um fluxo de leitura muito claro e fácil de acompanhar o que torna a estreia divertida e intrigante. Este não é um quadrinho do Super-Homem ou do Homem-Aranha, no qual você já embarca sabendo o mínimo sobre o personagem. Portanto, é válido reconhecer o esforço e talento do roteirista para tornar este elenco relacionável logo na estreia. Você não vai conhecer a fundo Torque, Kris, @X nem mesmo Faith e Stanchek aqui, mas o que Roberts nos mostra é suficiente para entender como funciona cada um deles e instigar a leitura de material anterior, assim como futuras edições de Renegade. Bons diálogos, conflitos de personalidade, uma trama “macro” inserida dentro de um contexto intimista e aquela sensação de que os jovens protagonistas são um grupo de desajustados, fazem de Renegade o título ideal para fãs de boas fases dos X-Men ou Titãs.

A equipe de arte em Harbinger Renegade é composta por três ilustradores: O já mencionado Raúl Allen é responsável pela recapitulação, o artista Juan José Ryp (de Britannia) fica a cargo de um prólogo muito importante para o futuro de toda a Valiant e o “grosso” da revista é ilustrado por Darick Robertson (conhecido por trabalhos como The Boys). Tratando o aspecto visual como um todo, Renegade é uma publicação de altíssimo nível em termos de quadrinhos do gênero na indústria. A fotografia e caracterização detalhista de Ryp servem como uma bela introdução para o trabalho de Robertson. Com liberdade, este ilustrador pode fazer cenas de diálogos marcantes e até usar certa dose de violência gráfica em alguns momentos específicos do roteiro. O entrosamento entre arte e roteiro tornam apresentação de Renegade como um todo bastante impactante e muito consistente. Uma estreia mais do que digna do tamanho da franquia dentro desta editora.

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A Valiant teve um 2016 com quadrinhos de altíssimo nível, seja em sagas fechadas ou em publicações regulares. Desta maneira, o retorno de uma de suas franquias seminais era uma das estreias mais aguardadas deste segundo semestre por fãs e críticas e, felizmente, a equipe de Harbinger Renegade não decepciona. Temos aqui um início extremamente instigante para fãs das histórias originais e um quadrinho de ficção super heroica de alto nível para novos entusiastas. Tudo apresentado por uma equipe de arte extremamente entrosada e apresentando um elenco cativante e vulnerável, na medida certa. Isso faz de Renegade uma recomendação certeira, tanto para quem já acompanha este universo quanto para novos leitores.