[#Entrevista] David Walker: Vingadores, Punho de Ferro, Luke Cage e mais

2016 foi um ano extremamente produtivo para o autor David Walker. Após finalizar sua curta, porém marcante passagem pelo título protagonizado por Cyborg durante a iniciativa DC You, no início do ano, o roteirista já emendou dois títulos marcantes no universo Marvel após as Guerras Secretas na forma de Power Man and Iron Fist e a já concluída Nighthawk.

Agora, em decorrência da nova leva de títulos provenientes da nova linha editorial Marvel NOW!, o autor assume um novo e inusitado título da linha dos Vingadores, chamado Occupy Avengers. Aqui, Walker nos apresenta exclusivamente o novo título, comenta sobre o futuro de Luke Cage e Danny Rand em suas aventuras por Nova York e ainda revela onde veremos novamente o Falcão Noturno.

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Imagem promocional de ‘Occupy Avengers’ por Agustin Alessio

Terra Zero: A Marvel apresenta Occupy Avengers como um título focado em personagens heroicos atacando problemas do ‘mundo real’ e ajudando a população. O que faz o elenco da revista se voltar para estas questões ao invés de enfrentar os mesmos super vilões de sempre?

David Walker: Cada um dos personagens do time, começando por Clint Barton/Gavião Arqueiro, está em um ponto crucial de suas vidas, no qual estão questionando quem eles são e o que eles fazem. Eles não são muito bem um time de super-heróis e, sim, um bando de desajustados que formaram seu grupo de terapia, mas eles continuam tendo essas aventuras loucas. A razão pela qual eles não enfrentam os mesmo velhos supervilões é simplesmente o caminho que estão seguindo – ao invés de se deparar com os malfeitores usuais, eles encontram outras ameaças.

Occupy Avengers parece uma extensão do que você tem feito em Power Man & Iron Fist em relação ao aspecto mais ‘pé no chão’ dos desafios apresentados. O novo título se inspira nessa faceta mais urbana do seu trabalho anterior?

Não se inspira tanto no aspecto urbano e sim da noção de que heróis são necessários de mais de uma maneira e em mais lugares do que somente na cidade de Nova York. Você não precisa salvar o mundo de Thanos para ser um herói. Em Power Man & Iron Fist estamos fazendo o que chamamos de um quadrinhos no “nível das ruas”, ele somente se passa em uma cidade muito grande. Em Occupy Avengers, os heróis estão simplesmente nas ruas de cidades menores, ajudando em problemas que ameaçam a vida da mesma forma. Nosso primeiro arco trata sobre contaminação de água. Isso é um problema mais real do que Thanos ou Ultron.

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Ação social em “Ocupy Avengers” 1. Arte: Carlos Pacheco.

Entendemos que Occupy será um quadrinho de viagem pelos Estados Unidos, com arcos curtos de duas edições e, em algum nível, focado em questões sociais. De alguma forma este formato lembra bastante o trabalho de Dennis O’Neil no título Lanterna Verde / Arqueiro Verde, nos anos 1970. Estas histórias foram inspiração para o seu título?

Eu amava estas histórias quando garoto, mas propositalmente não voltei a ler este material, porque não quero ser influenciado mais do que o necessário. Mas, sim, estas histórias me marcaram desde que as li quando era criança. Tem um programa de TV nos Estados Unidos chamado Have Gun – Will Travel [Paladino do Oeste, no Brasil], que foi exibido de 1957 a 1963. Esse programa é a maior influência pra mim, mais do que qualquer outra coisa. Adicionalmente a este programa, minhas maiores influências para Occupy Avengers são filmes de faroeste e de samurais. Para mim, os faroestes e os filmes de samurais são primos, e eu amo esses dois gêneros. Tem muito de Os sete samurais, de Kurosawa, e Sanjuro no coração e alma de Occupy Avengers, e tem pedaços de Meu ódio será tua herança, de [Sam] Peckinpah, e Matar ou morrer, de [Fred] Zinnemann, no quadrinho.

Ficamos felizes em saber que o Lobo Vermelho é um membro de Occupy Avengers. Qual a sua abordagem para este personagem no título?

Eu fiquei muito feliz de pegar o Lobo Vermelho. Eu cresci lendo diferentes versões do personagem lá nos anos 1970 e ele sempre esteve em algum lugar escondido do meu cérebro. Esta nova encarnação é muito interessante para mim, porque ele é um homem de outro tempo e outro lugar, magicamente transportado para os dias atuais. De sua própria maneira, ele se assemelha muito ao Capitão América e é dessa forma que gostaria de fazê-lo. Ele não é uma cópia do Steve Rogers, mas é um homem de grande convicção, tentando se encaixar em um mundo no qual ele está uns 100 anos fora de lugar.

Existe uma razão específica para os heróis em Occupy Avengers não terem superpoderes?

Eu amo a ideia de que não é preciso ter superpoderes para ser um super-herói. No mundo real, ninguém tem superpoderes, mas isso não pode nos impedir de sermos heroicos – de nos posicionarmos contra os males do mundo. Occupy Avengers é sobre inspirar as pessoas comuns a se tornarem excepcionais e se posicionarem contra a opressão. Ter um time sem poderes significa que as pessoas que estão inspirando e lutando não são diferentes de você e eu, eles somente afiaram suas habilidades.

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Lobo Vermelho está de volta em “Occupy Avengers”. Arte: Carlos Pacheco.

Você poderia exemplificar algumas questões sociais que o time enfrentará nas próximas edições de Occupy Avengers?

O primeiro arco é sobre contaminação de água e exploração ecológica. Além deste ponto, eu não quero estragar a leitura.

Falando sobre Power Man & Iron Fist, você está trazendo de volta à Marvel um personagem favorito dos fãs de Os Fugitivos, o Alex Wilder. O que houve com ele desde que o vimos pela última vez em Avengers Undercover?

Ele está agindo sozinho e está tentando começar seu próprio império do crime. Ele tem desenvolvido uma grande variedade de habilidades e poderes, muitos dos quais ele aprendeu quando estava morto. Eu quero dizer, o garoto estava em algum tipo de purgatório e ele tinha de fazer alguma coisa, então ele decidiu tentar achar um caminho de volta para o mundo dos vivos e se tornar um chefão do crime.

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Power Man & Iron Fist. Arte: Sanford Greene.

O Alex estaria tentando reformar o Orgulho [organização mística criminosa formada pelos pais dos Fugitivos originalmente]?

Definitivamente sim. O problema é que o Alex é arrogante e inexperiente, e ele está enfrentando adversários que são implacáveis. Ele pode não estar preparado para o que o Lápide pode fazer para se manter no poder. E também, o Alex está dependendo de criminosos que tem pouca fé nele e tudo pode explodir na sua cara.

Tendo em vista que o relacionamento entre Jessica Jones e Luke Cage está meio abalado atualmente, como vimos nas primeiras edições de Jessica Jones de Brian Bendis, você abordará este tema futuramente em Power Man & Iron Fist?

Sim, nós iremos tocar neste assunto. Mas esta história é do Brian. Eu posso brincar um pouco com ela, mas ele tem um plano, e eu estou mais interessado em ler o que ele vai fazer do que ficar brincando com isso. Então, sim. Nós iremos falar sobre isso, e Luke está lidando com isso, mas as maiores revelações virão no título da Jessica Jones.

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Arte: Sanford Greene.

Apesar do quadrinho ter sido descontinuado, Nighthawk foi uma ótima introdução do personagem neste novo universo Marvel. Existem planos para você voltar a trabalhar neste personagem em algum outro título?

Ele fará uma aparição em uma história vindoura de Occupy Avengers. Se ele se unirá ou não ao time, é algo que ainda permanece em segredo. Falar qualquer coisa além disso seria um spoiler.

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