[#Pitaco] Supergirl: O que esperar do Jimmy Olsen Guardião?

Nem todos os fãs da DC se lembram do Guardião, um super-herói que, na verdade, não é tão super assim, mas é muito importante para a cronologia da editora. Sua roupagem mais recente – e, verdade seja dita, mais interessante – é de Grant Morrison. Não por ter sido criada pelo escocês, de quem sou muito fã, mas pela ideia mesmo. O autor o recriou em 2005 para seu ambicioso projeto 7 Soldados da Vitória, um coletivo de minisséries que se entrelaçavam em uma narrativa complexa e repleta de referências à carreira do autor e a alguns dos momentos mais obscuros e esquecidos da DC.

Falando de forma bem resumida, e até meio grosseira, Jake Jordan, o Guardião de Morrison e do desenhista Cameron Stewart foi baseado no cada vez mais influente jornal inglês The Guardian. Ícone do jornalismo britânico, o periódico foi a faísca que os dois quadrinistas ingleses precisavam para criar um vigilante patrocinado por um jornal da Terra da Rainha. Esta roupagem não necessariamente inédita, mas também nem um pouco ortodoxa, deu um respiro para um personagem considerado, de certa forma, genérico. Jim Harper (sua identidade original) foi criado em 1942 pela antológica dupla Joe Simon e Jack Kirby. Meses antes eles deram vida ao Capitão América. As semelhanças entre os heróis era imensa e em muito pouco tempo o Guardião desapareceu.

O Guardião de Grant Morrison e Cameron Stewart.
O Guardião de Grant Morrison e Cameron Stewart.

Houve tentativas de adaptar o Guardião para outras mídias. Ele até teve uma chance na finada animação Young Justice como uma versão mais jovem do original. Não durou muito. Pulamos para 2016, com o Jimmy Olsen da série Supergirl anunciado como a primeira adaptação live action do vigilante. O novo herói de Metrópolis. A foto oficial, que mostra o ator Mehcad Brooks, foi no mínimo muito esquisita:

Foto oficial de Mehcad Brooks como Guardião.
Foto oficial de Mehcad Brooks como Guardião.

Percebem as semelhanças dele com um certo ninja dos quadrinhos? Se ele se chamasse Storm Shadow ninguém ia notar a diferença. Segundo os produtores, Olsen não quer mais ficar “na sombra” da Supergirl (olha a piadinha). Mas isso traz uma série de problemas, ou talvez de questionamentos, que podem atrapalhar a recém estreada segunda temporada em algum momento.

Storm Shadow em sua versão cinematográfica.
Storm Shadow em sua versão cinematográfica.

Primeiro: a temporada mal começou e foi inserido um elemento masculino na história que, de certa forma, é considerado mais que sua protagonista. Estamos falando do SuperMAN no seriado da SuperGIRL. Ainda que o pessoal da produção tenha o cuidado de não fazer a luz do Homem de Aço ofuscar o brilhantismo da protetora de National City, a adição desse elemento masculino maior que a vida prejudica, em alguma instância, a verdadeira estrela do show. E agora, quando o Superman fará pelo menos mais uma aparição na temporada, um novo super-herói homem é colocado na história. Isso vai de encontro ao que a série pregou na temporada anterior: a força da mulher. Não apenas da Supergirl em si, mas de todas as mulheres em volta dela: sua irmã, sua chefe, sua mãe, sua vilã etc. Agora, a mídia olha para o programa para noticiar a presença do Homem de Aço e a inusitada transição de Jimmy Olsen.

Parece estranho. Parece… desesperado? Talvez nem tanto, já que o retorno de Supergirl às telinhas era muito aguardado e a audiência de segunda-feira foi estrondosa para o canal CW. Agora, será que a audiência não foi alta assim por causa do Superman? Será que os produtores estão investindo em homens fantasiados no programa de uma super-heroína com medo de que ela não se sustente? Pior: será que essa atitude não reforça a falta de crença em Hollywood de que mulheres podem protagonizar grandes histórias sem precisarem de homens em volta delas? Tais perguntas são importantíssimas para se definir o futuro da série. Vejam que não estou questionando o esmero do pessoal em fazer algo bem feito, mas sim a decisão estranha de fortalecer personagens masculinos em um seriado que, na teoria, deveria quebrar este tabu.

Cito por alto a série da Agente Carter que, por mais bem produzida que fosse, não se sustentou. Por diversos fatores, é claro, mas, entre eles, estava uma protagonista mulher. Nada sexualizada, aliás, assim como a excelente Supergirl de Melissa Benoist. Automaticamente, o que se tem é uma resposta do público de que as super-heroínas talvez nunca consigam seu lugar ao sol sem que um super-herói esteja ao seu lado.

As coisas não deveriam ser assim.

Em outro aspecto, desta vez focado no próprio Guardião, a evolução de Olsen parece errada por diversos motivos. O personagem já teve, sim, momentos de heroísmo nos quadrinhos, inclusive fantasiado de super-herói. No entanto, seus momentos mais memoráveis são como fotojornalista, como investigador que viveu ao lado de Lois Lane por tempo suficiente para aprender muito sobre seu ofício. Por mais que, às vezes, Supergirl não possa cuidar de todos os problemas de National City, por que ele se transformaria em um super-herói? O que levaria este homem, que já é um personagem interessante por si só, vestir uma fantasia em um universo repleto de outros fantasiados, provavelmente muito mais capazes que ele?

Em termos dramáticos, um pouco disso é até compreensível e aceitável; foi revelado que Winn, o amigo de Kara e Jimmy, servirá de ajudante para o Guardião. Contudo, ele faz este mesmo papel com a Supergirl. Logo, o que se verá é um triângulo que eventualmente vai explodir em desconfiança e mentiras. Isso é bom para uma história. Dá dramaticidade.

Porém, o pessoal do CW teve um histórico ruim com isso, ao transformarem John Diggle, de Arrow, no Espartano. Além de ter uma aparência nada convincente com o elmo tosco criado por Cisco Ramon, o personagem tem pouca utilidade na história. Ou seja, Jimmy Olsen corre o risco de: a) tirar a atenção da estrela do show; b) repetir o fracasso da identidade super-heroica de Diggle. É um dilema, mas a galera do CW não parece se importar com isso.

A real é que não dá para opinar de fato até que o novo Guardião seja visto em ação nos episódios da série. Contudo, o que o telespectador deve ter é uma cautela acima da média quando se trata de adaptações de quadrinhos. O que foi mostrado até agora não é convincente e as motivações para o fotógrafo se tornar super-herói precisam ter apelo. E mais: ele não pode, de forma alguma, tirar os holofotes da Supergirl. Caso contrário, o Guardião pode acabar como o Espartano ou até prejudicar o andamento da série. Não é isso que nós queremos.

  • Lucaaaah

    Acho esse cara muito grande pra ser o Jimmy Olsen

    • Pulando o Corguinho

      Verdade. Ele tá mais pra Aço do que pro Jimmy. O Winn tem mais cara de Jimmy Olsen.
      Mas entendo que a proposta da série é quebrar paradigmas.

  • Anderson

    Isso é bobeira.. mulheres precisam de homens ao seu redor assim como homens precisam de mulheres ao seu redor… o que eu acho que ficaria estranho é uma cidade onde ouvessem um monte de super heroinas, vilãs, chefonas, etc… e nenhum heroi?? acho que arrow por exemplo termais heroinas do q herois masculinos nao é problema, assim como supergirl ter herois masculinos alem de femininas tambem nao é problema.. O tabu ta so na cabeça de quem vê tabu em tudo.. o que importa são as boas historias.

  • João Paulo Hanke

    Sinceramente eu não gostei dessa ideia de colocarem o Jimmy como Guardião. Não combina com o personagem, simples assim. Não faz sentido ele ter passado anos ao lado do Superman e agora querer sair “da sombra” da Supergirl, é uma ideia bem ridícula pra proposta da série.

    E, Morcelli, além do Superman e do Guardião, esta temporada ainda teve a adição do Mon-El.

  • geo

    Não achei nada parecido com esse Storm Shadow, ele parece mais com um stormtroopers

  • Felipe Monteiro

    Agente Carter, pra mim, foi disparada a melhor série da Marvel. Uma pena sofrer esse tipo de preconceito

  • Juliana Lucinda

    Não faz sentido colocar ele como Herói, simplesmente odiei… Estão fugindo da história completamente, colocando muito drama.
    Tipo, ele querer sair da sombra dela…HÃ OII?…Ele sempre foi a sombra do SuperMan e agora vem com essa?…Fora o drama da Alex, o drama do J’oon. MDS eles tão fazendo TUDO na série, menos dando o destaque que a protagonista deveria ter.

  • Juliana Lucinda

    Não faz sentido colocar ele como Herói, simplesmente odiei… Estão fugindo da história completamente, colocando muito drama.
    Tipo, ele querer sair da sombra dela…HÃ?..OII?…Ele sempre foi a sombra do SuperMan e agora vem com essa?…Fora o drama da Alex, o drama do J’oon. MDS eles tão fazendo TUDO na série, menos dando o destaque que a protagonista deveria ter.