[#Review] Batman Rebirth: I’m Gotham (#1-#6)

Começou o DC Rebirth. Numeração zerada, novas equipes criativas, personagens antigos voltando, personagens novos surgindo e novas aventuras para nós, leitores.

Com o Rebirth vieram algumas mudanças para o Batman, especialmente em sua equipe criativa, uma vez que, durante toda a fase dos Novos 52, ele esteve nas mãos da mesma equipe criativa em sua revista solo, bem conhecida pelos fãs do Morcego de Gotham: Scott Snyder e Greg Capullo, que trouxeram para a mitologia do Cavaleiro das Trevas a Corte das Corujas e novos personagens de elenco de apoio, como Duke Thomas e Harper.

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Assumiu, agora, o roteiro da revista solo do Batman o novo queridinho dos quadrinhos, o escritor em ascensão Tom King, altamente elogiado por seu trabalho em Grayson, pela DC, e Visão, na Marvel.

King é conhecido por ter uma narrativa limpa, sem caixas de pensamento, deixando que a arte e os diálogos conduzam a trama. Seu estilo também é bem caracterizado pela investigação e o humor. O autor também declarou usar como inspiração para revista a série animada do Batman, produzida por Bruce Timm.

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Em seu primeiro arco, I´m Gotham, temos a introdução de dois novos personagens: Gotham e Gotham Girl, e a interação de Duke Thomas como parceiro do Batman.

Nesta trama, o Morcego se vê diante de novos vigilantes em Gotham, com um diferencial dos que costumamos ver lá: eles têm poderes, superforça, supervisão e voam. Isto coloca o Cavaleiro das Trevas numa nova perspectiva de trabalho: em princípio, ele se mostra relutante sobre os irmãos poderosos, mas então ele se vê na reflexão de que, apesar de sua riqueza, preparo físico e tecnologia, ele é só um homem numa máscara, e que tem situações de que são necessárias pessoas com habilidades especiais para salvar a cidade, de um jeito que ele não pode.

Com isto, vemos o dualismo no arco entre os poderes físicos dos novos heróis e a força mental de Batman. Os irmãos são dispostos a ajudar e querem salvar a cidade, mas não tem estratégias e, ao longo do arco, vemos que também não tem a força mental necessária, fato que muda seus destinos ao enfrentarem o Pirata Psíquico.

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Em contrapartida, temos o Morcego de Gotham em sua versão mais suicida, na qual ele sabe que, no fundo, é só um homem numa máscara, e esta vida que escolheu é extremamente vulnerável. Na primeira edição, ao ter de salvar um avião, primeiro ele procura algum amigo poderoso, mas estão todos indisponíveis. Então ele vai, sabendo que uma missão que seria tranquila para o Superman, para ele custaria a vida.

Algumas considerações sobre os personagens que movimentam a trama:

  • Gotham e Gotham Girl: os irmãos Hank e Claire começam a trama juntos, mas, a partir da edição 3, suas histórias seguem rumos diferentes: após enfrentarem o Pirata Psíquico, ambos são tomados por emoções que mudam seus destinos. Assim, no primeiro arco temos a ascensão e queda de Hank como Gotham, e o começo da história de Claire como Gotham Girl.
  • Duke Thomas: O personagem criado por Scott Snyder começou seu treinamento com o Batman e, por enquanto, atua nos bastidores das missões. Suas interações com Bruce são interessantes, mas é interagindo com Claire que vemos como ele tem um caráter sólido e uma personalidade calma e segura.
  • Alfred: Dono dos momentos mais bem humorados neste arco, Tom King acertou em cheio na relação Bruce e seu fiel mordomo. O humor ácido de Alfred está mais presente do que nunca, e também tivemos uma icônica cena dele vestido de Batman.
  • Batman: Mais suicida do que nunca, King usa muito o fato do Batman ser um homem, e um homem disposto a morrer pela causa que acredita, que inclusive brinca com a morte.

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A trama do arco é bem dinâmica, misturando elementos de investigação, tragédia e humor em sua narrativa, uma escrita limpa e acessível, onde ele vai deixando pontas soltas para serem desenvolvidas em outras edições.