[Jab] Avatarex #1, de Morrison e Kang

A jovem editora Graphic India, fundada em 2011, rapidamente se tornou uma das maiores (se não a maior) editoras especializadas em arte sequencial da Índia. Comumente focando em contos da rica e antiga mitologia do país, a empresa, desde sua fundação, investe pesado em histórias do gênero super heroico e mitológico baseadas principalmente em suas raízes culturais. Em 2016, no entanto, a Graphic India faz seu investimento mais significativo ao trazer Grant Morrison, um dos escritores mais prolíficos e aclamados dos quadrinhos mundiais para um projeto denominado Avatarex.

Vale lembrar que o escritor não é um desconhecido no ideário hindu: fora diversas referências espalhadas em sua obra (notadamente em Os Invisíveis), ele concebeu para a Vertigo, em 2005, uma minissérie em três partes, com arte de Philip Bond, chamada Vimanarama. Portanto, Morrison caminha pelo imaginários do panteão deítico da Índia com segurança.

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Avatarex é o típico quadrinho de super-herói com todos aqueles cacoetes distintos do gênero: uma origem grandiosa e com toques dramáticos, conflitos em escala gigantesca, dilemas entre seus principais protagonistas e, principalmente, uma enorme lacuna para crescimento dos personagens que estrelam a história. No entanto, Morrison aqui transporta todos estes temas conhecidos para o meio da Índia moderna, usando com propriedade tanto aspectos socioculturais daquele ambiente quanto mitos com os quais só quem foi criado ali é familiarizado.

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O roteiro de Morrison em Avatarex é didaticamente linear, quase que pegando na mão do leitor o o fazendo seguir em uma linha reta. A história apresenta um protagonista extremamente pedante, autoconfiante e orgulhoso – um deus que tem consciência de seu poder e sua missão e sabe que é o salvador da humanidade. A opção pela ligação de um ser com tamanho poder a um ser humano falho faz uma referência inegável e descarada às origens da primeira encarnação do poderoso Thor na Marvel, em sua jornada de humildade com o médico Donald Blake. Este é o dilema principal em Avatarex e o clímax da edição de apresentação. Muito maior que o conflito em larga escala entre o herói e forças invasoras, que sinceramente só serve como ferramenta para mover as peças.

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A arte de Jeevan Kang é bastante eficiente, mostrando com clareza o roteiro do autor. O traço do ilustrador, que mistura fotografia clássica de quadrinhos de heróis com caracterização mais contemporânea, retrata com precisão as ideias de Morrison. O destaque da arte, no entanto, é o design do personagem principal e dos ambiente miológico-futuristas propostos pelo roteirista. Avatarex tem apresentação grandiosa, como o roteiro propõe, e isso é dizer muito, em se tratando de Grant Morrison.

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Avatarex, em princípio, não é o tipo de quadrinho que vai quebrar a sua mente – algo que se espera frequentemente de um autor como Grant Morrison. O roteirista, no entanto, não é burocrático, mas conciso e intencionalmente sóbrio. Aqui, Morrison usa anos de experiência e conhecimento do tema super-heroico para contar uma história de origem consistente e interessante, se valendo de uma fonte mitológica ainda pouco explorada e relativamente desconhecida do público ocidental. Com uma arte que faz jus ao escopo da proposta da história, podemos dizer que, como uma publicação regular da Graphic India, o título é uma transposição interessante de um tema meio batido para um cenário diferente. Tudo feito com muito esmero por uma equipe extremamente competente.

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