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[Universo em Crise] Barbara Gordon, uma vida em quatro estações

Saudações, Zeronauta! Este Universo em Crise se propõe a apresentar, pelas estações do ano, um caminho cronológico de Barbara Gordon, nossa querida Batgirl/Oráculo, uma membro da Bat-Família que tem se reinventando ao longo de 50 anos e se tornado um exemplo de heroísmo e superação.


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Verão: Início da Vida de Batgirl

Barbara é a jovem filha do comissário Gordon que, assim como seu pai, ama a cidade e queria fazer dela um lugar melhor. Queria muito ser da polícia, mas, como seu pai não permitiu, ela procurou outros meios para isso. Fez teste para ser ajudante da Canário Negro, mas não teve sucesso, infelizmente.

Isso não impediu Barbara; em uma festa à fantasia, ao estar vestida de Batman, tentou impedir a invasão do Mariposa Assassina ao evento, usando todo o conhecimento que tinha graças ao treinamento que teve em artes marciais, até que Batman e Robin chegassem ao local. A mídia a anunciou como Batgirl e, assim, nascia uma nova heroína.

Como o verão, o início de carreira de Batgirl é intenso, brilhante e caloroso. Lutou ferozmente pela sua cidade, sem permissão do morcego de Gotham ou mesmo do seu pai. Apesar disso, teve deles seu treinamento e respeito.

A garota de cabelos ruivos atuou durante anos ao lado de Batman e Robin, ajudou a cidade ao lado deles motivada apenas pelo amor que sentia pelo lugar, não pelas tragédias que cercavam seus outros parceiros. Voava pelo céus de Gotham, cruzando a geografia local de um lado a outro, assim como o sol de verão. Ela foi, nesses tempos, a luz da Bat-Família e a força intensa que não se rendeu às sombras do Cavaleiro das Trevas.

Página de A Piada Mortal, por Brian Bolland.

Página de A Piada Mortal, por Brian Bolland.

Inverno: A piada mortal

O verão passou e, sem esperar pelo outono, o inverno simplesmente disparou seu vento gelado e congelante no momento que Barbara abriu a porta para ninguém mais, ninguém menos que um sádico Coringa, armado, que friamente atirou, não para matar a moça, mas para torná-la paraplégica e fazê-la cair no chão gelado. Teve suas roupas retiradas, foi fotografada nua e arrancou risadas do palhaço, que tinha com ele um plano frio e calculista que a tornou apenas mais uma vítima. Com as risadas, o céu escureceu e o calor foi embora: deixou apenas um olhar frio em seus olhos, colocou trevas em seu coração, gelou sua confiança. Ao abrir aquela porta, o inverno rigoroso entrou em sua vida e o verão se foi.

Mas as estações não duram para sempre, nem as mais intensas e cruéis. Para Barbara, o inverno não foi eterno, deixou consequências, mas passou.

Barbara Gordon como Oráculo. Arte de Ryan Sook.

Barbara Gordon como Oráculo. Arte de Ryan Sook.

Outono: Oráculo / Batgirl N52

O inverno, como uma nevasca foi breve e intenso, porém deu lugar ao outono. Como na vida real, a neve começou a derreter e dar lugar a árvores que ainda não estavam floridas, nem com folhas verdes. Estavam ainda derrubando suas folhas de cores marrons, amarelas e vermelhas pelo chão.

Após a tragédia de sua vida, Barbara aparentemente perdeu tudo o que fez dela a Batgirl, mas isso era tudo mesmo?  Antes de ser Batgirl, era inteligente e audacios,a fazendo-a ganhar o respeito do Batman. Foi a intensidade de sua vontade, e isso não tinha indo embora, só estava escondido debaixo do gelo que a experiência traumatizante tinha feito.

Derretido o gelo, Barbara já não era mais Batgirl e, sim, Oráculo: a maior hacker do universo dos quadrinhos. Fundou e liderou o grupo de super-heroínas, conhecido como Aves de Rapina, sendo o centro de inteligência de suas operações. Serviu também da mesma forma o Esquadrão Suicida (0nde ocorreu a estreia de Oráculo), assim como a Bat-Família e a Liga da Justiça.

Apesar do inverno ter deixado suas marcas emocionais, Barbara se reinventou profissional e heroicamente, superando tudo. Assim como o outono faz as árvores encararem suas folhas espalhadas pelo chão, ela teve que lidar com sua própria tragédia, seus traumas, sua vaidade, seus amores, amizades e relacionamentos. Cada vez mais Barbara se tornava mais semelhante a Bruce Wayne, tornava-se também mais cínica, fria e olhando mais a missão que seus “soldados”.

Batgirl dos Novos 52. Arte de Ardian Syaf.

Batgirl dos Novos 52. Arte de Ardian Syaf.

Como Batgirl, nos Novos 52, ela recomeçou sua jornada: reabilitada da coluna, mas abalada emocionalmente, precisando lidar com o medo de armas, os questionamentos sobre ser justo voltar a andar enquanto outros não tem a mesma sorte, o afastamento dos parceiros para se provar capaz de lutar sozinha.

O outono é uma estação sem extremos: não é tão quente como o verão, não é vibrante como a primavera ou fria como o inverno. É a estação do vento fresco, das cores frias espalhadas com as folhas pelo chão, das roupas de meia estação. Não é uma estação intensa e, sim, de equilíbrio. Nos recuperamos do verão rigoroso e nos preparamos para qualquer tempo frio. Barbara não teve tempo para se preparar, o outono para ela foi tardio. Ela precisou achar o equilíbrio dentro de si depois do inverno repentino, teve que encarar as folhas pelo chão e achar a beleza nelas, pois a vida é cheia de improbabilidades. Ela estava se recuperando de suas tragédias. Ainda estava frio, mas algo melhor a aguardava.

Em ambos os momentos de Barbara, tanto no começo de sua jornada de Oráculo quanto ao retorno como Batgirl, foram eles em que a personagem foi mostrada de forma mais obscura para o seu caráter, sem ser uma fase definitiva: era uma sequência transitória. A ausência de folhas e flores não fazia dela uma pessoa morta para o mundo: ela apenas precisava achar o equilíbrio em si mesma e se preparar para que tudo florescesse de novo.

Barbara Gordon e Dick Grayson. Arte de Rick Leonardi.

Barbara Gordon e Dick Grayson. Arte de Rick Leonardi.

Primavera: Oráculo II/ Batgirl Burnside e Rebirth

A vida de Barbara começou intensa como um sol de verão, dramaticamente  passou por um rigoroso inverno que logo foi substituído por um longo outono, mas enfim, chegou a primavera: ela renasceu.

Como Oráculo, Barbara teve seu longo outono, se adaptou, se transformou e achou seu equilíbrio. A primavera a fez renascer, recuperar sua vaidade, ver a felicidade de novo, aprendeu a amar a vida, confiar nas pessoas, inspirar novas heroínas… Mas ela já não era mais o verão, era diferente: Aceitou o que tinha e fez disso flores pelo seu caminho, mesmo que às vezes elas tenham espinhos.

Batgirl, em sua fase Burnside. Arte de Babs Tarr.

Batgirl, em sua fase Burnside. Arte de Babs Tarr.

Como Batgirl de Burnside, e ainda continuada no Rebirth, Barbara renasceu em sua trama dos Novos 52, após passar a fase de lidar com seus traumas e problemas familiares, ela resolveu recomeçar sua vida. Foi morar em um lugar menos sombrio, se tornando uma heroína menos sombria, não inspirando medo, mas simplesmente inspirada, se tornou modelo de inteligência e coragem para uma nova geração. Uma heroína que ajuda as pessoas nas pequenas coisas e que sorri para lhes dar um dia melhor e fazer parte dele.

Ela nunca mais voltou a ser a Batgirl que era no começo de sua carreira, pelo menos não após passar pelo inverno e outono. As estações a mudaram, vieram de forma atribulada e mudaram Barbara para sempre. A maturidade veio mais cedo para ela, criou uma personagem de muitas facetas, muitas camadas: no passado, houve tragédias, mas ela vive o presente, tirando o melhor dele, e abraça o futuro. Cinquenta anos construíram uma personagem que é modelo de superação e coragem, tornou-se um exemplo para cadeirantes, garotas e garotos.*

Barbara teve circunstancias em sua vida que a mudaram, mas ela venceu. Ela teve que cair, ficar no chão, se levantar, cair de novo, usar a  força para se levantar e cair de novo. Mas não importa quantas vezes ela cair, Barbara vai se levantar: seja com os pés e pernas ou com força de vontade para se sentar em uma cadeira de rodas, tendo garra para se tornar o ícone de inclusividade motora mais forte do universo DC, com a graça de uma Batgirl que se permitiu ser feliz e independente. Uma amiga para novas gerações de leitores

Barbara Gordon mudou e fez sua história ser tão forte quanto a força da natureza, moldadas, as duas, pelas estações da vida.


*E para mim.

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  • léquinho

    Muito bom o texto, nunca tinha parado pra pensar na carreira dela dessa forma, mas foi um ótimo jeito de organizar

  • Barbara Gordon devia ter se aposentado e dado lugar pra Stephanie Brown assumir o manto da Batgirl nessa fase da Batgirl de Burnside.
    Ela sai de uma mulher madura e forte, mas traumatizada, para uma jovem Hakuna Matata que pode deixar os problemas pra trás com a mesma facilidade que se muda uma equipe criativa de um quadrinho…
    Eu gosto das histórias, mas não consigo encaixar a mesma Barbara que foi alvejada pelo Coringa na versão mais recente da personagem.
    O arco dos N52 que a trouxe de volta a ativa foi bem positivo e trabalhou bem os problemas da personagem sem torná-la uma mera sidekick do Bat.