[Universo em Crise] As Regras Escritas da Fawcett (Parte 2)

Bom dia, Zeronauta! Este Universo em Crise continua se remexendo! Atenção às informações de hoje: esta é a segunda parte da tradução de um texto publicado no Fawcett Companion, que é basicamente a cartilha a ser seguida para que as histórias da editora fossem concebidas; a informação contida nele foi retirada do arquivo de Will Lieberson, o Editor Executivo da Fawcett Comics. Para ler a parte anterior: Parte 1.


CAPITÃO MARVEL JÚNIOR

Arte: Marc Raboy
Arte: Marc Raboy

Freddy Freeman é um garoto aleijado, por volta dos 14 anos de idade. Ele é um órfão e mora num quarto, num sótão modesto em algum lugar da cidade. Ele vende jornais para viver, e é normalmente enquanto os vende que coisas nefastas chegam à sua atenção e que levam às suas histórias.

O diário de Freddy normalmente começa ou termina a história. No diário, ele inicia com “Caro Diário” e, então, dá o suficiente para intitular a história.

Arte: Marc Raboy
Arte: Marc Raboy

Assim como Billy Batson grita “Shazam!” para se tornar o Capitão Marvel, Freddy Freeman grita “Capitão Marvel!” para se tornar o Capitão Marvel Jr. O mesmo “bum” e clarão de luz do raio resultam do seu grito como acontece com Billy.

A origem do Capitão Marvel Jr. ocorreu durante uma história do Capitão Marvel. O Capitão Nazista assassinou cruelmente um velho e aleijou o neto dele pelo resto da vida. O mortal mais poderoso do mundo levou o garoto moribundo até o velho Shazam, o mago que deu os poderes a Billy Batson, e pediu a Shazam para salvar a vida do garoto. Então o velho mago deu a Freddy Freeman o poder para se tornar Capitão Marvel Jr., simplesmente por gritar o nome do grande herói, Capitão Marvel.

Nota: É necessário que Capitão Marvel Jr. e Freddy Freeman nunca pronunciem o nome “Capitão Marvel Jr” em voz alta… Ou seja, quando o personagem não precisa se transformar. Eles só podem pensar o nome, em tais casos. Esta é uma questão complicada em que as duas primeiras palavras do nome “Capitão Marvel Jr” são as próprias duas palavras que o fazem mudar de volta e assim em diante. Por exemplo, se alguém perguntar a Freddy Freeman quem afugentou o vilão dali, Freddy não pode dizer “Ora, foi o Capitão Marvel Jr!”, porque ele se transformaria instantaneamente, ali mesmo. Daí, num caso assim Freddy diria algo como “Ora, foi um estranho garoto voador num traje azul!”.

Existem dois vilões que permanecem aparecendo frequentemente nas histórias de Júnior. Um deles é o Capitão Nazista, que é o Pior Vilão do Mundo, e possui força e poder tremendos. Ele consegue dar grandes altos, porém não consegue voar. O segundo vilão é o Sr. Macabro, um gênio do crime com um rosto verde que sempre, de alguma forma, ilude o Capitão Marvel Jr. no final da história, após Júnior ter acabado com seu último intento demoníaco.

A personalidade do Capitão Marvel Jr. é a de um garoto herói bem sério. Ele não faz comentários engraçadinhos, contudo ele pode dizer coisas espertas. Ele não deveria ser rebaixado, portanto, falando várias fanfarronices enquanto bate nos bandidos por aí. Em tais casos, deixe-o falar exatamente o que ele quer dizer, ou nada mesmo. Ele retorna com frequência ao papel de Freddy Freeman para resolver seus problemas, pois o próprio Freddy é um garoto muito esperto. Por exemplo, se a presença do Capitão Marvel Jr. avisaria os vilões antecipadamente, é o aleijado Freddy que viria e esperaria pelo momento propício para mudar para Júnior e resolver o assunto.

Freddy Freeman é um personagem muito carismático por seu próprio mérito. Ficando aleijado por toda a vida, ele é sensível aos sofrimentos e problemas das outras pessoas. As histórias deveriam lidar em geral com tramas com fortes interesses humanos, em vez de somente com uma gangue de nazistas ou de bandidos derramando sangue a torto e a direito e combatendo seus inimigos. Isto é, ter uma história dentro da história quando possível, onde Júnior e Freddy resolvem juntos algum problema ou dificuldade de uma pessoa. Em geral, pode ser dito que uma história do tipo dramalhão cabe melhor a esse personagem.

Arte: Marc Raboy
Arte: Marc Raboy

A fantasia acontece nas histórias do Capitão Marvel Júnior, todavia ela deve ser de um tipo mais sério do que o tipo leve e despreocupado encontrado nas histórias do Capitão Marvel.

Sua perspectiva de garoto deve sempre ser mostrada quando possível. Ou seja, as pessoas que ele ajuda e resgata podem ser regularmente crianças, em vez de adultos.

O tipo esquisito de história fica bem com Júnior também… Qualquer coisa bizarra e misteriosa.

Nota: Absolutamente ninguém sabe que Freddy Freeman é o Capitão Marvel Jr. Ele não tem confidente algum. Esta é uma questão importante, porque ela caracteriza Júnior como um lobo solitário, não confiando em ninguém e resolvendo tudo sozinho em qualquer caso.

Arte: Marc Raboy
Arte: Marc Raboy

Como nas histórias do Capitão Marvel, não é necessário que Freddy se esgueire cuidadosamente para trás de prédios ou algo assim para gritar “Capitão Marvel” e se transformar em Júnior. Quando a ação requer uma rápida aparição do Capitão Marvel Jr, Freddy simplesmente grita sua palavra mágica, e o clarão de luz causado pelo raio que se segue normalmente confunde as coisas o bastante para quaisquer personagens por perto de modo que eles não saibam de onde Júnior veio, ou pra onde Freddy foi. E vice-versa, quando Júnior mudar de volta para Freddy.

Os quadrinhos por página devem ser seis ou sete, com mais vezes tendo seis do que sete. Em algum ponto da história pode haver uma página com poucos quadrinhos como 3 pra 5, permitindo espaço para uma grande sequência, reservada para o clímax de alguma cena ou ação.

Arte: Marc Raboy
Arte: Marc Raboy

Nos títulos, diminua o nome para Cap. Marvel Jr. para economizar espaço. Ele não deve ser chamado Marvel Jr. ou Júnior; entretanto, é claro ele pode ser referido como uma “forma azul voadora” ou “o poderoso garoto de azul” e termos indiretos assim para variar. E uma vez em toda história, um balão deve dizer o seguinte “… e então o Garoto Mais Sensacional do Mundo pulou e…” (Marvel Jr. é o Garoto Mais Sensacional do Mundo, assim como o Capitão Marvel é o Mortal Mais Poderoso do Mundo).

Tem de haver pelo menos três partes de ação em cada história. Elas devem ser construídas com antecipação.

Variedade é importante. As histórias podem às vezes lidar com nazistas e bandidos (intriga internacional), particularmente neste momento histórico.

Arte: Marc Raboy
Arte: Marc Raboy

E por hoje é só, leitor! Em breve publicaremos a terceira e última parte! Até a próxima!

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