[#Review] A Entediante Família de Morte Crens, de Gustavo Borges

Gustavo Borges é um dos mais conhecidos ilustradores e quadrinistas de Porto Alegre. Atualmente publica três tiras de forma independente na internet: Edgar, uma webcomic científica; a tira diária de tema livre 30 minutos; e ainda A Entendiante Vida de Morte Crens, que começou em 2012.

Além disso, ele já lançou A Entediante Vida de Morte Crens (2013) e Edgar: Em Busca da Força dos Ventos (2014) em formato encadernado, além da história Pétalas (2015), feito em parceria com a colorista Cris Peter. No último mês de agosto, lançou, na ComicConRS 2016, o livro A Entediante Família de Morte Crens, uma coletânea de tiras inéditas, que inclui uma história longa de 26 páginas e a participação de quadrinistas convidados.

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Com prefácio de Vitor Cafaggi, a obra tem na folha de rosto um quadro com um espaço especial para o autógrafo do autor, o que emoldura a dedicatória no design da página em vez de relegá-lo a uma folha de rosto ou um espaço aleatório que restaria vazio.

Na trama, somos apresentados aos irmãos do protagonista: Peste, Guerra e Fome. A história se desenrola em 26 páginas recheadas de humor e reflexões sobre a família e Vida  – literalmente falando, porque, mais que um aspecto, ela é outra personagem. A dualidade entre Vida e Morte (no caso, Crens) é abordada de forma sutil e interessante, já que esta representação do final da vida é mais ranzinza, como, por exemplo, o Puro-Osso, do desenho animado As Terríveis Aventuras de Billy e Mandy.

Ao final da obra, o autor convida Matias Streb para retratar os 3 irmãos de Morte e também faz um retrato do protagonista em sua poltrona (os chamados Retratos Apocalípticos). É uma forma interessante e rebuscada de abordar esses conceitos, que são em si antigos, datados do livro bíblico do Apocalipse de São João. Apesar disso, o próprio Morte parece bem mais velho do que aparenta na arte do próprio Gustavo. Seria a iluminação?

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A figura da morte é retratada em Crens como sendo uma condição de existência, pois é isso que nos resta ao fim desse plano. Um fato, o que em si equilibra o humor e as tiradas mais filosóficas da obra, que manteve o seu tom em relação à obra anterior de Borges (A Entediande Vida de Morte Crens), evoluindo através do tempo. As tiradas do personagem divertem, fazem refletir e também retratam momentos rotineiros da nossa vida terrena. Morte é “gente como a gente”, tornando-o um personagem forte.

É possível ver também como a arte de Gustavo continua evoluindo. Isso fica mais evidente na arte-final e nas cores, que estão mais variadas dentro da obra. O autor explora colocações e combinações que, se não sempre, quase sempre dão bom resultado.

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O livro, que reúne tiras inéditas – lembrando que já existem mais de 100 publicadas no blog do autor – e uma história completa, soma a esse conjunto e envolve o leitor.

Organizado de forma simples e direta, o retorno de Crens em páginas impressas, três anos depois da edição original do personagem, veio em boa hora. Recomenda-se a apreciação de como a morte é divertida. Pois até mesmo uma caveira pode nos ensinar muita coisa.

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