[Review] Civil War II #5, de Bendis e Marquez

Na edição número quatro de Civil War II, Brian Michael Bendis e David Marquez prepararam o terreno para aquilo que o povo gosta: conflito. Portanto, nesta edição de número cinco, chegamos finalmente ao momento mais objetivo da história. Herói contra herói. Marretas encantadas, fluido de teia, rajadas energéticas, tiro, porrada, bomba e muito tabefe voando pra todos os lados no momento em que a maior saga da Marvel em 2016 mostra as duas facções de super-heróis chegando às vias de fato.

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A quinta edição do evento nos convida a esquecer momentaneamente os debates filosóficos sobre prevenção de tragédias proposto nos números anteriores (leia aqui as resenhas de #0, #1#2, #3 e #4) e mergulhar em combates descerebrados entre os maiores ícones do universo Marvel. Todo o fluxo de leitura e diálogos em Civil War #5 dá benefício à ação super-heroica clássica. Tirando passagens curtíssimas mostrando heróis e personagens não envolvidos diretamente na batalha principal, o que vemos aqui são heróis lutando entre si sem tentar se justificar de forma muito extensa ou convincente (Peter Quill, por exemplo).

Logicamente, não há espaço na minissérie principal para justificativas específicas de cada um dos participantes deste embate. Então, quem lê somente a saga principal pode sentir que o “caldo” dramático fica extremamente ralo especificamente neste número, o que é perfeitamente natural.

Com uma edição relativamente estática, Bendis se vê livre de chicanas de roteiro usadas por sua premissa e pode mostrar sua habilidade com diálogos puros. Isto se dá com certas doses de humor e drama em diálogos e cenas nas quais dois ou três personagens se enfrentam (mesmo que a contragosto por conta das circunstâncias). Ao final temos mais um gancho proposto relacionando o poder de Ulysses a uma das figuras mais queridas deste novo universo Marvel. Algo que já impacta imediatamente a vida do personagem daqui para frente.

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Se aqui Brian Bendis fez uma edição com um roteiro um pouco mais simples de se trabalhar, não podemos dizer o mesmo de David Marquez. Civil War II #5 é a edição mais complicada para o ilustrador até o momento. A quantidade de personagens, a alternância de foco entre o elenco no fluxo de leitura, o cenário de batalha povoado e caótico e o direcionamento voltado para ação fazem desta edição uma armadilha perfeita para um desenhista menos cuidadoso. Marquez consegue equilibrar a sobriedade para mostrar cenas de ação inteligíveis e com a dose certa de impacto visual (por vezes se valendo de técnicas clássicas de diagramação em cenas de ação), o equilíbrio para mostrar as expressões corporais e faciais em close-ups mais dramáticos e a pegada visual épica para fechar a edição com um gancho que pode parecer até gratuito no que tange roteiro, mas que é visualmente impecável em se tratando de arte.

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De uma forma ou de outra, Civil War II #5 é aquela edição que qualquer leitor de quadrinhos já estava esperando há algum tempo. O conflito entre as duas facções de heróis da editora é a premissa básica da saga proposta. Portanto, é natural uma edição dedicada a uma grandiosa cena de batalha. Aqui, Bendis faz a jogada de segurança, mistura humor ao drama trágico de “irmão contra irmão” e, pelos olhos de Ulysses vemos mais uma vítima da paranoia gerada por um poder de previsão de eventos futuros. A arte de Marquez engrandece bastante um roteiro bem raso e direto.

É louvável o capricho do artista com cada um dos personagens que toca neste imenso elenco e ele, o ilustrador, é o destaque nesta edição. Um gancho interessante repercute de maneira abrupta na carreira de um novo ícone da Marvel, no entanto a saga em si chega a um ponto em que não há muito mais o que mostrar ao leitor em termos de embate ideológico e físico entre seus integrantes. Portanto, salvo algum novo evento a se desenrolar nas edições vindouras, a tendência é repetição de artifícios narrativos já mostrados nas edições anteriores.

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