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[Jab] Generation Zero, de Van Lente e Portela

Escrito por Igor Tavares

Assim como nas demais editoras, o segundo semestre na Valiant Entertainment está recheado de novidades e estreias de novos títulos, modificando bastante o panorama editorial da empresa. Encabeçando esta nova leva, tivemos a estreia do título-solo da “namoradinha da Valiant”, Faith (já resenhado aqui) e agora a editora avança para a sua segunda estreia no segundo semestre de 2016 na forma desta Generation Zero.

Generation Zero retorna a temas introduzidos no início de Harbingerde Joshua Dysart, para contar a história dos adolescentes psióticos vítimas do Projeto Espíritos Ascendentes – organização criminosa que cometia atrocidades com crianças com intuito de ativar seus poderes psíquicos latentes. Ao final da saga As Guerras Harbinger, estes jovens e crianças se viram livres das garras da organização, mas não houve continuidade em suas histórias. Agora, o autor Fred Van Lente e o ilustrador Francis Portela finalmente retomam esta linha narrativa, em um quadrinho de ficção e drama adolescente.

Generation Zero-1

Ao contrário do que se possa imaginar, Generation Zero não é uma história produzida exclusivamente para os fãs de Harbinger. Intencionalmente, 90% desta edição de estreia é protagonizada por uma personagem inteiramente nova criada por Van Lente para este arco inicial. Keisha Sherman, jovem estudante da cidade de Rook, no estado estadunidense de Michigan, busca ajuda do Generation Zero – agora atuando como uma organização humanitária alternativa às autoridades convencionais. Keisha, aqui, é muito mais que uma personagem “escada” para a equipe adolescente, ela na verdade é a própria história, enquanto o Generation Zero rapidamente torna-se coadjuvante.

Fazendo esta edição uma espécie de “primeiro contato” do público e personagem com o tema dos psióticos, Van Lente torna a leitura muito amistosa para novos leitores. No entanto, o que sobra de desenvolvimento e caracterização, falta em ação. Generation Zero não é um festival de lutas com superpoderes e, sim, um início de arco com toques de ficção e suspense adolescente, bastante inspirado em seriados de ficção científica e em quadrinhos com contexto escolar. Os diálogos e caixas de texto da protagonista falam diretamente com o público mais jovem, o que não quer dizer que o leitor com uma faixa etária mais avançada não consiga apreciar o material; todavia, nota-se um esforço honesto do autor para agradar certo nicho de mercado.

Generation Zero - 2

Francis Portela já se consolidou como um ilustrador extremamente consistente e versátil. Seja desenhando situações bastante mundanas em cenários futuristas ou cenas com propostas mais surrealistas, o artista consegue manter o roteiro inteligível através de uma apresentação limpa, enquadramentos impactantes e caracterização bem diversificada de elenco. Portela vem se especializando nos últimos tempos em expressões, faciais e corporais, em diálogos, portanto o destaque da arte vai para os closes nos personagens do título.

Generation Zero - 3

Generation Zero não tem um gancho inescapável, uma arte arrebatadora ou sequências de ação megalomaníacas logo nas primeiras páginas, nem personagens maiores que a vida que conquistam o público na primeira leitura. O intuito de Van Lente e Portela, aqui, é outro. Com um roteiro intimista, ritmo cadenciado e uma apresentação consistente e sóbria, os autores estabelecem alicerces para uma trama que crescerá junto com seu jovem elenco. Tudo é novo e tem um clima de descoberta. Podemos não estar diante de uma edição de estreia das mais memoráveis dos quadrinhos, mas, sim, do início de um trabalho que tem qualidade e originalidade suficiente para conquistar um novo nicho de leitores para o universo Valiant.