Autores falam sobre O Despertar de Cthulhu

O Despertar de Cthulhu já está à venda. O livro de 168 páginas, editado pela Draco, traz aos quadrinhos oito histórias que conversam diretamente com a obra de H.P. Lovecraft e/ou a sua criação mais famosa, na forma da entidade cósmica que está no título. A lista de autores e histórias você confere aqui.

Despertar é uma espécie de sequência de O Rei Amarelo em Quadrinhos, que também tratava de terror, e também da coletânea Mistérios do Mal, de Carlos Orsi – ambos publicados pela mesma editora. A intenção é aproveitar o sucesso e basear-se, agora, naquele que é o mais conhecido autor do gênero na Literatura do século XX, principalmente por criar a figura do cósmico Cthulhu.

O Terra Zero conversou com alguns dos roteiristas, artistas e autores participantes de O Despertar de Cthulhu sobre o trabalho conjugado de diversas histórias e a influência de Lovecraft. Confira:

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Terra Zero: Participar de coletâneas, além da contribuição, leva a pensar em como o seu trabalho conversa com outros quando o livro todo fica pronto?

Fabrício Bohrer (artista de Macio): Sim, eu acredito que quando o livro esta fechado e pronto para ser lido, a gente tem essa visão do todo, a nossa contribuição passa a ter um sentido mais próximo da proposta. Durante a produção, é difícil ter essa noção de unidade do trabalho, mas instiga muito a descobrir a linha que irá unificar o projeto.

LuCas Chewie (artista da Os Tambores de Azathoth): Sim, certamente! Mas se for feito ao acaso, também há o risco de se tornar uma colcha de retalhos. Tive duas experiências bem sucedidas nesse sentido. Na primeira o trabalho foi feito com muita conversa entre o roteirista e os artistas envolvidos, então o projeto foi moldado desde o princípio focado e ocupado em fazer essa conversa entre as histórias acontecer. Na segunda esse diálogo, ao meu ver, foi o resultado da escolha do tema, da seleção dos roteiro se dos artistas e um cuidadoso acompanhamento do editor durante a feitura das histórias. É importante ter alguém com essa visão geral e abrangente da publicação. Estou indo para a terceira experiência agora e, conhecendo o trabalho da editora Draco, só posso esperar o melhor.

Caiuã Araújo (roteirista de Sob a Insana Luz): Uma das melhores coisas em participar de um projeto assim é ver ao final como cada história abordará o tema. Cada uma traz uma visão particular do universo de Lovecraft e juntas formam um mosaico bastante interessante de se analisar. Isto faz parte da diversão, sem dúvida.

Qual é a relação com a obra e os temas de H. P. Lovecraft na sua vida?

Dudu Torres (autor de O Salmo do Sangue Antigo): Sempre fui um ávido consumidor de quadrinhos de terror. Me eduquei lendo e relendo as maravilhosas edições das revistas Calafrio, Mestres do Terror e Contos da Cripta, da coleção do meu pai. Pesquisando sobre os temas é inevitável se deparar com Lovecraft, cedo ou tarde. Acho sensacional a grandeza com a qual ele delineia suas criaturas. Elas são dotadas de poder incomparável, e na escala do cosmos o homem ainda é uma formiga perante essas divindades. É interessante ver o apocalipse humano nesses confrontos com o desconhecido e o que o ele é capaz ou não de fazer, pra evitar ou se juntar a essa destruição. Mas ainda assim, talvez por conta do Lovecraft acabo sempre torcendo pro monstro no final.

Antonio Tadeu Ferreira (roteirista de Os Tambores de Azathoth): Pessoalmente eu pensava um pouco como o Lovecraft desde que era criança, antes de conhecer o autor. Digo, as bestas cósmicas dos Mythos são uma forma de se questionar o egocentrismo humano no universo, bem como oferecendo como resposta que não somos nada demais para o cosmos. Penso nisso não como uma definição absoluta do que somos, mas mais de um lembrete para permanecermos humildes como seres únicos nesse espaço desconhecido e, quem sabe, não nos tornemos mais que simples poeira baseada em carbono flutuando numa rocha ao redor do sol? No mais, eu realmente admiro ele, apesar de não ter sido o mais denotado escritor da sua época, ou seu trabalho o mais bem visto, com o passar do tempo sua visão única permaneceu bem depois da sua morte e fica de lição pra quem quiser fazer único e próprio e pensar em desistir por conta disso, para que se arrisque que pode ter mais valor do que se pensa! É só o que acho a respeito…

Jun Sugiyama (roteirista de O Caso da Truta Salmonada): O universo relatado por Lovecraft me faz pensar na exploração do medo e do terror manifesto nas crenças mais antigas da humanidade, trazendo consequências invisíveis no nosso cotidiano, que vão se acumulando no canto mais obscuro de nossa psique como partículas de mercúrio em nosso cérebro, com uma única finalidade: nos levar a insanidade. E é por isso que leio o horóscopo.

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