[#Pitaco] Esquadrão Suicida representa. De verdade

Quarta-feira assisti a Esquadrão Suicida. Já quero dizer de cara que gostei do filme, mas também entendi porque a crítica não gostou. O roteiro é falho em termos de resolução e motivação, sendo desenvolvido de forma superficial, tanto no momento da escalação do time quanto em escolhas que alguns membros fazem. A tonalidade muda abruptamente e a edição é esquisita em vários momentos. Quando se analisa um filme, todos os aspectos precisam ser levados em conta. Logo, é natural que boa parte da crítica não tenha engolido a soma de todos esses problemas.

A outra face desta moeda é o elenco. Se o filme tem falhas estruturais, o elenco, por outro lado, matou a pau. Todos abraçaram sem medo seus personagens e foram fiéis a eles até o fim. Mas o mais legal disso tudo não é ver como atores renomados estão se divertindo fazendo alguns de nossos vilões favoritos, mas ver como, apesar de todos os problemas que a produção teve, mensagens extremamente importantes foram passadas da maneira correta.

Pôster promocional de "Esquadrão Suicida". Foto divulgação.
Cartaz promocional de “Esquadrão Suicida”. Foto: divulgação.

Hierarquicamente, Rick Flag (Joel Kinnaman) é o líder de operação do Esquadrão Suicida. Mas isso não importa muito quando se tem Amanda Waller acima deste homem. Nos quadrinhos, os fãs da DC sabem muito bem da capacidade da personagem. Criada por John Ostrander e Len Wein nos anos 1980, Waller é uma líder como nenhuma outra no Universo DC, com influência política e militar suficientes para fazer até o presidente dos Estados Unidos tremer. Isso é mostrado perfeitamente no filme, com grande atuação de Viola Davis. Ela colocou na tela os elementos que fazem de Amanda Waller uma personagem tão amedrontável e charmosa. Seu trabalho foi elogiado pessoalmente pelo próprio Ostrander na primeira exibição do longa, que contou com todo o elenco e vários profissionais da DC.

Falando sem spoilers, há uma cena em que Rick Flag vai passar uma mensagem para o Esquadrão. “Beware the voice of God“, ele diz, e em seguida o rosto de Waller aparece no tablet trazido por ele. Depois de dar um recado nada sutil (ou agradável) para o time, Waller é elogiada pelo Pistoleiro (Will Smith). “Esse foi um discurso motivacional de verdade”, diz o personagem a Flag, brincando sobre uma conversa anterior entre eles. E ele está certo. A superioridade de Waller perante qualquer comandante militar mostrado no filme é impressionante. Ela tem todos nas mãos, e até quando precisa pedir algo não planejado para seus “subordinados”, Waller sabe manipulá-los de forma correta. E todo esse destaque foi dado a uma mulher negra, uma raridade no gênero.

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Além disso, falar de Will Smith é importantíssimo para ressaltar as mensagens do filme. Todos sabiam que seu personagem teria muito destaque na trama, dado o tamanho da carreira do ator. Smith dificilmente teria topado ser Floyd Lawton se não fosse para aparecer na maior parte do longa. Isso é ótimo por diversas razões. Smith, também negro, roubou a cena onde apareceu. O estilo super-heroico é recheado de personagens brancos, principalmente nos últimos filmes de Marvel e DC em que universos compartilhados estão sendo construídos. O ator quebra essa regra conservadora e coloca Rick Flag de lado, tornando-se o verdadeiro cabeça do grupo.

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Ainda que seja um vilão, o Pistoleiro é o personagem mais humano do time, mais até que Rick Flag, um típico “militar-dedicado-quase-psicopata”. Isso não o torna inocente, mas estabelece que o personagem mais empático de um filme rodeado de brancos é um negro. Coisas assim naturalmente aconteceriam, dada a popularidade de Will Smith, mas não deixa de ser curioso que um filme recheado de problemas tenha mantido a preocupação íntegra com a representatividade.

El Diablo é um outro exemplo interessantíssimo. De origem latina, o personagem e seus colegas negros atraíram um público muito diversificado para ver o filme. Segundo levantamento do PostTrack, 41% do público estadunidense que viu o filme era formado por negros e latinos. E as coisas não param por aí, já que temos também a Arlequina.

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O filme falhou em mostrar a relação abusiva que existe entre ela e o Coringa – na verdade, isso ficou até um pouco romantizado, o que foi decepcionante –, mas acertou em colocá-la em primeiro plano quando o time entrava em ação. A personagem é fundamental para a trama e quase ninguém na equipe cumpriria a missão sem ela e o Pistoleiro. A química entre os dois é muito boa e, somando isso às presenças respectivamente forte e relutante de Waller e El Diabo, o filme gira em torno de dois negros, duas mulheres e um latino. Como se isso não fosse o bastante, a principal a antagonista é uma mulher, criando um núcleo sem igual – porém muito necessário – nos filmes de super-heróis.

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Se você ainda não viu o filme, é difícil dizer o quanto pode ou não gostar dele. O Terra Zeropublicou uma crítica e um podcast a respeito dele. Há muitos defeitos para que o longa seja curtido sem ressalvas, assim como é impossível prever se ele terá uma sequência. De qualquer forma, o esforço merece aplausos. Que esse seja um movimento de mudanças permanente.

  • Ultra OLIMPÍADISTA!

    MORÇA GOSTOU?!
    AÍ SIM FOMOS SURPREENDIDOS NOVAMENTE…!

  • Doncas Murro

    E o pior personagem do filme é homem, é branco e estava pintado de branco.

  • Importante lembrar do Amarra, o representante indígena, que bombou durante o filme!

    • Findman

      HUAHUAHUHAHUAHUAHUAHUAHAUAHUAHUHAHA

  • Findman

    Não adianta porra nenhuma isso tudo se o filme for ruim.

  • José Ricardo Freitas

    É pensando por esse lado o filme tem vários personagens legais, só faltou uma ação elaborada e ter no ato final mas coerência . Ficou uma sensação que podia ter terminado melhor. !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  • Rob Latinfield

    Vou dar uma de advogado do diabo. Eu gostei do filme, como muitos, nem conhecia sobre o esquadrão (assim como os guardiões) então nunca criei uma expectativa alta sobre o filme, ainda mais depois de BvS. Mas o filme me divertiu e eu também gostei do coringa!!!

  • Da Roça

    Não é porque o filme tem seus defeitos que você não possa divertir assistindo. Lançando um olhar crítico, e analisando tecnicamente tanto BvS quanto Esquadrão Suicida, os filmes tem problemas. E não são problemas que dá pra ignorar. Porém, ainda sim eu me divertir assistindo aos dois e gostei de ambos. A questão, é que os problemas tanto de roteiro, quanto de edição e montagem de ambos te causa aquela sensação de que todo o potencial dos filmes não foi bem explorado.

  • Card

    Que forçada de barra.

    Eu acho impossível que o cara releia o que escreveu e não sinta vergonha.

    • José Ricardo Freitas

      Ele escreveu que o filme é maravilhoso ? Não, só falou da sua representatividade. !!!!!!!!!!!!!

      • Card

        Eu te perguntei alguma coisa?

        • José Ricardo Freitas

          Interpretação de texto mandou lembrança !!!!!!!!!!!!!!!!!!!