[#Jab] The Flintstones #1, de Mark Russell e Steve Pugh

Quem diria que os Flintstones iriam ganhar um quadrinho mensal pela DC Comics? A animação criada por William Hanna e Joseph Barbera em 1960 foi um sucesso absoluto. Tanto que ela resultou em outras versões animadas e até live action com o passar dos anos. Tudo isso aconteceu graças à sua forma irreverente de parodiar, explorar e até criticar os problemas da modernidade situando-os na Idade da Pedra. A coisa deu tão certo que os Flintstones foram o desenho animado mais bem sucedido da história até o surgimento dos Simpsons.

Se você conhece um pouco dos Flintstones, devem se lembrar que toda sua história se passa na cidadezinha de Bedrock. Lá, todos vivem em uma sociedade muito semelhante à moderna, o que facilita as várias críticas que o desenho faz à modernidade. Aliás, nesta versão fantástica da realidade os dinossauros e vários outros animais hoje extintos convivem harmoniosamente com os humanos. Estes, por sua vez, trabalham em diversos tipos de emprego, ouvem música, têm indústrias etc. Tudo como no mundo moderno. O desafio do novo quadrinho, portanto, era fazer com quem a sociedade dos Flintstones conseguisse representar corretamente um pastiche da humanidade no século 21. E ele conseguiu.

Capa de Flintstones #1. Arte de Steve Pugh.
Capa de Flintstones #1. Arte de Steve Pugh.

Na verdade, a HQ de Mark Russell, Steve Pugh e Chris Chuckry consegue superar as expectativas e exemplifica – muitas vezes de forma irônica ou sarcástica – males que nós vivemos nas nossas vidas aplicados à realidade de Bedrock. A compreensão disso tudo exige uma sensibilidade grande por parte do leitor, que deve se esforçar para sacar as analogias e críticas feitas pelo quadrinho. Ou seja, além de oferecer uma história modernizada e interessantíssima do casal Fred e Wilma, o trabalho de Russell, Pugh e Chuckry oferece doses adequadas de reflexão.

Tudo começa no presente, com um Neanderthal sendo visto pelas pessoas em um museu. A curadora explica que aquele ser viveu numa sociedade extinta chamada Bedrock e faz uma série de conjecturas erradas sobre a realidade de outrora. Transportado para o passado, o leitor conhece Fred Flintstone, sua família, seus amigos e seus colegas de trabalho, apenas para sentir um martelo de realidade batendo forte em sua cabeça. A brutal honestidade com que essa cômica sociedade é apresentada faz o leitor sentir simpatia e até pena daqueles personagens. Por outro lado, o quarteto amigos (Fred, Wilma, Betty e Barney) dão um pouco de esperança para um mundo em que há abusos de animais, trabalho em regime de semiescravidão e obsessão pela estética.

Vendo assim parece que a humanidade não melhorou muito. Mas a história dos Flintstones sim, e os quadrinistas responsáveis por isso tiveram todo o cuidado de colocarem um excelente produto à venda.

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