[Jab] Faith #1, de Jody Houser, Pere Perez e Marguerite Sauvage

Faith Herbert, a psiótica nerd reimaginada para este novo universo Valiant pelo autor Joshua Dysart nas páginas de Harbinger, é um verdadeiro fenômeno cultural e uma força transformadora em prol da representatividade em uma mídia que vem se adaptando a seu público cada vez mais rápido. Após sua estreia no quadrinho protagonizado por Peter Stanchek, uma passagem rápida e marcante pela equipe Unity e sua arrasadora mini-série solo, (um dos maiores sucessos da Valiant desde sua reformulação e um verdadeiro marco para personagens femininas em quadrinhos) a jovem heroína ganhou sua primeira revista mensal com o título Faith. E se Zephyr (Zéfiro, nome heroico pelo qual Faith atende) tem uma casa em terras tupiniquins, ela definitivamente é aqui no Terra Zerofomos o primeiro veículo especializado em quadrinhos nacional a entrevistar a autora do título.

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Por estes motivos, nada mais natural do que resenhar a estreia da personagem em seu primeira publicação solo mensal. O editorial da Valiant evita mexer em time que está ganhando; portanto, para esta revista, foi mantida a autora Jody Houser a cargo dos roteiros, e a ilustradora Marguerite Sauvage como ilustradora das sequências mostrando os sonhos da personagem. A única mudança de fato na equipe criativa foi a chegada do ilustrador Pere Perez (Archer & Armstrong) para os desenhos da maior parte da publicação.

Em termos de roteiro, Faith #1 é uma história de apresentação da personagem para novos leitores. Por conta disso, a leitura de qualquer material prévio relacionado à heroína torna-se imediatamente desnecessária. A forma como a heroína nos é mostrada é clara e bastante completa, um mérito de Houser – seja através das caixas de textos curtas e certeiras, os diálogos de ambientação ou mesmo os flashbacks mostrados no início da leitura. Por outro lado, o excesso de exposição de backstory acaba tornando a leitura levemente arrastada para os velhos conhecidos de Faith. Isso se resolve do meio para o fim da edição, quando vemos que a vida continua difícil para a heroína na costa oeste dos Estados Unidos e principalmente com um gancho final bastante inesperado. Houser apresenta um novo inimigo para Faith de forma surpreendente e isso injeta bastante suspense e curiosidade na trama daqui para frente.

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O formato de roteiro de Houser é bastante linear e para quem não conhece, sua interpretação de Faith Herbert é recheada de referências à cultura nerd, principalmente aos super heróis e conteúdo de ficção. Os diálogos são mundanos, assim como as conversas entre amigos no mundo real e os sonhos e esperanças da personagem continuam sendo os destaques da história – estas sequências, recheadas de bom humor, quebram pontualmente a sequência do roteiro, humanizam a personagem e nos levam a sonhar acordado com a heroína.

O trabalho de arte na estreia de Faith é um casamento perfeito entre o bom gosto, sobriedade e sensibilidade artística. Nas sequências no mundo real Pere Perez é uma baita âncora, segurando o roteiro com rédeas fotográficas muito consistentes e caracterizando a protagonista e o restante do elenco de forma muito consistente. Nas partes em que Faith está sonhando, Marguerite Sauvage assume o controle e transforma a revista em um quadrinho quase que indie. A caracterização de Sauvage transforma a leitura em um sonho de maneira tão suave e natural que mesmo com seu estilo diametralmente oposto a Perez tudo se torna homogêneo. Uma combinação de arte das mais fortuitas dos quadrinhos atualmente.

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Faith #1 é uma estreia dedicada aos novos leitores da personagem. Um verdadeiro convite de Jody Houser, Pere Perez e Marguerite Sauvage ao universo de Zephyr. O ótimo padrão de roteiro mostrado na mini série homônima que deu origem a esta revista é mantido, uma nova ameaça é introduzida de forma inesperada e aqui somos relembrados que a vida de super herói não é nada fácil no mundo real. Tudo isso feito com uma apresentação das mais consistentes e belas em gibis de heroínas na atualidade. Faith já é uma estrela. A Valiant entende isso e com esta estreia a intenção é aumentar o alcance da franquia. Este aqui é somente mais um passo para tornar uma personagem extremamente relevante para nossa cultura pop ainda mais importante.

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