[Jab] Conan, The Slayer #1, de Cullen Bunn e Sergio Dávila

A mitologia criada por Robert E. Howard na década de 1930 sempre foi uma fonte de confiável de premissas e tramas de ação e fantasia pulp, seja nos quadrinhos, filmes e até inspirando produtos para o formato televisivo. Não é de hoje que as aventuras do Cimério de Bronze e o elenco de desafortunados que ousam cruzar seu caminho povoam o imaginário popular e pintam de sangue e vísceras os anais da cultura pop. Neste último mês de julho, a atual detentora oficial dos direitos sobre as criações de Howard, a Dark Horse Comics, começou a publicar o terceiro volume de sua mitologia Hiboriana (o primeiro sendo Conan, The Barbarian de Brian Wood; e o segundo, Conan, The Avenger, de Fred Van Lente) na forma de Conan, The Slayer, do roteirista Cullen Bunn (Sinestro, Mercs for Money) e com ilustrações de Sergio Dávila (Swords of Sorrow).

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A primeira edição de The Slayer tem uma premissa extremamente simples: Conan vaga pelo deserto com ferimentos graves enquanto é perseguido por caçadores de recompensa. Essa perseguição é o catalisador para as sequências de ação e leva o protagonista a uma aldeia na qual o roteiro ganha tons levemente dramáticos. O texto de Bunn emula muito do formato de apresentação clássico de Howard. As caixas em terceira pessoa seguem o diapasão estabelecido por autores clássicos de Conan como Roy Thomas e Gerry Conway, misturando drama reflexivo no subtexto com uma linguagem levemente rebuscada e a aspereza e hostilidade característica da Hiperborea nos diálogos e cenas de ação. Portanto, não temos aqui nenhuma novidade em termos de Conan. The Slayer não veio para inovar em questão de formato e nem em sua premissa inicial, mas sim saciar a sede de leitores ávidos por este tipo de história mais clássica.

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Em Conan, The Slayer, Sérgio Dávila faz um trabalho bastante consistente em caracterização e ambientação do elenco e universo de Howard. Em quadros largos com posicionamento confortável, fotografia precisa e a dose certa de violência visual, o ilustrador se encaixa perfeitamente com a proposta mais tradicional do formato de roteiro proposto por Cullen Bunn. O trabalho de Dávila, assim como todo o formato da publicação, não inova e não surpreende, mas está longe de decepcionar quem estiver disposto a desfrutar uma boa história de fantasia medieval violenta em quadrinhos.

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O editorial da Dark Horse faz a jogada de segurança ao trocar a equipe criativa no lançamento de Conan, The Slayer. Este não é o quadrinho que vai revolucionar a maneira como encaramos o Cimério de Bronze. No entanto, o público alvo do título não espera inovação alguma quando gasta seu dinheiro com este tipo de publicação. Com um roteiro bastante manjado, mas consistente e uma arte que valoriza e celebra o clima da era Hiboriana, este pode não ser o quadrinho ideal para todo tipo de leitor, mas certamente não irá decepcionar quem já é fã da franquia.

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