[Jab] 4001 AD: War Mother #1

4001 AD é a mais recente saga em formato de minissérie limitada no universo Valiant. Em pleno século 41, testemunhamos um conflito em larga escala entre o guerreiro sintético Rai, liderando seu bando de aliados, e as forças do continente flutuante conhecido como Novo Japão – literalmente uma ilha inteira orbitando ao redor do planeta Terra, controlada pela inteligência artificial conhecida como Pai. Mas, enquanto o conflito no espaço se agrava cada vez mais, o que estariam fazendo os habitantes do planeta Terra? Em 4001 AD: War Mother #1 – edição única que faz tie-in com a saga principal, Fred Van Lente e Tomas Giorello nos apresentam Ana, uma mãe de família habitante de um assentamento chamado Alameda. Em meio a uma selvagem América do Sul, Ana tem uma função muito específica neste contexto que habita: se aventurar fora da segurança da Alameda e obter recursos vitais para a sobrevivência de toda uma comunidade.

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O texto de Van Lente é extremamente eficaz, apresentando todo um micro-conceito social enquanto desenvolve esta nova personagem. A exposição existe, mas é natural e minimalista e feita através das interações entre os personagens. O escritor usa a inteligência artificial (Batizada de Flaco) acoplada ao rifle de precisão da heroína como espectador que explora este mundo perigoso de forma fluida, ao mesmo tempo em que nos conta uma história sobre insubordinação ao sistema e liberdade. Em momento algum Van Lente prega qualquer tipo de mensagem demagoga. Ana segue seu coração. Independente da orientação política do leitor, é impossível não simpatizar com a causa da personagem ao final da história. Quanto a concepção deste universo, ela não é nem um pouco original, mas segue o fluxo de ideias estabelecidas através da mitologia do título Rai. Desta maneira, não há tanta liberdade para o autor desta edição criar algo muito inovador em termos de contexto geral.

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Ambientação é tudo em obras retratando futuros fictícios. Em 4001 AD: War Mother, o artista Tomas Giorello tem uma tarefa extremamente complicada: Mostrar o quanto este futuro da Terra é hostil e selvagem, apresentar conceitos de ficção um pouco complexos e dar uma estreia digna a uma personagem com uma proposta bastante progressista. Giorello, dentro de seu estilo extremamente sombreado, atinge um equilíbrio entre a quantidade de informação necessária para a imersão na história e objetividade nos quadros. A combinação do uso de técnicas de sombreamento de Giorello com a colorização elegante de Brian Reber deixa o visual da revista nítido. As páginas aqui tem o impacto visual na medida certa deixando a apresentação de Ana e deste novo mundo classudas e com cara de edição de estreia. Visualmente, War Mother é uma das personagens mais casca-grossa dos quadrinhos em 2016. A mulher, mesmo sem poder algum, é de uma presença magnânima, e os traços de sua ascendência latina podem ser sentidos de forma bem visível graças aos esforços desta equipe de artistas.

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4001 AD: War Mother #1 é uma empolgante apresentação de uma personagem que cativa quase imediatamente em um mundo que provavelmente vai parecer bastante comum para os leitores mais calejados de ficção futurista. Fred Van Lente usa as ferramentas fornecidas pela mitologia de Rai da melhor forma possível e nos conta uma história curta e objetiva sobre os poderes do Estado e o papel do indivíduo. Em termos de apresentação, a revista não fica devendo em nada para grandes estreias de personagens femininas nos quadrinhos modernos.

Com uma combinação de bom gosto e visão progressista, temos aqui um belo cartão de visitas de mais uma personagem feminina no universo Valiant que tem tudo para se tornar um ícone dos quadrinhos modernos.

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