[#Jab] Briggs Land #1, de Wood e Chater

A Dark Horse lançou ontem o primeiro número da série mensal Briggs Land, de Brian WoodMack Chater, com cores de Lee Loughridge e capas de Tula Lotay. A história é um drama policial centrado na maior e mais secreta família secessionista dos Estados Unidos. Briggs Land também está sendo desenvolvida como uma série de TV pelo canal AMC.

Secessionar é sair de um grupo maior, muitas vezes político, em função de desacordos quaisquer. Comunidades secessionistas são comuns nos Estados Unidos. São geralmente rurais, e por lá vivem grupos de pessoas, não raro formados por vários braços de uma única família, que praticam meios alternativos de sobrevivência. Ou pelo menos é o que pregam. Estes lugares têm regras próprias e não aceitam o governo central estadunidense como controladores de suas vidas.

Terry Nichols e Timothy McVeigh explodiram um prédio federal em Oklahoma em um ataque terrorista com propósito de secessão.
Terry Nichols e Timothy McVeigh explodiram um prédio federal em Oklahoma em um ataque terrorista com propósito de secessão.

Atualmente, existem também secessionistas militares, formadas por muitos veteranos das guerras no Oriente Médio, que controlam por conta própria regiões de fronteira como áreas de confrontação com o México. Estes grupos, mesmo os não militares, são fortemente armados e é comum acontecerem atentados dentro dos Estados Unidos atribuídos a secessionistas. Entre os exemplos mais famosos estão Ted Kaczynski, o Unabomber, e a explosão de um prédio federal por Timothy McVeighTerry Nichols, no centro da cidade de Oklahoma, em abril de 1995.

O Brasil possui também alguns grupos análogos, porém, muito menos militarizados ou violentos. Os movimentos para a criação da República dos Pampas e a dissociação do Triângulo Mineiro (este não para se desprender do Brasil, mas para se tornar um estado separado de Minas Gerais) são dois exemplos clássicos.

Briggs Lasnd #1. Arte de Mack Chater e Lee Loughridge.
Briggs Lasnd #1. Arte de Mack Chater e Lee Loughridge.

Em Briggs Land #1 vemos o início da divisão dentro de família secessionista. Os Briggs são donos de uma área de pouco menos de 260 km², têm dinheiro e estão armados. A história começa com Grace Briggs (antes Grace Julia Earle) indo visitar o seu marido, Jim Briggs, na cadeia. Lá, ela o informa que Jim não é mais o dono dos Briggs. Ele está preso há muitos anos e ela não tem mais que seguir ordens de um homem condenado a ver o sol nascer quadrado para o resto da sua vida. Esta atitude cria uma série de desavenças dentro e fora da família. Já no estacionamento da prisão, Grace é informada por dois policiais que a atitude dela pode não ter sido a mais bem pensada. “Seu marido é um homem muito poderoso… você não deveria ser esquecer disso”, diz um dos guardas que a aborda.

Apesar de estar segura do que fez, Grace não poderia ter escolhido uma hora pior para assumir os negócios da família. Acontece que na cola dela e dos seus estão dois policiais federais, encarregados de investigar os Briggs e destruir o que a família criou. É por meio deste casal de agentes que descobrimos quem são os três filhos de Grace e Jim. O mais velho, Caleb, 34 anos, é o mais parecido com o pai. Anti-semita, partidário da supremacia branca, é o responsável por lavar o dinheiro e financiar a família. Ele não está do lado da mãe. Isaac é o caçula que acabou de voltar de sua segunda turnê no Afeganistão. Noah é o filho do meio e aquele que seria a criança problema numa família normal. Ele é o executor dos Briggs. Dizem que Noah estava com o pai quando este foi preso, se organizando para matar o então presidente Ronald Reagan. O filho tinha nove anos à época. O do meio é o responsável pela segurança da terra e por eliminar quem precisa ser eliminado. Quem decide os alvos é assunto para outra hora.

São os policiais que nos informam também que o que eles estão investigando são menos as operações financeiras ilegais e mais as acusações de terrorismo e de conspiração para assassinatos que parecem recair sobre os Briggs.

Briggs Lasnd #1. Arte de Mack Chater e Lee Loughridge.
Briggs Lasnd #1. Arte de Mack Chater e Lee Loughridge.

Acontece que Grace não quer saber de nada disso. Ela ainda acredita no ideal que a fez ajudar Jim a construir a comunidade: viver com meios próprios, longe das responsabilidades “oficiais”, tomando nada do governo federal e livre das amarras sociais. Sem toda a ganância, a violência, o racismo, o ódio… Infelizmente para ela, existe sim a ganância, existem terras e existem direitos de perfuração em jogo. Ou seja, o ideário de liberdade vai ter que esperar. Ou vai ter que lutar para existir.

Wood já tinha dito que Briggs Land é uma série que mistura as temáticas mais comuns com as quais ele vem trabalhando nos últimos anos: consciência social, argumentos politicamente carregados e elementos desconsertantes da cultura americana. O primeiro número da série, que o autor disponibilizou para resenhas de jornalistas há algumas semanas, mostra o começo da formação de uma tapeçaria que é, ao mesmo tempo, detalhada e ampla. Os personagens são intrigantes, a trama é complexa e o futuro da série parece promissor. Aqueles temas comuns da obra de Wood estão dispostos num arranjo cheio de tensão e angústia. A história é tensa, com atmosfera de que o inesperado por acontecer a qualquer momento porque o que está em jogo é a própria vida. Tanto a imaginada pelos personagens quanto aquela que eles de fato conseguiram construir. Os desenhos de Mack Chater e as cores de Lee Loughridge, talvez não por acaso, lembram um pouco o trabalho que Michael Lark está fazendo em Lazarus

Sobre a série de TV, Wood disse que ele e a AMC têm tentado trabalhar juntos há alguns anos e este projeto se mostrou como o mais viável para a parceria. Ainda não existe uma data para a estreia, mas Wood está escrevendo o episódio-piloto e será o principal roteirista também da versão televisiva.

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