[Pitaco] Stranger Things, Paper Girls e a volta dos anos 80

Quatro crianças de uma cidade pequena andam por aí com suas bikes até que coisas estranhas acontecem e elas são obrigadas a resolver o caso, no meio de muitas incógnitas que aparecem a cada episódio. Esta trama lhe parece familiar?

Goonies anos 80
Os Goonies… Eles estão entregando jornal? Ou indo para uma partida de RPG? Não, pera!

Paper Girls se trata do novo gibi de Brain K. Vaughan (Y – O Último Homem e Saga) e Cliff Chiang (Mulher-Maravilha dos Novos 52) para a Image e conta a história de quatro meninas entregadoras de jornal que se deparam com acontecimentos bizarros no bairro. Stranger Things é a mais nova série original da Netflix, que conta a aventura de três meninos e uma garota à procura do amigo perdido quando o mistério começa a rondar a cidade.

Não é só no argumento que as duas obras se parecem. Apesar de haver algumas diferenças : enquanto Stranger Things tem em seu enredo uma trama mais conspiratória e sobrenatural, Paper Girls pende para o lado tecnológico e científico, este último o que costura momentos específicos da série.

stranger-things-paper-girls

Stranger Things, ao fim da temporada, junta todos os elementos e encerra qualquer ponta solta que poderia ficar. Tal qual o roteiro da série, o quadrinho é muito bem escrito, com viradas, ação e momentos fofos, tendo todos os elementos muito bem dosados e sendo possível perceber seu entrelaçamento, mesmo não se compreendendo completamente o que se passa naquele mundo.

Na série audiovisual (nos dias de hoje, o que é o termo ‘televisivo’, mesmo?), em determinado ponto, é descoberto o chamado Mundo Invertido, que é uma dimensão maligna que reproduz o mundo real, só que escura, vazia e com monstros (similar ao conceito do jogo Silent Hill, mas claramente inspirada nos jogos de RPG, especificamente Dungeons & Dragons). Paper Girls já nos apresenta elementos de viagem no tempo, o que permite às protagonistas passarem por Cleveland, ambiente da narrativa, em momentos diferentes da linha do tempo.

Outro ponto em comum, e que chama a atenção de primeiro nas duas obras, é a ambientação oitentista. Em Stranger Things isso fica mais fácil de se percebido, devido a inúmeras referências, como produtos, roupas, imagens televisivas e músicas. Paper Girls também chama atenção pelo visual, mas o elemento referencial mais presente na obra é o grupo de crianças/adolescentes que precisam se unir para resolver um mistério.

Veludo Azul Kyle MacLacham anos 80
O mistério ao fim do primeiro número de Paper Girls não é igual ao da orelha encontrada por Jeffrey Beaumont no começo de Veludo Azul (1986)? Aliás, o ator Kyle MacLacham não é a fuça do Joe Keery, o Steve Henderson de Stranger Things?

O elemento mais bacana e comum entre as duas mídias é, de fato, o suspense. Nos dois, a cada resposta ganhamos mais duas perguntas. Porém, em Stranger Things por ter apenas oito episódios (nesta temporada), vemos a trama se desenrolando rapidamente. Já em Paper Girls, por se tratar de um quadrinhos regular e sem previsão de fim, a história avança conforme vai te dando respostas e mais mistérios.

Já pipocam teorias sobre Stranger Things na internet mundial. Uma delas é muito maneira e é brasileira: Lauro Kociuba e Daniel Lameira, há quatro dias, debatem um possível tema escondido na série criada pelos irmãos Duffer. Se está curioso, clique aqui. Se quiser espalhar para a gringa, eles fizeram uma versão em inglês do post. Já Paper Girls, para quem está ligado, é assunto antigo: além de já falarmos sobre isso no ano passado, o Los Angeles Times também já atentava, em dezembro, para a trama do roteirista de Lost. As jornaleiras e os jogadores de RPG parecem ter, pelo visto, muitos pontos em comum. Estamos apenas começando a arranhar as conexões possíveis. Mesmo porque, segundo o jornalista Alexandre Matias, é bem provável que Stranger Things não se limite ao que vimos e dê também seus saltos temporais. É esperar para ver.

O Portão
Garotos e lanternas, feitos uns para os outros. Cena de O Portão, de 1987.

Vale você pescar as referências das duas obras. Desde as mais óbvias (livros de Stephen King; filmes como Os Goonies, Enigma de Outro Mundo, Veludo Azul e O Portão; The Clash, pop oitentista e outros sons) até os detalhes escondidos nos cantos, como adesivos, embalagens, marcas nos supermercados, cores de carros, design em geral. É um festival que valeria seu próprio álbum de figurinhas.

Stranger Things é uma série incrível e recomendadíssima até pra quem não curta algum dos elementos separadamente (anos 80, crianças se unindo e suspense). Paper Girls, independente de qualquer referência ou obra externa, é um material incrível, cocriado por um dos maiores talentos atuais dos quadrinhos, Brian K. Vaughn. Como se não bastasse isso, ainda pode servir como um produto de consolação para os já fãs da série da Netflix que se sentirem carentes por não termos (ainda!) mais episódios.

1 Comentário

Clique para comentar

20 − 2 =

WP Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com