A Samurai ganha sequência pelo Catarse

Uma das HQ’s mais comentadas do ano de 2015 foi A Samurai, escrito pela estreante Mylle Silva e ilustrada por um respeitável time, que incluía Gustavo Borges e Bianca Pinheiro. E é com essa mesma equipe que A Samurai: Yorimichi, sequência da história original, chega ao Catarse. A segunda parte da trilogia da samurai Michiko pode ser apoiada por valores a partir de R$ 35 até o final de agosto.

A trama dá sequência aos acontecimentos finais da HQ original, quando a protagonista Michiko embarca em um portal mágico para buscar sua própria jornada. Após voltar 20 anos no tempo, Michiko se encontra sem memória e como uma fugitiva, e terá que enfrentar vários desafios ao de seu parceiro Yamada.

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O Terra Zero conversou com Mylle Silva, roteirista da HQ, sobre a história contada em Yorimichi e os planos para a história de Michiko. Confira abaixo o bate-papo:


Terra Zero: Você disse que A Samurai: Yorimichi é uma espécia de história de transição, já que se trata da segunda parte de uma trilogia. Qual o arco que Michiko enfrentará nesse volume? Como vai ser a jornada dela nessa história?

Mylle Silva: No final do primeiro volume (que, aliás, agora é primeiro volume, mas antes eu sequer sonhava com isso, haha), Michiko passa por um trauma muito grande e se sente perdida. E, assim como qualquer um de nós, tudo o que ela quer é esquecer a dor e começar de novo. No entanto, quando Yamada salta no tempo com ela, eles voltam 20 anos no tempo ao invés de Michiko renascer como ela desejava. Por isso, temos uma samurai sem memórias ou propósitos, vivendo escondida, numa espécie de afastamento forçado pós-traumático – e o Yamada é quem precisa traze-la novamente para a realidade.

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Por que o subtítulo da história é Yorimichi?

Yorimichi significa “caminho tortuoso”, e Michiko é “filha do caminho” (em tradução bem literal). Eu escolhi esse nome porque queria fazer uma ligação com o nome da personagem e o tema da HQ, que fala exatamente sobre caminhos e escolhas. Nem sempre os caminhos que tomamos na vida nos levam diretamente aonde queremos chegar. Muitas vezes a caminhada é mais longa e complexa do que desejávamos, mas, no final das contas, sempre aprendemos algo durante a trajetória. No entanto, o aprendizado de Michiko só ficará claro no último volume (altos spoilers aqui, haha).

Existe um outro motivo para eu ter escolhido essa palavra: Yorimichi é o nome do barzinho que eu ia com os meus amigos quando morei no Japão.

Você repetiu toda a equipe criativa da primeira edição? Como vai ser pra contar essa nova etapa da vida de Michiko utilizando os mesmos artistas? As cores predominantes nas histórias serão as mesmas?

Quando eu comecei a alimentar a ideai de continuar A Samurai, pensei em chamar 8 novos artistas. No entanto, depois de reunir todo o time criativo do primeiro volume na CCXP, decidi lá mesmo perguntar se eles topavam dar continuidade ao trabalho.

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Equipe de A Samurai.

O projeto editorial será exatamente o mesmo: a história será contada em oito capítulos, cada qual ilustrado por um dos artistas e com uma cor predominante. A vantagem de repetir a mesma fórmula com as mesmas pessoas é que todos já estamos acostumados a trabalhar assim e podemos nos organizar melhor para que a produção seja mais fluída. Além disso, quando trabalhamos em equipe, temos um resultado novo e incrível que só poderia ser gerado por aquele grupo de pessoas – e eu adorei o resultado da primeira HQ!

Como foi a recepção para A Samurai? Eu moro em Alvorada – RS, eu vi uma edição de A Samurai á venda aqui. Como foi para você atingir esse alcance de nível nacional?

A Mylle de 15 anos, que ficava mandando cartas para editoras e só recebia negativas, nunca teria imaginado algo assim! Nem mesmo a Mylle que começou o projeto no início de 2015 teria imaginado. Ou seja, foi a realização de um sonho antigo e, ao mesmo tempo, um grande salto para um projeto que era bem pequeno.

Capa d'A Samurai original.
Capa d’A Samurai original.

Quando eu pensei em A Samurai, eu só queria contar a história de uma personagem forte e colocar desenhos bem bonitos, haha. No entanto, como o projeto cresceu e a visibilidade dele aumentou, acredito que a expectativa das pessoas também deve ter aumentado – dessas coisas que não se pode controlar na vida.

No fundo, eu sei que agradei muito algumas pessoas e outras simplesmente não gostaram da HQ. E o que eu aprendi com a experiência é que eu escrevo para um público específico, pessoas que estão dispostas a ler com o coração e não com a razão, que querem embarcar na história e não buscam a perfeição a cada virada de página. Eu sou e sempre serei uma aprendiz – mas uma aprendiz que quer encantar os leitores de alguma forma.

Fora A Samurai, quais são os outros projetos que podemos esperar do Estúdio Manjericão?

Nós lançaremos, junto com A Samurai: Yorimichi, a HQ Batsuman – Crise nessas terra tudo, que acabou de ser financiada através do Catarse. Basicamente trabalharemos com esses dois títulos em 2016, mas já estamos arquitetando novos projetos para o ano que vem. O Yoshi tem uma ideia antiga de fazer um livro-jogo de detetive que, se tudo der certo, nascerá em 2017. Já eu continuarei a trilogia da Michiko até o fim e também quero lançar um livro com contos sobre cada um dos personagens da história, para expandir o universo mesmo.

Imagem de Batsuman, outra HQ do estúdio Manjericão.
Imagem de Batsuman, outra HQ do estúdio Manjericão.

Você disse que A Samurai foi um projeto com uma motivação muito pessoal. Como você espera que esta HQ dialogue com as pessoas? Que tipos de dilemas você acha que as pessoas possam se identificar?

Como eu sou bem passional, tudo que faço na vida tem uma motivação pessoal – caso contrário, não vejo sentido fazer. Eu passei muito tempo escrevendo sobre sentimentos (meus, dos outros, observações, etc etc) até entender que eu precisava inserir esses sentimentos em uma história.

Parece bobo e óbvio, mas não era tão direto para mim. Antes de mergulhar de fato no projeto de A Samurai, eu era uma escritora que só conseguia produzir com inspiração, com a lua, as estrelas e o vento corretos, sabe? Eu precisei equilibrar esses sentimentos todos que carrego e começar e descobrir que mensagem era essa que eu queria transmitir.

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Hoje que eu já ultrapassei a fase da inspiração (basta sentar e dizer para mim mesma que é hora de escrever) e tive contato com muitas pessoas que leram o meu trabalho, acredito que descobri com quem estou conversando. Antes de qualquer coisa, o leitor precisa gostar de protagonismo feminino – porque eu sempre penso em personagens principais femininas. Além disso, é preciso estar disposto a receber toda essa sentimentalidade, precisa sentir junto comigo – afinal, essa sou eu e escrevo o que sou.

Falando agora de A Samurai: Yorimichi, abordarei de forma mais direta a questão da representação de gênero, do lugar da mulher na sociedade. O antagonista dessa vez será Nobuhiro, que é o senhor feudal que aparece no primeiro capítulo de A Samurai, como o mecenas de Michiko. No decorrer do enredo, ele se mostrará obcecado por Michiko, disposto a qualquer coisa para tê-la como uma de suas poses – e ela, naturalmente, tentará se opor a qualquer tipo de padrão dominador imposto. Nesse sentido, acredito que o grande dilema da Michiko é encontrar o equilíbrio entre ser forte e frágil ao mesmo tempo – exatamente a mesma questão que muitas as mulheres que enfrentam em suas vidas.


A Samurai: Yorimichi pode ser apoiada por valores de R$ 35 a R$ 500, com os mais variados tipos de brindes.  A HQ terá 112 páginas coloridas, 25cm de altura e 17cm de comprimento, capa em papel Suzano Supremo 300, com orelhas e laminação soft touch. Cada capítulo será ilustrado por um artista diferente e terá uma cor predominante, assim como na primeira edição.

Você pode apoiar o projeto aqui. Confira abaixo o vídeo de divulgação da campanha:

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=qkpCkQdgnyQ[/youtube]