[Review] Civil War II #3, de Brian Michael Bendis e David Marquez

Conforme anunciado pela própria Marvel, a terceira edição de Civil War II carrega consigo o fardo da tragédia e supostamente é o ponto de ruptura para as mudanças propostas em sua linha de quadrinhos na vindoura iniciativa editorial Marvel NOW!

Nos números anteriores da saga – confira aqui as resenhas de Civil War II #0, #1 e #2 – fomos apresentados brevemente ao conceito do Inumano Ulysses e aos efeitos que seu poder precognitivo tem na comunidade super-heroica da editora. Aqui, nesta terceira edição, o escritor Brian Michael Bendis finalmente despeja uma grande tragédia sobre o arco.

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A história é conduzida de forma muito elegante pelo autor através de Matt Murdock, o Demolidor. O personagem, atualmente trabalhando para a promotoria pública do estado de Nova York, serve de expositor para os fatos que levam ao clímax da edição em cenas que se alternam entre um julgamento e um confronto entre três dos maiores heróis da Marvel. No que tange o formato, Bendis é extremamente feliz e a edição tem uma fluidez mórbida desde sua primeira página. Mesmo que o leitor esteja 100% livre de spoilers, a tensão que o roteirista consegue incutir neste número é palpável.

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Quanto ao clímax em si, a cena com certeza dividirá opiniões válidas por muitos anos daqui para frente. Tanto o objeto da tragédia quanto o autor do fato podem (e devem) ser questionados pela comunidade de leitores. Houve precipitação de grande parte dos personagens na cena? Claro. É possível que o roteirista tenha descaracterizado algum membro do elenco? Sim. Ao propor este tipo de acontecimento e apresentá-lo da forma que o fez, Bendis, nos conduz para um território tão cinzento e confuso que pode desmotivar quem esperava algo um pouco mais heroico. Não há uma grande batalha ou celebração de um mártir. Quem se vai (sim, temos uma morte), ao final, não vai coberto dos louros da glória, mas sim manchado por um misto de amargura e falta de sentido – como ocorre em muitas tragédias da vida real.

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A evolução da arte de David Marquez nesta saga é louvável. A cada edição, o jovem ilustrador fica mais confortável com o enorme elenco da história e com o formato de roteiro proposto por Bendis. Nesta terceira parte, o artista mostra o quão forte é em interpretação e nos presenteia com expressões faciais e fotografia dramática extremamente convincente. O trabalho de Marquez é elegante e finalmente deixa uma marca única e reconhecível. Mesmo que o leitor não concorde com as decisões no roteiro de Bendis, há de se reconhecer o bom trabalho de apresentação na terceira parte de Civil War II. Esta edição ainda vem com cenas intermediárias muito bonitas desenhadas por um dos favoritos dos leitores, Olivier Coipel – Este pequeno relicário em uma cena bem curta, é perfeito para uma última lembrança visual de um personagem muito importante da editora que agora se despede deste universo.

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Ao dissertar sobre qualquer material artístico, muitas vezes fica difícil dissociar qualidade técnica dos colaboradores da expectativa ou imagem criada mentalmente para aquele material. Especialmente quando se fala tratando de personagens com os quais temos uma ligação tão forte. Ao passo que este laço é rompido de forma trágica em uma história, é natural que o expectador busque na mente algo que o faça se agarrar àquilo que ama.

Brian Michael Bendis e David Marquez nos mostraram um incidente na terceira edição de Civil War II. Não em um sentido específico, mas no sentido mais amplo da palavra “incidente” – Algo inesperado, feio, abrupto, algo que foge momentaneamente da natureza dos envolvidos e que tem consequências que levam a uma ruptura grave. As motivações de cada um dos participantes e suas reações aqui descritas por este autor podem e devem ser questionadas pela sanidade da nossa mídia.

Todavia, o que foi apresentado é catalítico, tem peso, choca, é conduzido de maneira profissional o tempo todo e apresentado graficamente de forma quase que impecável pelo time responsável pela saga. Isso fã algum pode tirar destes colaboradores. É tradição, em especial na Marvel, apresentar personagens heroicos falhos cometendo erros irreversíveis. Aqui, Bendis e Marquez retornam ao tema e, para o bem ou para o mal, mostram um lado deste universo que pode ser indigesto e nada admirável.

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