[#Review] Batman: A Piada Mortal – A Animação

Batman: A Piada Mortal é um quadrinho que sempre esteve envolto de muita polêmica, o que é natural na bibliografia do autor inglês Alan Moore. Apoiado por um conterrâneo, o desenhista Brian Bolland, Moore lançou este projeto através da DC no final da década de 1980 e criou, para variar, uma nova forma de se mostrar um personagem. Desta vez, porém, o protagonista não era o Homem-Morcego, mas sim seu arqui-inimigo, o Coringa.

O pessoal responsável pelas animações da DC (Bruce Timm, Sam Liu e cia. limitada) passou pelo teste fogo quando transformou Cavaleiro das Trevas, o seminal quadrinho de Frank Miller lançado nos anos 1980, em uma animação de duas partes há alguns anos. Depois desse feito, pegar uma obra de Alan Moore e levá-la para outra mídia não pareceu mais tão assustador assim.

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Está tudo lá. Diálogos marcantes, motivações claras e a tonalidade correta que a obra pedia. O que pegou de surpresa foram o prólogo e o epílogo da história. Este último, aliás, foi exibido após os créditos iniciais subirem, então é bom que  espectador fique atento. Essas duas partes novas na história não representam adaptações de ideias que já estavam lá, mas sim uma inserção de conceitos novos que podem refletir nas futuras animações da DC (como refletiram nos quadrinhos na época em que aconteceram). Portanto, toda a primeira parte da animação é focada em Barbara Gordon e sua vida como Batgirl.

Ainda que isso pareça uma heresia quando se trata de uma adaptação de uma obra tão importante, apenas a história de A Piada Mortal em si não seria suficiente para um longa metragem. Logo, algumas explicações a respeito dos personagens precisavam ser feitas. Como o Batman já está bem estabelecido e o Coringa tem a quantidade adequeada de flashbacks durante o segundo e o terceiro atos, Barbara era a peça que precisava de lapidação, de cuidado. Claro, nos quadrinhos isso é diferente, afinal, mesmo que A Piada Mortal não tenha sido concebida para fazer parte da cronologia do Universo DC, a bagagem do leitor que chega até este quadrinho costuma ser grande e esclarecedora. Em uma adaptação que visa diferentes públicos, não é assim. Portanto, a Warner se valeu da disponibilidade de um dos mais famosos roteiristas do Batman dos ultimos 20 anos para criar esse roteiro: Brian Azzarello.

Com cuidado, ele soube amarrar o novo e o clássico em uma narrativa intrigante e visceral. Tudo que existe de mais brutal, chocante e revolucionário no quadrinho está estampado na animação da forma correta. Como se isso não bastasse, as vozes de Kevin Conroy (Batman), Tara Strong (Batgirl), Mark Hammill (Coringa) e Ray Wise (Comissário Gordon) dão a emoção necessária para que cada um desses personagens brilhe na hora certa.

Por fim, Batman: A Piada Mortal é uma boa adaptação. Como dito anteriormente, esta tudo lá, do jeito certo. De forma alguma ela deve substituir a leitura da HQ original, mas não deixa trazer, por si só, uma boa experiência para o espectador. Chega a ser irônico que a adaptação tenha ficado com Azzarello, já que ele chegou a ser cotado pela DC para fazer uma continuação da obra. De qualquer forma, ele fez um bom trabalho, respeitando o material original e inserindo sua própria identidade na história.

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