[Emulador de Críticas] No meu tempo era melhor

E aí, pessoal! Mesmo que no mês passado eu tenha dado um balão no prazo, é sempre bom voltar a escrever o velho Emulador de Críticas. Durante todo esse tempo sem digitar, tive tempo para pensar sobre os rumos do mundo, aproveitando para escavar na minha memória o tempo em que comecei a ler quadrinhos. Falar sobre nostalgia parece que foi algo turbinado nas últimas semanas, com as mudanças da Marvel para o chamado Marvel Now 2.0.

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Tic Tac…

A nostalgia é um grande companheiro de todo humano. Lembrar-se com carinho de vários momentos da vida e da cultura pop são fatos recorrentes na vida de todas as pessoas. Eu mesmo, aos 28 anos, fico pensando na época em que tinha uma banda e ouvindo músicas que foram lançadas quanto eu tinha 16. Isto não é errado: todo mundo tem casos passados que são lembrados com carinho. Porém, por vezes isso é algo que tem se tornado corrosivo, em relação às novas gerações.

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Creio que muita gente que lê o Terra Zero, durante seu tempo de escola, era alvo de brincadeiras de mau gosto e chacota. Aprendíamos, diariamente, o que era o choque de gerações. Os mais velhos pareciam se sentir no dever de dizer que, por você ser mais novo, seus gostos eram horríveis. Sempre com a malfadada frase:

“No meu tempo as coisas eram melhores”.

Não sei dizer se no tempo dessas pessoas as coisas eram melhores, mas sei dizer que, no meu tempo, também havia coisas boas. Apesar de ter nascido no fim dos anos 1980, minha memória afetiva é toda dos anos 1990/2000. Este foi meu momento de transição e construção de caráter. Logo, dentro dos quadrinhos, por muitas vezes pessoas reclamam do meu gosto. Um exemplo: tenho um carinho especial pelo Lanterna Verde Kyle Rayner.

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Kyle Rayner, the best!

Esse foi o lanterna verde que aprendi a admirar e em momento algum vou deixar de ter um sentimento bom ao falar desse personagem. Mas algumas pessoas têm dificuldade em aceitar que, talvez, você possa gostar de uma caracterização diferente de um personagem. Que ele não precisa ser clássico ou nem mesmo ter histórias boas. O sentimento de nostalgia é algo extremamente pessoal.

Então, apreciador de quadrinhos mais velho, aconselho te um pouco mais de paciência e entender que nem todo mundo precisa ter uma ideia igual a sua ou ter o mesmo gosto que você. Na internet, temos de aprender a respeitar gostos e entender que, muitas vezes, as pessoas podem pensar diferente de você. E isso não é crime. A não ser que essa pessoa cometa um crime como, por exemplo, racismo, como ocorreu nos dias que se seguiram ao anúncio da nova personagem a vestir a armadura do Homem de Ferro, Riri Williams.

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O movimento que a Marvel está fazendo é louvável. Considero que a ideia de legado e dar cara nova a vários personagens um crescimento para todos dentro da editora. Esse momento lembra bastante quando a DC fez várias mudanças na linha, com personagens mais jovens vestindo os mantos dos grandes mitos da editora. Isso é uma forma de trazer leitores novos para conhecer os heróis e compreender que os tempos mudaram, que os mais jovens criarão vínculos com personagens que representarem melhor o mundo em que vivem, para que, no futuro, seus gostos também tenham suas particularidades quando o momento de nostalgia dessa geração chegar.

O tesouro que você carrega na memória não é o mesmo dos outros, é singular. A cultura pop é feita de sentimentos, momentos e outros fatores. É inteligente pensar duas vezes antes de recriminar o amigo que diz que algo velho — ou novo — é bom. Há lugar para todos.

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Quatro gerações de histórias e nostalgia.

Estamos, em 2016, presenciando um duelo direto entre o que podemos chamar de conservadorismo e um pensamento que é mais abrangente. Pessoas que acham que ainda estamos vivendo em um milênio que era impensável criar ou repensar heróis para que outras etnias, sexualidade e crenças sejam representadas.

Talvez a ideia dessas editoras e de seus criadores, que trazem mais diversidade as suas páginas, seja mostrar que qualquer pessoa pode vestir uma capa e salvar o dia. Independente de classe, cor, sexo ou qualquer classificação aplicável, em qualquer momento.

Aproveite para lembrar sobre as coisas boas e melhorar as mazelas que ainda existem. Afinal, o planeta Terra está sempre em metamorfose.

Até a próxima!