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[Emulador de Críticas] No meu tempo era melhor

Escrito por Pablo Sarmento

E aí, pessoal! Mesmo que no mês passado eu tenha dado um balão no prazo, é sempre bom voltar a escrever o velho Emulador de Críticas. Durante todo esse tempo sem digitar, tive tempo para pensar sobre os rumos do mundo, aproveitando para escavar na minha memória o tempo em que comecei a ler quadrinhos. Falar sobre nostalgia parece que foi algo turbinado nas últimas semanas, com as mudanças da Marvel para o chamado Marvel Now 2.0.

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Tic Tac…

A nostalgia é um grande companheiro de todo humano. Lembrar-se com carinho de vários momentos da vida e da cultura pop são fatos recorrentes na vida de todas as pessoas. Eu mesmo, aos 28 anos, fico pensando na época em que tinha uma banda e ouvindo músicas que foram lançadas quanto eu tinha 16. Isto não é errado: todo mundo tem casos passados que são lembrados com carinho. Porém, por vezes isso é algo que tem se tornado corrosivo, em relação às novas gerações.

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Creio que muita gente que lê o Terra Zero, durante seu tempo de escola, era alvo de brincadeiras de mau gosto e chacota. Aprendíamos, diariamente, o que era o choque de gerações. Os mais velhos pareciam se sentir no dever de dizer que, por você ser mais novo, seus gostos eram horríveis. Sempre com a malfadada frase:

“No meu tempo as coisas eram melhores”.

Não sei dizer se no tempo dessas pessoas as coisas eram melhores, mas sei dizer que, no meu tempo, também havia coisas boas. Apesar de ter nascido no fim dos anos 1980, minha memória afetiva é toda dos anos 1990/2000. Este foi meu momento de transição e construção de caráter. Logo, dentro dos quadrinhos, por muitas vezes pessoas reclamam do meu gosto. Um exemplo: tenho um carinho especial pelo Lanterna Verde Kyle Rayner.

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Kyle Rayner, the best!

Esse foi o lanterna verde que aprendi a admirar e em momento algum vou deixar de ter um sentimento bom ao falar desse personagem. Mas algumas pessoas têm dificuldade em aceitar que, talvez, você possa gostar de uma caracterização diferente de um personagem. Que ele não precisa ser clássico ou nem mesmo ter histórias boas. O sentimento de nostalgia é algo extremamente pessoal.

Então, apreciador de quadrinhos mais velho, aconselho te um pouco mais de paciência e entender que nem todo mundo precisa ter uma ideia igual a sua ou ter o mesmo gosto que você. Na internet, temos de aprender a respeitar gostos e entender que, muitas vezes, as pessoas podem pensar diferente de você. E isso não é crime. A não ser que essa pessoa cometa um crime como, por exemplo, racismo, como ocorreu nos dias que se seguiram ao anúncio da nova personagem a vestir a armadura do Homem de Ferro, Riri Williams.

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O movimento que a Marvel está fazendo é louvável. Considero que a ideia de legado e dar cara nova a vários personagens um crescimento para todos dentro da editora. Esse momento lembra bastante quando a DC fez várias mudanças na linha, com personagens mais jovens vestindo os mantos dos grandes mitos da editora. Isso é uma forma de trazer leitores novos para conhecer os heróis e compreender que os tempos mudaram, que os mais jovens criarão vínculos com personagens que representarem melhor o mundo em que vivem, para que, no futuro, seus gostos também tenham suas particularidades quando o momento de nostalgia dessa geração chegar.

O tesouro que você carrega na memória não é o mesmo dos outros, é singular. A cultura pop é feita de sentimentos, momentos e outros fatores. É inteligente pensar duas vezes antes de recriminar o amigo que diz que algo velho — ou novo — é bom. Há lugar para todos.

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Quatro gerações de histórias e nostalgia.

Estamos, em 2016, presenciando um duelo direto entre o que podemos chamar de conservadorismo e um pensamento que é mais abrangente. Pessoas que acham que ainda estamos vivendo em um milênio que era impensável criar ou repensar heróis para que outras etnias, sexualidade e crenças sejam representadas.

Talvez a ideia dessas editoras e de seus criadores, que trazem mais diversidade as suas páginas, seja mostrar que qualquer pessoa pode vestir uma capa e salvar o dia. Independente de classe, cor, sexo ou qualquer classificação aplicável, em qualquer momento.

Aproveite para lembrar sobre as coisas boas e melhorar as mazelas que ainda existem. Afinal, o planeta Terra está sempre em metamorfose.

Até a próxima!

As colunas do Terra Zero expressam a opinião de seus
colunistas e não necessariamente a opinião do site.
  • Ultra DIGITALSTARZISTA

    VERDADE PÁBIS ESSA COISA DE ” NO MEU TEMPO ERA MELHIR” É PURA NOSTALGIA!
    HÁ NÃO SER QUANDO SOU EU QUE DIGO PQ NO MEU TEMPO ERA TUDO MELHOR MESMO SEUS JÓVENS DE MERDA!

  • Hanna_Barbarian

    Eu acho maneiro ouvir esse povo se digladiando. No meu tempo, eu também achava!

  • Ogro da Floresta

    “Mas é você
    Que ama o passado
    E que não vê
    É você
    Que ama o passado
    E que não vê
    Que o novo sempre vem”

    Alguém deveria regravar essa música.

  • Geo V

    Antes se criava personagens novos por ter uma boa ideia, o único cara que eu me lembro que criou novos e interessantes personagens na Marvel, foi Morrison, hoje se cria por outros motivos e tudo genérico, daqui a pouco, Namor vai ser substituído por uma “Namor”, só não foi porque não é tão popular, não precisa destruir o clássico para se fazer o novo, basta modernizar de forma inteligente e criar bons e realmente “novos personagens”, porque são esses que vão durar, vamos aceitar o novo, desde que supere ou seja bom como o que já foi feito e não qualquer porcaria.

  • Fernando Pinheiro

    Interessante abordagem!

    De fato há essa ideia, talvez seja a necessidade de autoafirmação, o fato de querer impor que a opinião dos mais velhos é importante.
    Respeito: coisa que a tal geração foi perdendo com seus “mais velhos” e agora tentam impor… (desculpem se generalizo, mas a carapuça servirá a quem a quiser)…

    Eu tenho sim, um pouco de orgulho da época que nasci (81), pois me lembro de acordar de manhã e assistir à TV manchete; lembro de um comercial da mesma com a música “Aquarela” (será que só eu lembro?!).

    Enfim, no meu caso “meu” Lanterna Verde favorito foi um perfeito idiota: Guy Gardner… me marcou quando ele tomou uma “sova” do Hal Jordan e perdeu o anel… e depois o que teve que fazer para conseguir o anel amarelo! (Achei um máximo!)

    Joguei o Jogo da Vida; War (I e II); Hero Quest; Dungeons And Dragons; Vampiro a Máscara (e diversos outros jogos de tabuleiros).
    Vi a ascensão dos eletrônicos: das casas de fliperama que viraram casas de videogames (alugados por hora) e depois lanhouses… (putz, joguei Street Figter I)…

    Mas também tive o prazer de empinar pipa, rodar peão, jogar bolinha de gude, bilboquê … que mais? Rodar pneu; jogar mãe da mula; beijo abraço e aperto de mão; carrinho de rolimã;……………… nunca gostei de futebol, mas joguei basquete!

    Enfim, penso que peguei uma fase das maiores transições… Não gostei de Pokemon, nem de Cavaleiros do Zodíaco, mas meus primos mais novos gostaram! E daí! Se eu gostei de Dragon Ball, YU YU Hakusho, não significa que as gerações atuais me entenderão…

    Penso ser uma questão de amadurecimento. Tem coisa que gostei demais e tento assistir ou ler hoje, tirando a nostalgia, analisando friamente, tem história que é um saco!!! Foi bom naquele momento… somos mutantes, mudamos o tempo todo, mas o respeito e a consideração devem permanecer!

    Nos quadrinhos não foi diferente! Hoje estou retomando minhas coleções. Relendo o passado para entender o presente… estou indo bem (já estou nos novos 52)… (Leio digital e hq físicos… é a vida!)

    • Pablo Sarmento

      Seu comentário valeu todo tempo que trampei no post. :’)

  • Mauricio Martins

    Ótimo texto!