[#Jab] ROM #1

ROM, o Cavaleiro do Espaço (ROM the Spaceknight, no original), é uma franquia com quase 40 anos de existência, e agora está na IDW. A propriedade, criada por Scott Dankman, Richard C. Levy e Bryan L. McCoy, era um brinquedo eletrônico que foi vendido e registrado pela Parker Brothers na década de 1970. O boneco, lançado em 1979, logo após estrear nos quadrinhos da Marvel Comics como produto licenciado, falhou. Mas a sua história na arte sequencial, criada por Bill Mantlo (roteiro) e Sal Buscema (arte), vive até hoje – agora como parte do universo de propriedades da Hasbro, empresa que comprou a Parker, já uma subsidiária da Tonka Corp, em 1991, na editora que já publica há alguns anos as aventuras dos G.I. Joe e dos Transformers.

ROM #1. Arte de David Messina e Michele Pasta.
ROM #1. Arte de David Messina e Michele Pasta.

O robô não mantém o título de Spaceknight, já que a denominação fora criada na Marvel. Sua história aqui lembra a original, mas tem suas diferenças. Em uma galáxia distante, há muito tempo, os cavaleiros da Ordem Solstar foram atacados por alienígenas mágicos e malignos. Os Espectros, como foram chamados, foram derrotados após muita luta, e a Ordem empenha-se agora em erradicá-los do universo. ROM é um dos Lordes Solstar, os mais poderosos e destemidos cavaleiros da Ordem. Resgatado após seu planeta ter sido aniquilado pelos Espectros em meio à guerra, ele foi transformado num processo que lhe deu suas armas: o Analisador, que permite a ele detectar Espectros disfarçados; e o Neutralizador, que desintegra seus inimigos.

ROM #1. Arte de David Messina e Michele Pasta.
ROM #1. Arte de David Messina e Michele Pasta.

A primeira edição coloca uma outra tônica por sobre a clássica história de lutas alienígenas. A primeira comparação é com o clássico filme Invasores de Corpos. Isso porque, como ROM revela, parte da sociedade humana tem influência direta dos Espectros – incluindo a polícia, os militares e até mesmo cidades inteiras. É possível que isso tenha acontecido somente em anos recentes neste mundo. Ainda há humanos remanescentes nessas comunidades, e eles não chamaram a atenção dos outros personagens deste universo compartilhado – os Joes não fazem ideia do perigo entre os militares, e os cybertronianos não deram atenção alguma a escamurças que não envolvessem eles próprios, aparentemente.

ROM #1. Arte de David Messina e Michele Pasta.
ROM #1. Arte de David Messina e Michele Pasta.

O roteiro é bem construído, e coloca como protagonistas, junto de ROM, duas mulheres (a policial latina Camilla Byers, e a soldado negra Darby) que correm perigo a partir das revelações do cavaleiro espacial. Christos Gage é alguém que preza por roteiros rápidos e histórias que procuram não revelar demais. Entretanto, ficou a impressão que a edição de estreia é ou uma edição e meia do que ele gostaria, ou menos do que uma edição deveria ter sido. Pesa nisso o co-escritor, Chris Ryall, ser um dos editores da IDW, imagina este resenhador.

ROM #1. Arte de David Messina e Michele Pasta.
ROM #1. Arte de David Messina e Michele Pasta.

A arte de David Messina tem um estilo interessante dentro do universo compartilhado da Hasbro. É ligeiramente cartunesca, mas dá um aspecto que fecha com o que normalmente é apresentado nas revistas de G.I. Joe e Transformers, e não está fora do estilo do artista. Interessante também o trabalho de arte-finalização de Michele Pasta: com grossas linhas onde necessário e um ajuste fino ao mostrar as expressões dos humanos (nos verdadeiros, não nos frios Espectros), é possível ver uma boa complementação à arte de Messina.

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No geral, o retorno de ROM insere um personagem que faz sentido no universo que a IDW está criando com os brinquedos da Hasbro. É um universo que possivelmente será transportado, com poucas perdas, para o cinema – isso se não se confirmarem os rumores de que o próximo filme de Transformers, com o subtítulo The Last Knight, tem uma ligação com os Cavaleiros do Espaço, pelo tema de cavalaria incluso e o fato de que Optimus Prime usa uma espada medieval gigantesca em imagens promocionais.

A revista é boa. Com uma dose muito maior de paranoia e uma história de invasão alienígena sutil, ROM parece ainda estar se adaptando a este universo. Entretanto, assim como ocorreu nas histórias da Marvel, a sua chegada à Terra pode fazê-lo mudar para melhor enquanto salva a raça humana, e salvar o que resta de sua humanidade… Ou será que não? Para quem gosta da fusão entre ficção científica, horror e ação, com algumas doses de canastrice pela própria forma clássica de um cavaleiro-robô-prateado, é uma boa pedida.

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