[#Jab] Lone Ranger/Green Hornet #1, de Michael Uslan e Giovanni Timpano

Tinha tudo para dar certo. O Cavaleiro Solitário e o Besouro Verde possuem uma conexão desde o início; Michael Uslan é um produtor de cinema veterano e mais conhecido por estar envolvido em todos os filmes do Batman desde o primeiro longa dirigido por Tim Burton; Giovanni Timpano é um dos grandes talentos do momento na Itália, dono de um traço tipicamente europeu e cheio de vida. Mas não foi bem assim.

Besouro Verde e Cavaleiro Solitário são personagens com um longo passado juntos, que data das décadas de 1930 e 1940, quando eles foram criados. Dan Reid, pai de Britt Reid (o Besouro Verde) é sobrinho do Cavaleiro Solitário original. Nos quadrinhos dos personagens publicados pela NOW Comics no fim dos anos 1980, essa relação foi bastante explorada.

Capa de Lone Ranger/Green Hornet #1 por John Cassaday.
Capa de Lone Ranger/Green Hornet #1 por John Cassaday.

No novo quadrinho, o Cavaleiro Solitário é um homem velho, que vive com seu sobrinho divertindo crianças no estábulo com seu cavalo Silver e com suas histórias do Velho Oeste. A história se passa na segunda metade da década de 1930, logo depois da ascensão de Adolf Hitler na Alemanha. A influência dessa mudança na Europa começa a recair sobre a sociedade norte-americana e, como se isso não bastasse, uma ameaça do passado do Cavaleiro Solitário ressurge.

Enquanto isso, Dan tenta convencer o Cavaleiro a ensinar bons valores para seu filho, que vive como um playboy desmiolado. O que nenhum dos dois sabe é que Britt faz muito pela cidade como o vigilante mascarado Besouro Verde. Isso certamente será explorado mais tarde na minissérie.

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Como edição de entreia, Lone Ranger/Green Hornet #1 deixou muito a desejar. O aspecto histórico da revista é bom, mas ele é manchado por erros crassos de caracterização de época cometidos apenas pelo bem do plot, principalmente quando se fala de eventos históricos. A mistura da opressão sofrida por minorias nos Estados Unidos com o nazismo na Europa não faz sentido, deixando cair por terra dois ótimos conceitos a serem explorados com esses personagens.

Chega a ser irônico que esse quadrinho seja tão fraco e ele tenha saído poucos anos depois de dois filmes fracassados com o Besouro Verde e com o Cavaleiro Solitário. De qualquer forma, fãs da arte italiana podem comemorar. Giovanni Timpano é o grande astro da revista. Toda a ambientação que ele cria com a arte somada com a caracterização visual perfeita dos personagens é um deleite visual. É uma pena que um trabalho artístico tão apurado tenha sido aplicado em um roteiro mediano.

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