[#Jab] Horizon #1, de Brandon Thomas e Juan Gedeon

Futuros distópicos e tramas alienígenas há muito deixaram de ser novidade. Seja no cinema, televisão ou mesmo em quadrinhos, a ideia de que a raça humana trilha um caminho sem volta para um amanhã sombrio é um tema recorrente no gênero de ficção. Da mesma forma interações entre nosso planeta e povos extra terrestres também é um tema explorado de tantas formas que já se tornou um subgênero dentro da ficção moderna. Então, o que uma história em quadrinhos que une dois dos temas mais utilizados na ficção nos últimos 30 anos teria a oferecer no ano de 2016?

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Horizon é uma criação do autor Brandon Thomas, mais conhecido por seu trabalho em Voltron (publicado pela Dynamite Entertainment), com arte do ilustrador de Ghost Racers da MarvelJuan Gedeon e colorização de Frank Martin. A revista, lançada pelo selo Skybound da Image Comics carrega os elementos de ficção citados acima em uma premissa que faz o caminho reverso ao que estamos acostumados em termos de interações humano-alienígenas em futuros distópicos.

No universo de Horizon, a Terra a cada dia se torna um lugar mais inóspito para se viver e o intuito da raça humana é encontrar outros planetas para propagar sua espécie e sobreviver. A missão da protagonistadesta história, Zhia Malen, uma espiã alienígena do planeta Valius enviada ao nosso planeta, é impedir que essa “invasão” tenha sucesso.

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O que o leitor espera tratando-se de um escopo tão grande quanto o destino de não só um, mas dois planetas, é uma primeira edição grandiosa, cheia de nuances geopolíticas e exposição massiva de trama. No entanto, Thomas em Horizon #1 é intencionalmente minimalista e econômico na apresentação de seu roteiro. Com um misto de extrema confiança no fluxo narrativo e um pouco de desdém pelo leitor, o roteirista reduz a escala dos acontecimentos a um grau mínimo de exposição, confiando ao público o entendimento da gravidade da história. A missão de Malen é urgente, desesperada e clara. Não há tempo para segurar a mão do leitor e explicar coisa alguma. A sensação de que estamos assistindo a eventos fora de nosso controle é inescapável e isso se deve principalmente ao formato como a história é apresentada pelo autor.

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Portanto, o que temos são diálogos mínimos, pouquíssimas caixas de textos, transições rápidas entre cenários e cenas. A caracterização alienígena funciona, nos colocando muitas vezes na pele da protagonista através de artifícios simples como ruídos, dificuldade na comunicação ou uso de instrumentos de espionagem estrangeiros, mas familiares ao mesmo tempo. Tudo isso acelera demais a primeira edição que culmina na revelação das intenções da protagonista. Portanto, mesmo para quem não lê sinopse ou mesmo resenha deste material tudo fica claro ao final da edição de estreia.

A arte de Juan Gedeon com colorização de Frank Martin em Horizon é de fato tudo que o roteiro de Thomas carece: o estilo corrido e quase que em forma de storyboard do ilustrador somado a colorização meio rebelde de Martin grita “urgência” durante todo este início de missão de Malen. Gedeon é preciso na fotografia fazendo muito pelo roteiro com aparentemente muito pouco esforço na arte. Expressões como confusão, dor, resignação e tranquilidade no elenco são sentidas de maneira muito natural em seus quadros. Tão naturalmente que a arte praticamente torna-se o roteiro em quase que 90% desta leitura. As soluções visuais para demonstrar conceitos um pouco complicados são precisas. A caracterização de tecnologia e artefatos alienígenas, assim como as cenas mais movimentadas nunca ofuscam o objetivo da revista, que é contar uma história acelerada e nervosa. Nisso Gedeon e Martin são muito bem sucedidos.

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Horizon é uma história de ficção alienígena na premissa. Entretanto, sua apresentação e forma se aplicam perfeitamente a gêneros como espionagem, guerra ou mesmo investigação. É revigorante ler um quadrinho neste gênero que não despeja litros de informação logo de cara na primeira edição e trata o leitor como um indivíduo capaz de entender um roteiro que é muito simples e de certa forma tem uma ideia original. Com um ritmo sério e nervoso, uma arte que é certeira tanto em caracterização quanto fotografia, este título, se bem divulgado pode catalisar um novo tipo de abordagem para um gênero já um pouco saturado.

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