[#Entrevista] Robert Venditti – O fim e o legado de X-O Manowar

Em maio do já longínquo ano de 2012 a indústria de arte sequencial testemunhou com interesse e curiosidade o ressurgimento de um universo em quadrinhos há tempos dado como esquecido. Naquela ocasião, em um evento batizado de Verão da Valiant, o novo universo Valiant renasceu. Os três títulos que inicialmente “carregaram a bandeira” da nova Valiant from Bloodshot, escrita por Duane Swierczynsk; Harbinger, de Joshua Dysart; e finalmente X-O Manowar, escrita por Robert Venditti.

Com uma das passagens mais longevas em um mesmo título de quadrinhos na última década, Venditti (que acumula funções como autor de títulos da DC Comics como Flash e, em Rebirth, Hal Jordan and The Green Lantern Corps) desenvolveu toda a nova mitologia cósmica – e histórica – da Valiant. O roteirista apresentou-nos aos Visigodos, à Vinha (alienígenas responsáveis pela origem de X-O Manowar), às origens da armadura Shanhara e à trajetória e evolução de Aric de Dácia, o escolhido para ser o portador da lendária indumentária denominada X-O Manowar.

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Capa Variante de X-O Manowar #47. Arte: Rafa Sandoval

Para finalizar sua passagem (que termina na edição #50 de X-O Manowar), Venditti prepara um último arco chamado Long Live the King (Vida longa ao Rei). Aqui o roteirista fala exclusivamente ao Terra Zero sobre este último arco, relembra momentos marcantes de sua passagem pelo título e nos dá pequenas pistas do futuro de Aric no universo Valiant.

Terra Zero: “Vida longa ao rei” começa em X-O Manowar #47 e é sua última história com Aric. O que você pode falar sobre esta última viagem e a ameaça das criaturas chamadas “Tormento”?

Robert Venditti: O último arco vai unir muitas linhas narrativas que fizemos previamente através desta série. Se você voltar à edição #1, você poderá ver que construímos cada arco sobre o anterior. Este último arco vai amarrar tudo. Veremos todas as pontas soltas amarradas e veremos personagens que apareceram durante todo o decorrer da série retornando também. Todos estes convidados estão voltando para confrontar o Tormento, que são os adversários mais poderosos que enfrentamos até agora, o que  é dizer muito porque nós já vimos Aric enfrentar algumas forças muito destrutivas. O Tormento são uma raça de seres que se acreditavam ser mitológicos, como uma fábula na cultura da Vinha. Agora parece que eles são reais. As razões pelas quais eles vieram à Terra e porque estão atrás de Aric são os mistérios deste arco final.

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Prévia de X-O Manowar #47. Arte: Joe Bennett

Terra Zero: Era o que ia perguntar. O que o Tormento quer no nosso planeta?

Venditti: Isso é tudo parte do mistério.

Terra Zero: Quem são os convidados neste arco final de X-O Manowar?

Venditti: Uma porção. Como eu estava dizendo, a história une arcos da série inteira. O povo visigodo que Aric trouxe no arco Planeta Morte estará lá. Nós veremos toda a Vinha, tanto as facções do Comandante Trill quanto as facções aliadas a Aric. Você verá o Unity [Time de super seres da Valiant], você verá Ninjak GIN-GR e muito mais.

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Capa alternativa de X-O Manowar #47. Arte: Khoi Pam.

Terra Zero: X-O Manowar foi um dos títulos de lançamento do novo universo Valiant lá em 2012. Rapidamente este se tornou um dos baluartes da editora, dando origem à Unity e toda uma mitologia. Quando você começou a trabalhar nesta revista, imaginou o quão grande esta história se tornaria?

Venditti: De maneira alguma. Este é o primeiro título em quadrinhos mensal que escrevi na vida. Eu nunca presumi que nada que eu escrevesse iria gerar mitologias nem nada disso. Eu estava somente focado em contar uma boa história. Eu sempre estive consciente de que estava trabalhando em um universo compartilhado e usando personagens dentro do elenco da Valiant, sendo vilões ou heróis ou qualquer outra coisa. O fato desta série ter crescido além disso e de ser usada para outras coisas é parte do prazer de se trabalhar em um universo compartilhado. Como estou saindo do título, sinto que estou deixando muito mais brinquedos na caixa de areia do que quando cheguei. Ter outros roteiristas ou séries pegando estas coisas e brincando com elas é um dos desafios, mas é a graça de se trabalhar em um universo compartilhado.

Terra Zero: Você plantou várias sementes de subtramas em histórias anteriores, incluindo o próprio Tormento, como visto na edição #11 de X-O Manowar. “Vida longa ao rei” é a convergência destas subtramas?

Venditti: Com certeza sim. Havia um grande plano em andamento. Quando me sentei para começar a série, eu esperava chegar a 12 edições. Eu estava torcendo muito para que chegasse a 24 edições. A medida em que a série continuou, eu tentei planejar e estruturar as coisas de maneira que a revista pudesse terminar no fim de qualquer um daqueles arcos ou que pudesse continuar a ser construída. Construindo mais elementos dentro da série nós acabamos nos dirigindo para um final que não aconteceria se tivéssemos terminado nas edições 12 ou 24.

Terra Zero: Quando li sobre “Long live the King” pela primeira vez, imediatamente pensei naquela edição tie in “Book of Death: Fall of X-O Manowar” e aquela história maravilhosa sobre legado. Há alguma pista daquele futuro neste final de arco?

Venditti: Tem algumas pistas sim. Não muitas, mas definitivamente tem algumas.

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Capa alternativa de X-O Manowar #47. Arte: Phil Jimenez

Terra Zero: Aric começou como um escravo guerreiro de pavio curtíssimo e se tornou um sábio rei, um marido assim como um protetor da Terra. É difícil ver um personagem evoluir tão graciosamente nos quadrinhos atualmente. Como você vai do ponto “A” ao ponto “B” e estabelece esta evolução?

Venditti: Muito disto já foi construído no conceito geral anteriormente. Existia já um material muito bom para se começar a trabalhar. Quando você tem um personagem que vem século V e acaba nos tempos atuais, o potencial para evolução é muito aparente. O que eu queria era moldar tudo isto no contexto da nossa evolução do nosso conceito de herói. Enquanto no século V, o herói era aquele que poderia ser muito brutal no campo de batalha, correndo com um espada ou machado, massacrando o máximo de inimigos possível, nos dias de hoje, nós temos uma versão muito diferente de heroísmo. O grande arco de X-O Manowar é Aric partindo do herói que ele já era em seu tempo para se tornar um herói dos dias de hoje. Isto é uma das coisas que espero ter conseguido fazer na série.

Terra Zero: X-O Manowar #50 é a última edição deste volume da revista, mas como “Vida longa ao rei” pavimenta o caminho para o futuro de X-O Manowar no universo Valiant?

Venditti: Eu não posso dar detalhes sem dar spoilers, exceto dizer que esta edição definitivamente pavimenta o caminho para o próximo capítulo do personagem. Dizer como seria entregar o final do arco.

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Capa alternativa de X-O Manowar #47. Arte: David Lafuente.

Terra Zero: Existe algum momento específico ou edição desta sua passagem que te deixa mais orgulhoso?

Venditti: Minhas edições favoritas são os primeiros confrontos de Aric com Gilad, o Guerreiro Eterno, no arco Voltando para casa. Fiquei feliz com as sequências em flashback nas quais vemos Aric como uma criança bem nova, e testemunhamos sua relação com seus pais. Assim como a edição #0 de X-O Manowar com Aric como um adolescente, na qual os leitores esperam ver um guerreiro visigodo, mas ele realmente está inseguro consigo mesmo.

Eu também gosto do que fizemos com a Vinha. O que poderia ter sido um inimigo unidimensional se transformou em uma cultura completamente realizada na qual eles não pensam todos da mesma maneira e não agem da mesma maneira. Eles são todos diferentes um dos outros com agendas diferentes. Estas são as coisas que tenho orgulho de ter trazido para a Valiant.

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Capa de X-O Manowar #47. Arte: Kano.

Terra Zero: O que especificamente em X-O Manowar ajudou a enriquecer e melhorar seu ofício como escritor?

Venditti: Tudo. Eu nunca havia escrito uma série mensal antes. Isto foi realmente um campo de treinamento para mim. O editor chefe, Warren Simons, realmente me ensinou muito do funcionamento da indústria em termos de narrativa serial. Mas isto é arte… Eu nunca terei todas as respostas. Muitas vezes, na arte, não existem respostas. Tudo que posso esperar é continuar a crescer e me desenvolver como escritor.

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