[1924-2016] Jack Davis

Faleceu na última quarta, 27 de julho, o lendário cartunista Jack Davis, um dos fundadores da revista MAD. O ilustrador estadunidense tinha 91 anos e não foram reveladas as causas de sua morte.

Arte de Jack Davis.
Arte de Jack Davis.

Davis nasceu em 1924, em Atlanta, no estado da Georgia. Começou a carreira de cartunista cedo, por volta de 12 anos de idade, quando ganhou uma competição chamada Tip Top Comics. Após alguns anos de interrupção na atividade quadrinística, período em que serviu na Marinha dos EUA, Davis retomou seus traços e passou a trabalhar como freelancer para a EC Comics de William Gaines.

Em uma entrevista ao Wall Street Journal em 2011, Davis contou que passou por dificuldades para ganhar a vida como desenhista. “Eu estava prestes a desistir, ir para casa na Geórgia e ser um guarda florestal ou um fazendeiro”, contou. “Mas eu fui até Canal Street e Lafayette, entrei em um elevador velho deteriorado e atravessei a porta de vidro da EC Comics, onde Al Feldstein (editor) e Bill Gaines estavam colocando os livros de terror. Eles olharam para o meu trabalho, que era horrível, e me deram um emprego imediatamente!”.

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Inicialmente, o cartunista colaborou com publicações de horror, suspense, guerra e sci-fi, como Tales from the Crypt, Frontline Combat, Two-Fisted Tales, Piracy, Incredible Science Fiction, Crime Suspenstories e Shock Suspenstories. Todas essas revistas sofreram com a paranoia moralista iniciada por Fredric Wertham nos anos 1950, e viraram símbolos de resistência à censura do Comics Code Authority.

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Alguns anos mais tarde, Davis embarcou em um projeto de uma publicação de humor da EC Comics. O nome da revista era Mad. O autor colaborou com as trinta primeiras edições, retornou nos anos 1960 e trabalhou na revista até a década de 1990. Sua última capa para a publicação satírica foi em setembro de 1995.

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Davis também trabalhou no ramo de design de cartazes de cinema, animações e capa de discos. Entre seus trabalhos, estão os Jackson Five, um disco de Johnny Cash e o pôster do filme O Longo Adeus (1973).

Pôster de "O Longo Adeus" (1973), de Robert Altman. Arte de Jack Davis.
Pôster de “O Longo Adeus” (1973), de Robert Altman. Arte de Jack Davis.

 

Capa de "Everybody loves a nut" (1966), álbum de Johnny Cash ilustrado por Davis.
Capa de “Everybody loves a nut” (1966), álbum de Johnny Cash ilustrado por Davis.

O Terra Zero conversou com alguns colaboradores da MAD brasileira, além de outros criativos, sobre o legado deixado por Jack Davis, que sem dúvida foi um dos mais importantes membros da história da revista e das histórias em quadrinhos. Confira abaixo:

Raphael Fernandes, editor da revista MAD no Brasil

Raphael Fernandes, editor da revista MAD no Brasil.

Jack Davis é daquelas entidades que todo mundo acredita que nunca vão sair da MAD. Caras que parece que continuam presentes naquelas páginas, mesmo depois de morrerem, como Don Martin, Harvey Kurtzman, Will Elder, Dave Berg, Al Jaffee… quer dizer, o Al Jaffee ainda está fazendo as dobradinhas da MAD e, por incrível que pareça, está vivo. Tem NOVENTA E CINCO ANOS e continua bom de matar!

Pessoalmente, o Jack Davis é o elo perdido entre o mais macabro desenhista de terror clássico e o maior cartunista de humor de todos os tempos. Seus traços tinham vida própria e seus personagens estavam sempre a beira de um ataque histérico. Simplesmente, uma daquelas pessoas que a gente ama a primeira vista, mas não pode dar as costas um segundo.

Emerson Camaleão Carvalho – Ilustrador e capista da MAD Brasil

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Eu, de minha parte, não concordo com a morte dele. Acho que algumas pessoas devam viver pra sempre.

Jack Davis para mim é o maior. Eu confesso que gostei primeiro dele e depois da Mad. Se o Jack Davis desenhava o joelho de um menino, o joelho é realmente de um menino, se desenha um cavalo correndo, o cavalo realmente está correndo, se desenha uma pessoa levando um susto, a pessoa realmente ficou assustada, e por aí vai.

E o incrível que eu reconheço a influência dele em vários outros artistas. E sei que muita gente também reconhece a influência que ele teve em meus traços. É inevitável.

Agora, se é verdade mesmo que ele morreu, afirmo que ele está presente em cada artista que ele influenciou. Então eu pergunto, ele morreu?

Francisco Marcatti – Desenhista

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Sempre fui apaixonado por hachuras e foi esse aspecto do trabalho do Jack Davis que inicialmente chamou minha atenção. Mas seu trabalho é muito maior do que isso. É magistral. Uma única ilustração de Jack Davis tem mais ação e movimento do que a mais perfeita das animações em longa metragem.

Veja abaixo alguns artes com o marcante traço de Jack Davis:

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