[Review] Civil War II #2, de Brian Michael Bendis e David Marquez

Se nas primeiras edições de Civil War II já havia um enfoque bem reduzido em embates ideológicos fundamentados, a segunda edição da mega saga da Marvel veio para de fato reafirmar o quanto as motivações de seus protagonistas são pessoais. Confira o que o Terra Zero falou sobre as edições anteriores: #0 e #1.

Nesta edição descobrimos o quanto as repercussões da missão suicida da revista anterior afetaram Tony Stark. Em um rompante quase adolescente, o Homem de Ferro escalona a situação, que já era bem delicada, ao ponto de haver um incidente envolvendo a nação Inumana, ao sequestrar o jovem Ulysses e o submeter a métodos um pouco “desconfortáveis” de interrogatório. Tal atitude coloca grande parte dos Vingadores, os novos Supremos e logicamente os Inumanos contra Stark e leva Ulysses a uma nova visão – um terrível futuro para os heróis Marvel.

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O roteiro de Bendis nesta segunda parte da saga é muito mais fluído agora que a premissa já foi estabelecida. Alternando entre boas cenas de ação logo no início e discussões acaloradas (com seus diálogos sempre muito naturais) do meio para o fim da edição, o autor consegue envolver o leitor como em seus bons tempos de Demolidor e cultivar empatia entre os principais atores do elenco.

A atitude de Stark particularmente é 100% “Bendiana” – Alguém lembra de Ciclope em Fabulosos X-Men recentemente ou mesmo o Capitão América em Vingadores vs X-Men? Mas diferentemente destes casos, tal explosão inconsequente acaba se encaixando com o Homem de Ferro e nos lembra que, no fundo, o cara ali dentro da armadura é um sujeito extremamente impulsivo e emocional. Apesar de toda sua genialidade, ele toma decisões erradas o tempo todo por conta de seu gênio intempestivo. Com todo esse salseiro causado pela atitude de Tony, o roteirista consegue colocar o personagem em uma posição não tão favorável no conflito e dar certa razão para a postura da Capitã Marvel, que parece um pouco mais equilibrada emocionalmente nesta edição.

Adicionalmente, os Inumanos – particularmente Karnak e a Rainha Medusa –, são usados de forma muito eficiente nesta edição e tiram completamente o foco do roteiro de equipes já meio que saturadas como os Vingadores. Mérito para o autor, que consegue inserir este elenco de forma orgânica ao contexto geral deste universo. A visão de Ulysses ao final da edição é um gancho monstruoso (literalmente) e um presente para os fãs de um certo membro original dos Vingadores.

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Se o roteiro de Bendis evoluiu consideravelmente em Civil War II #2, a arte de David Marquez não fica para trás e dá um salto gritante de qualidade em relação à primeira edição. Logo de cara, nas cenas envolvendo o complicado elenco dos Inumanos em Nova Attilan, podemos ver nitidamente como o ilustrador domina a narrativa visual e transpõe o conflito proposto pelo roteiro de forma cinematográfica – como uma saga como essa pede. Diferente da edição anterior, há uma consistência enorme em todas as páginas de Civil War II #2. Com isso, podemos apreciar o quanto Marquez é brilhante em expressões faciais e fotografia dramática. E mesmo em cenas com muitos personagens, a caracterização não sofre queda de qualidade perceptível. Uma enorme evolução visual em relação ao início da saga e uma apresentação que dignifica os personagens envolvidos aqui.

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Civil War II #2 é uma grata surpresa após um começo morno e confuso. A segunda edição é extremamente emocional e movimentada. Aqui vemos que personagens que aparentemente podem ter razão em alguns pontos são levados a atitudes repreensíveis por conta de sentimentos de perda e angústia. Tal abordagem humaniza bastante o elenco inteiro e distancia um pouco esta Guerra Civil da original, que tinha motivações políticas mais acentuadas. A promessa em forma de profecia deixada ao final desta edição é aterradora e se for cumprida, pode de fato causar um impacto imenso no panorama da editora este ano. Com um roteiro que cresce em fluidez e ação e uma arte que finalmente diz a que veio, esta se torna a edição que finalmente põe a Segunda Guerra Civil super heroica da Marvel em uma caminho cinético, empolgante e assustador.

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