[Pitaco] Mudanças na DC Films ocorrem em um FLASH

Na última semana, a Warner Bros Pictures anunciou que o nígero-americano Rick Famuyiwa será o diretor do vindouro filme do Flash, estrelado por Ezra Miller. A falta de debates sobre o tema, em uma época de tão acaloradas manifestações de fãs, pode ter mostrado que:

1 – ou a internet pouco se importa com o personagem (o que é bem difícil, tendo em vista a popularidade da série protagonizada pelo velocista); ou

2 – poucos conhecem o diretor, e optaram por “fazer a Glória” e não opinar sobre o assunto.

O que pode ter passado despercebido é que a escolha por Famuyiwa vai ao encontro das mudanças que estão sendo promovidas na DC Films, que busca fazer filmes menos sisudos e mais divertidos.

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Rick Famuyiwa, diretor do filme do Flash…

 

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…e Ezra Miller, que interpreta Barry Allen na produção

O filme do Flash estava causando alguns problemas à Warner Bros. e à DC Entertainment. A saída do escolhido original para a direção, Seth Grahame-Smith, sob a famosa alegação das “diferenças criativas”, evidenciou os contratempos pelos quais o filme passava. Quando Geoff Johns assumiu o controle da DC Films, o assunto deu uma esfriada – muito provavelmente para que o novo comandante tivesse tempo de dar sua bênção à próxima escolha de comando criativo. Algumas semanas depois, Famuyiwa foi anunciado.

Confesso que, a princípio, a escolha me pegou desprevenido. Eu, assim como grande parte do público, não conhecia o trabalho do diretor. Mas como a matéria do Terra Zero falava que sua última produção, Dope – Um Deslize Perigoso, havia sido muito elogiada, resolvi aproveitar a oportunidade de conhecê-lo.

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Cena de Dope – Um deslize perigoso (2015).

Na trama, somos apresentados á Malcolm Adecombi (Shameik Moore), um nerd que vive em um bairro violento em Los Angeles e se desdobra entre provas finais, admissões acadêmicas, audições de clássicos do hip-hop e ensaios de sua banda de rock. Certa noite comparece a uma festa e, após uma confusão, volta para casa com a mochila cheia de drogas, o que o leva a arriscar novas maneiras de se dar bem. Os três protagonistas não são nada tradicionais: um homem negro, uma mulher negra e lésbica e um branco “14% africano”, nas palavras do próprio personagem.

Lotado de referências à cultura pop (mais especificamente ao Hip Hop dos anos 1990), piadas rápidas e múltiplos hiperlinks, Dope é um filme pensado para a Geração Y. A edição sofisticada e acelerada da produção parece ser direcionada exatamente para a geração de adolescentes e adultos nascidos a partir dos anos 1990, que não podem se sentir entediados sob o risco de dar aquela conferida no Facebook e não voltar mais à experiência cinematográfica.

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Ágil, inteligente e criativo, Dope é um filme que traz pesadas críticas sociais, principalmente sobre o racismo nos EUA. Mas nunca perde o propósito principal: divertir e fazer entretenimento de qualidade. Famuyiwa não se preocupa, em nenhum momento, em fazer cinema “de arte”, mas seu filme tem assinatura, personalidade e atitude.

Toda a experiência que tive com este filme me fez, inevitavelmente, a pensar em como seria um filme do Flash dirigido por este diretor. Seu estilo casa, e muito, com a estética das HQs, e não apenas pelas referências diretas durante o filme, mas sim pela capacidade de trazer maneiras inovadoras de apresentar informações. Famuyiwa abusa de telas de televisão, capturas do YouTube e memes para contar elementos importantes da história – e essa criatividade visual será importante tanto para representar os poderes do velocista escarlate, quanto para dar agilidade e urgência à produção. Sem contar que a capacidade do diretor de aliar os momentos de humor e de dramaticidade irá destoar das produções de Zack Snyder, sombrias e sem muito espaço para a diversão.

Today was a BLUR ?

Uma foto publicada por Rick Famuyiwa (@rickfamuyiwa) em Jun 6, 2016 às 7:45 PDT

As primeiras declarações de Geoff Johns enquanto mandachuva da DC Films apontaram exatamente para isso: uma recuperação o otimismo e a esperança nos filmes da DC. A opção de dar o filme do Flash, personagem popular e estratégico para a Warner Bros., para um realizador conhecido por fazer filmes mais despreocupados indica uma mudança no tom das superproduções baseadas nos heróis da DC Comics. A chacoalhada que os executivos da Warner estão dando na DC Films para recuperar a rejeição à Batman v Superman está mostrando resultados práticos nos rumos do estúdio, como troca de cargos e orientações claras de mudança na direção artística dessas produções.

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É certo que Batman v Superman não foi um desastre. Nenhuma produção que ultrapassa os U$$ 800 milhões em bilheteria poderia ser considerada como tal. Mas a sensação que ficou, tanto entre fãs quanto entre executivos da Warner, é que faltou algo ao pesado filme de Zack Snyder. A DC, que não pode perder tempo refletindo sobre as causas da má aceitação ao filme, já elegeu um responsável: a falta de bom-humor e de esperança – e isto é que está sendo combatido com a vinda de Famuyiwa, agora, e com a de Johns, antes disso.

Se as mudanças promovidas pelos mandachuvas da DC servirem para realizar boas produções, capazes sim, de nos fazer refletir, mas também para divertir e inspirar, elas serão bem vindas. Ainda mais que se tratando de universo compartilhado da editora nos cinemas, onde estamos apenas começando.

Há espaço para todas as abordagens no vasto UDC. Afinal, é de múltiplos ultiversos que estamos falando, não é mesmo?

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