[#ConexãoKrypton] Um Renascimento do Pós-Crise

Está acabando o mês de junho de 2016, e o Conexão Krypton ficou para o final. Aqui quem fala é o Grisa, chegando à esta coluna com um apanhado do começo de Rebirth para a família Superman!

O Vácuo de Kal-El

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Superman vol.3 #1. Arte de Patrick Gleason.

No universo dos Novos 52, o Superman está morto. Mas é necessária a correção: UM Superman está morto. Há outro na figura do Superman pós-Crise, com o qual muitos leitores hoje na faixa dos 25 a 30 anos de idade acostumaram-se. Aquele, mais do que os meros dez anos de experiência (e a predileção em matar alienígenas, porque não são humanos… er, nunca entenderemos, claro), tinha muito mais a dizer. E de forma mais intensa. O Superman pós-Crise foi reinventado por John Byrne, para o bem ou para o mal. Morreu, ressuscitou, teve mullet, perdeu o mullet, ficou inflado de bomba apocalíptica, usou preto, virou energia elétrica, dividiu-se em dois, voltou ao normal, casou com Lois Lane, foi correspondente internacional, viu outra Krypton surgir, foi controlado por Maxwell Lord…

As mortes, como a edição de apresentação Superman: Rebirth #1 mostrou, foram diferentes. O Kal-El do jovem universo, criado pela saga Ponto de Ignição, em 2011, morreu envenenado por kriptonita após perder seus poderes, dispersos com o uso da explosão solar, e realocados em outras fontes como um feixe de energia senciente – como Dany Swan, que precisou ser levado para a órbita da Terra antes que explodisse,  precisando ser contido pelo sacrifício deste Superman, que usou a explosão solar para impedir que a detonação de Dany afetasse a Terra.

Poucos presenciaram o fato: seu maior parceiro, Bruce Wayne, o Batman; Diana de Themyscira, a Mulher-Maravilha, que também foi seu amor; sua companheira de Planeta Diário e quem expôs sua identidade, Lois Lane; sua melhor amiga de Smallville, Lana Lang; o engenheiro John Henry Irons, inspirado pela ação do Superman para ser Aço; a prima dele, Kara Zor-El, a Supergirl… E Kal-El, o Superman de um universo que já não existe mais.

Renascimento

Esse Superman, o da continuidade que correu entre 1986, após a Crise nas Infinitas Terras, até 2011, quando o Ponto de Ignição fez surgir os Novos 52, foi um dos muitos personagens resgatados para a coleção de um Braniac que comandava suas contrapartes em todos os universos já conhecidos. O inimigo coletava cidades de universos moribundos para catalogá-los em Telos, um planeta senciente que existe fora do Multiverso. Assim, a Gotham City pós-Crise estava lá. Lois e Clark haviam ido realizar uma cobertura, e ficaram lá pelo ano que passou cronologicamente até que os domos desapareceram no começo de Convergência. Nesse meio tempo, sem poderes, eles finalmente puderam conceber um filho, que nasceu durante a história, escrita por Dan Jurgens e desenhada por Lee Weeks.

Capa de Superman: Lois & Clark #1. Arte de Lee Weeks e Scott Hanna.
Capa de Superman: Lois & Clark #1. Arte de Lee Weeks e Scott Hanna.

Após a saga, a família desse Kal-El teve de passar pela continuidade da Crise original junto com o Flash Barry Allen pré-Crise, a Supergirl dessa continuidade e o Parallax pós-Crise. Após impedir os eventos originais da Crise, restaurando as Infinitas Terras, eles partiram para os Novos 52, no qual chegaram quatro anos antes dos eventos das revistas regulares – mais especificamente, durante o primeiro arco da Liga da Justiça de Geoff Johns e Jim Lee, primeiro evento que reuniu os super-heróis desse universo. Ali, vestindo um uniforme preto, na série Superman: Lois & Clark, com Jurgens e Weeks também à frente, a família de um mundo que se foi resolveu atacar alguns problemas antes que ele surgissem, tais como a Intergangue e Hank Henshaw, que na continuidade anterior havia transformado-se no Superciborgue.

DC Universe: Rebirth #1. Arte de Ivan Reis e Joe Prado.
DC Universe: Rebirth #1. Arte de Ivan Reis e Joe Prado.

Quando dos eventos de DC Universe: Rebirth Special #1, escrito por Johns, não há um Superman em Metrópolis. O Clark Kent (agora White) que restou está na estrada, com Lois e seu filho Johnathan, quando conhece de forma súbita Mr. Oz, que já aparecia nas histórias do mesmo escritor desenhadas por John Romita Jr, na revista Superman. Para este kryptoniano, o enigmático personagem declara que aquela família não é quem eles pensam ser. Esta é apenas a primeira de muitas questões a serem levantadas nas revistas que seguem: se é assim, quem é este velho Superman?

Decepção

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Superman: Rebirth #1. Arte de Doug Mahnke.

Superman Rebirth #1 é uma revista escrita por Peter J. Tomasi e Patrick Gleason e desenhada por Doug Mahnke. Na história, visitando o túmulo do herói dos Novos 52 – notável a ausência de uma edição como Funeral Para Um Amigo – Superman encontra Lana Lang, sua melhor amiga, que está ali para roubar as cinzas de Clark para enterrá-lo em meio aos seus pais, Martha e Johnathan Kent. Nesta realidade, eles morreram anos antes de seu filho.

O Kal-El do universo anterior oferece ajuda, levando-a para a Fortaleza da Solidão. A esperança do Superman restante é a de que o local conte com uma Matriz de Regeneração, artefato kryptoniano que, em seu mundo, permitiu que ele voltasse dos mortos após o confronto com Apocalypse – que é também recontado nas páginas da edição. Entretanto, mesmo buscando no lugar de itens e troféus do Homem de Aço mais novo, eles não encontram a Matriz. A base de dados do local confirma que não há tal equipamento ali. Ou seja: não há método conhecido de trazer o herói dos Novos 52 de volta até o momento.

Superman #1. Arte de Patrick Gleason.
Superman #1. Arte de Patrick Gleason.

Seguindo para Superman #1, de roteiro de Tomasi e arte de Gleason, vemos que, ao mesmo tempo, nem tudo pode estar fechado para o Kal-El desta realidade. Ao interagir com o túmulo de sua contraparte em Smallville, o Homem de Aço pós-Crise percebe que vem uma luz azul do solo. Mais um mistério que, por enquanto, mesmo ele não tem como solucionar.

O Super-Filho

Johnathan White, sendo um híbrido de humano e kryptoniano gerado por Lois e Clark, tem poderes alienígenas como seu pai. Ele começou a manifestá-los para salvar a si e sua mãe de um armazém em chamas ao final da minissérie Lois & Clark. Ele resistiu às chamas como se não fossem nada; mais tarde, já em Superman #1, demonstrou que pode utilizar a visão de calor – da pior forma possível, matando uma águia e a gata Goldie enquanto tentava salvá-la.

Superman #1. Arte de Patrick Gleason.
Superman #1. Arte de Patrick Gleason.

O garoto, de apenas 10 anos de idade, está aprendendo, mas é duro consigo mesmo em relação ao uso de seus poderes. Após o incidente com o felino, ele subitamente se lembra que sim, sua família precisa sustentar inúmeras mentiras para poderem viver tranquilamente no interior: sua mãe é o Autor X, que investiga muitas pessoas e organizações que, no universo anterior, sabiam-se serem criminosas; seu pai secretamente é o Superman; ele precisa esconder os seus poderes, que já o causam culpa suficiente apenas por existirem; e todos precisam fingir que não vieram de um mundo que não existe mais. É um literal inferno para um pré-adolescente que, em situações normais, já teme sentir-se deslocado, sem encaixar-se.

Jon consegue usar superaudição pela primeira vez em um encontro de seu pai com a Mulher-Maravilha e Batman em frente à sua casa. Resta saber agora a conversa séria que o pai precisará ter com o filho e seus acessos de rebeldia – sem contar um Erradicador no meio do arco, aparentemente.

Onde havia um, há dois

Justice League #52. Arte de Tom Grummett.
Justice League #52. Arte de Tom Grummett.

Como explicou, no último dia 28 de junho, a revista Justice League #52, a capa do falecido Kal-El ficou em exposição no saguão do Planeta Diário. Lex Luthor, depois de ficar por algum tempo em Apokolips durante a Guerra de Darkseid, volta para a Terra com o objetivo de tomar o lugar de seu rival kryptoniano. Com uma armadura feita de uma Caixa Materna (semelhante às partes robóticas de Ciborgue, também membro da Liga), ele planeja ser um protetor tão bom ou melhor do que o Homem de Aço. Para isso, ele compra o Diário imediatamente para ter em seu uniforme a capa de seu predecessor. Seu maior objetivo? Trazer sua irmã, Lena Luthor, de volta do coma.

Action Comics #957. Arte de Patrick Zircher.
Action Comics #957. Arte de Patrick Zircher.

Assim, quando Action Comics #957 começa, com roteiro de Dan Jurgens e arte de Patrick Zircher, Luthor começa a agir como Superman, salvando funcionários mantidos como reféns por um grupo armado na empresa Geneticron. Depois de entregar parte do bando às autoridades, e antes de sair à caça dos remanescentes, o bilionário faz um pronunciamento em frente às câmeras de TV: já que não há um Superman no qual Metrópolis possa depositar sua confiança, ele promete tentar ser essa figura.

Tudo isso é visto por Clark, Lois e Jon de sua nova casa, ainda em uma fazenda. O herói titular da revista, ao confrontar as ideias cristalizadas em sua mente do que Lex Luthor era em seu mundo, e um humano igual a ele usando o símbolo da Casa de El, corre para pegar seu uniforme e confrontar quem ele julga ser um vilão. Surpreendido com o que avalia ser um impostor, Luthor inicia uma luta com Superman. Em meio à destruição, a carga que os assaltantes levaram da empresa anteriormente revela-se como ninguém menos que um Apocalypse desacordado. Mais ou menos ao mesmo tempo, surge, em meio à luta de Lex e Clark a máquina de matar kryptonianos e um certo repórter do Planeta Diário dado como morto: Clark Kent.

Action Comics #957. Arte de Patrick Gleason.
Action Comics #957. Arte de Patrick Gleason.

Em Action Comics #958, produzida pela mesma equipe, Superman choca-se em ver um Apocalypse que é idêntico em aparência ao ser que o matou na saga publicada em 1992. Por sua vez, Luthor auxilia na luta contra o monstro e confronta o Clark Kent que chegou ao local. Afinal, todos sabiam que ele e Superman, que agora está morto, eram a mesma pessoa! Kent simplesmente afirma que apenas “fez o que precisou fazer para sobreviver“.

Superman e Luthor continuam tentando deter Apocalypse enquanto resgatam civis. A atitude de Luthor começa a surpreender o krpytoniano, assim como a força, velocidade e inteligência do destruidor à frente deles. Se ele é mais poderoso do que quando a luta acabou com a sua morte, o que o Homem de Aço do pós-Crise pode fazer agora? Veremos em julho.

Action Comics #958. Arte de Patrick Zircher.
Action Comics #958. Arte de Patrick Zircher.

Falamos sobre estas e outras revistas, com mais opinião e teorias do que fatos, no último One-Shot. Confira! Até a próxima, Zeronauta!

PS: Não sabemos se o Superman dos Novos 52 irá voltar. Entretanto, Grisa breve voltará para falar dessas revistas, além de Super Sons, Supergirl, Superwoman e New Super-Man em outros artigos no Terra Zero, não necessariamente nesta coluna. Olhem para o céu internético!

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