[Terra 10] O que a DC “Acertô, Miserávi!”

Amanhã, quarta-feira (25 de maio), sai a primeira edição de Rebirth, que vai marcar o início de uma nova fase editorial da DC Comics. Em tese, o evento simboliza o fim dos Novos 52, reformulação que estabeleceu uma relação de amor e ódio com os decenautas durante os últimos cinco anos. E nenhuma relação que dura tanto tempo é facilmente esquecida, não é mesmo?

Mas mesmo com os erros, também vieram muitos acertos, naquelas vezes em que a DC…


ACERTÔ, MISERÁVI!

Para marcar essa troca de gerações da DC Comics, os tenazes articuladores do Terra Zero prepararam uma seleta lista daquilo que corresponde à NATA dos Novos 52 e do DC You, separando para você aquilo que deve ser lido e apreciado pelos antigos e novatos Zeronautas. Com vocês, o TERRA 10 DOS NOVOS 52!


Brunão (que é seletivo e escolheu 8)

Cyborg: Apesar da revista ter diversos problemas, ela cumpre magistralmente a função de corrigir os erros que a DC cometeu com o Cyborg quando decidiu que este seria o principal personagem negro da editora. Entra na lista por ter encontrado uma maneira de transformar o eunuco depressivo e subserviente do começo da iniciativa em uma power-fantasy digna de figurar entre os medalhões de igual para igual.

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Cyborg de Ivan Reis.

Green Arrow, fase de Jeff Lemire: Uma guinada de estilo que dá nova vida à versão Novos 52 do Arqueiro, cria uma ambientação e uma mitologia interessantes e traz de volta pelo menos parte do carisma do personagem.

Batman & Robin Eternal: Cassandra Cain bate em pessoas. (Tem outros personagens lá também, mas não importa).

Action Comics, fase de Grant Morrison: Apesar de todas as perdas que o Super-Homem sofreu à época do reboot, essa revista resgata uma característica essencial do personagem, a de ser um defensor das pessoas comuns, desprivilegiadas, esquecidas. E faz isso sem deixar de lado lutas com robôs gigantes.

Wonder Woman de Brian Azarello e Cliff Chiang: Apesar de algumas decisões questionáveis, esse título cumpriu com louvor a difícil tarefa de trazer a Mulher Maravilha de volta à relevância após os trinta anos em que ela foi editorialmente mantida como um Mary Sue virginal e estática, e fez isso contando apenas com excelência na execução.

Multiversity: Cada época, estilo e conceito que compõem não só a DC com a indústria de quadrinhos de Super-Heróis no geral estão aqui, e tudo se resolve com um crossover de universos, soco de massa infinita de 52 Flashes, um cubo mágico e Ubber-Odin. Tem edições incômodas e edições que te põem um sorriso no rosto, mas no fim de tudo é sobre o que super-heróis são, podem ser e, principalmente, devem ser. Por fim, Superman negão > Superman padrão.

Midnighter: Se o Stormwatch falhou por causa de escritores e editores que não entendiam a proposta da WildStorm, Steve Orlando redimiu todos aqueles personagens (e outros) no título solo do Midnighter. Sci-Fi absurdo, porradaria desenfreada, os melhores diálogos vistos na DC em muito tempo e uma revista que não tenta em ponto nenhum ficar no armário.

Grayson: Num conceito completamente inesperado, King e Seeley pegaram a última caracterização bem sucedida de Dick Grayson, deram continuidade a diversos conceitos do Morrison – que ocasionalmente eles iriam revisar, explicar e expandir (!) – e criaram uma trama de espionagem, ação ininterrupta e diálogos memoráveis, re-estabelecendo Grayson ao status que ele possuía dentro do universo pré-Flashpoint sem poder contar com o peso da história do personagem. Pontos bônus por explorar com humor o status de sex symbol masculino do DCU do Dick.

Grayson de Tom King.
Grayson de Tom King.

Erika (que é mais seletiva ainda e escolheu 5)

Superman: Se por um lado tivemos o pior de Superman, também tivemos a volta do herói de Shuster e Siegel que protege os incapazes de se defender, donas de casa que apanham do marido bêbado, operários injustiçados de seus chefes e empresários corruptos, o homem comum do governo e a terra de aliens. Vimos o Kalel da Krypton-23 que, enquanto Kal-El da Krypton-0 é o mais distante do Superman ideal, até onde se sabe, Calvin Ellis é o melhor Superman já escrito em todos os tempos. Temos Superman desenhado por Romitta Jr! Temos Geoff Johns escrevendo um Superman amável. Temos Yang escrevendo a história do supremo-imigrante em Verdade, temos um belo superHOMEM.

Mulher-Maravilha: Brian Azzarelo transformou a mulher maravilha em relevante para o publico dos quadrinhos novamente. Temos uma mulher comum; filha de pai e mãe; semideusa deificada para Deusa da Guerra. Temos a subversão de Ares em parceiro e tutor de Diana, os belos desenhos não sexualizados de Cliff Chiang, uma releitura orgásmica dos Dodekatheon que fica em segundo lugar somente para os feitos de Rick Riordan (Os Heróis do Olimpo, Apollo) ou Neil Gaiman (Deuses Americanos, Os Filhos de Anansi). mesmo o casal Super/Wonder é salvo por um gibi que é efetivamente bem desenhado, bem escrito e divertido de ler! Mesmo o casal Finch conta uma história amável em que Diana tem que ser deusa, amazona e mulher, que pode falhar visualmente, mas que se salva em roteiro. E, é claro, a ideia de ter Diana Prince como super-heroína europeia é fantasticamente divertido.

Aquaman: Geoff Johns reestruturou Laterna Verde (Hal Jordan) com Renascimento. Geoff Johns construiu uma narrativa apavorantemente boa em Flash (Wally West) em que da vida a galeria de vilões e coadjuvantes do velocista já canonizado por Mark Waid. E em Aquaman, Geoff Jhons faz as duas coisas. É realmente uma das melhores passagens do personagem, se não a melhor dele sem barba.

Aquaman de Ivan Reis.
Aquaman de Ivan Reis.

Convergência: É aqui que a Marvelização do Universo DC funciona e o melhor de Guerras Secretas se junta ao melhor de Crise nas Infinitas Terras. Temos um evento cósmico macro, pequenas aventuras micro, a volta de personagens amados, e o “Crisisover” entre Morrison-Hickman funciona em seu melhor. No final, a Crise nunca aconteceu, e tudo é verdade, tudo é permitido, todas as histórias valem, e todos ganham. Bom, todos, exceto os velhos que não leem gibis e reclamam de qualquer mudança, mas quem não gosta de um hater de vez em quando pra dar umas boas risadas?

Multiversidade: Carinhosamente apelidada no Brasil de Multiverso DC (por razões que fogem a compreensão mesmo de Rabum Alal), a história se mescla com Convergência e Crise Final para ser a “Crise que Deu Certo”, sendo uma crise ao contrário, uma Anti-Crise. Tenha certeza de nada, e se permita aproveitar o melhor e pior do multiverso.


Igor Tavares, o breve

MID-FUCKING-NIGHTER, Demon Knights, Dial H, Flash (Manapul e Buccelatto), Homem-Animal e Monstro do Pântano (Snyder e Soule também), Liga 3000 e Liga 3001, Omega Men, Grayson, Mulher-Maravilha (Azzarello), Multiversity – foram mais de 10 acho… Foi mal. (N.E.: a gente perdoa, Igor!)


Joacelio Batista

Wonder Woman do Brian Azzarello é de longe o melhor run do período. A revitalização da personagem e seu elenco coadjuvante me fez ler histórias da Diana como nunca.

Multiversity: Pax Americana entra pro hall das melhoras coisas que o escocês careca já fez. Um clássico.

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Cena de Pax Americana. Arte de Frank Quitely. Divulgação: DC Comics.

Jeff Lemire também deixou saudades onde passou. Em Arqueiro verde ele conseguiu o que parecia impossível, transformar o arqueiro verde dos Novos 52 numa revista a ser lida e relida.

Homem Animal do Lemire, juntamente com com o Monstro do Pântano do Snyder, deram uma mexida bacana no lixo do Moore.

Action Comics do Morrison. Pena que cagaram tudo depois.

Os tiros no escuro que o DC You deu e que acabaram por acertar em cheio, como Canário Negro, Dr. Fate, Omega Men, etc…

JLA do Brian Hitch resgatou o gosto de ler um gibi da Liga.

E a arte do Francis Manapul… esse cara desenha muito.


Leandro Damasceno

Logo no comecinho, eu gostei de DC Presents Deadman, do Paul Jenkins e Bernand Chang. Um personagem que acho complicado de escrever e que ganhou um história bem interessante.

A primeira fase do Deathstroke, do Kyle Higgins e Joe Bennett, era uma ótima revista de ação. Lembrava aqueles roteiros do Larry Hama dos anos 90. Só diversão e aventura.

Eu não conhecia o Ressurrection Man, então foi um surpresa bem interessante. Personagem cheio de possibilidades que nunca foi alugar nenhum. Roteiros da dupla DnA e desenhos de Fernando Dagnino.

Batman, de Scott Snyder e Greg Capullo. Sou fã do Capullo e lerei qualquer coisa que ele desenhar. Eu li Spawn durante anos por causa dele, porquê não leria Batman?

Batman and Robin: Porque era boa mesmo.

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Mulher-Maravilha: um atestado à qualidade da execução de uma obra. Não é “se construir, eles virão”. É “se fizer bem feito, as pessoas virão”.

Grayson: porque gato gostoso.

Batgirl: escolhi Batgirl para representar o DC You, que foi, pra mim, a melhor coisa da DC dos últimos tempos.

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Animal Man: Assim como a Batgirl, escolhi meio que representando as coisas que o Lemire fez no começo dos Novos 52. Acho que ele foi um dos poucos roteiristas que entendeu a proposta e pensou coisas novas ao mesmo tempo em que respeitou o legado. Frankenstein, Agent of S.H.A.D.E. foi bem legal também.

Justice League 3000 e 3001: excelente diversão para todo mundo. Sério. Pega qualquer um dos arcos dessas séries e vai ler quadrinhos com um sorriso no rosto.


Marcelo Grisa

Eu, Vampiro era melhor até que a Liga Dark. Fialkov, Sorrentino e Marcelo Maiolo começavam a mostrar ali que são um dos grandes times criativos em atividade hoje.

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Eu, vampiro. Arte de Andrea Sorrentino. Divulgação: DC Comics.

Legends of Tomorrow traz quatro minisséries que não venderiam muito e dá muito mais visibilidade para o trabalho. Destaque para Sugar & Spike, a maior surpresa, com texto de Keith Giffen e arte da brasileira Bilquis Evely.

Action Comics foi boa não só pela fase Morrison, como também pelas edições com Greg Pak escrevendo. Talvez a revista mais consistente dos últimos cinco anos na DC.

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Action Comics. Arte de Rags Morales.

Cavaleiros do Demônio mostrou que dá pra ter HQ arturiana na editora para todo o sempre que seria bom igual. Queria que voltasse ontem.

Homem Animal do Jeff Lemire trouxe a melhor fase do personagem depois do próprio Morrison. Simples assim.

Lanternas Vermelhos começou com boas histórias do Milligan e terminou dando um papel bem construído, apesar de escanteado, ao Guy Gardner, que sempre fora um personagem meio perdido depois dos anos 90 acabarem.

JLA do Bryan Hitch é a melhor coisa da Liga em uma década. Pode até parar de desenhar depois disso se continuar assim nos roteiros.

Academia Gotham mostra que dá pra ambientar uma história em estilo mangá no Universo DC sem precisar ofender a inteligência de ninguém, muito menos criar um mangáverso – estou falando de você, Marvel.

Arte de Brenden Fletcher.
Arte de Brenden Fletcher.

Liga da Justiça 3000 é o revival da Liga da Justiça Internacional do pós-Crise. É linda pelo roteiro que zoa o tempo todo e pela arte do Howard Porter, o desenhista renascido das cinzas de sua carreira.

Só pra fechar 10, leiam Superman: Lois & Clark. Dan Jurgens, depois de fazer a melhor minissérie de Convergence com o seu Superman pré-Flashpoint, leva a sua vinda para os Novos 52 a um outro nível. Você PRECISA ler isso antes de Rebirth, caro leitor.


Matheus Teixeira

Grayson – Tom King é rei.
The Flash (fase Manapul/Bucelato) – Me fizeram acreditar que um gibi bom com o Barry Allen era possível.
Mulher-Maravilha do Azzarello – Um dos melhores takes na Amazona das últimas décadas. Forte, corajoso e mexendo com vários conceitos maneiros da mitologia grega.
Homem Animal – Na fase inicial do Lemire era simplesmente imbatível como a melhor HQ do reboot.


Pab StarMento

Homem-Animal: Uma história de horror muito bem feita. Resgatou os conceitos da pré-Vertigo de uma forma muito interessante. Jeff Lemire e seus comparsas criar uma aventura que envolvia misticismo, heroísmo e personagens muito carismáticos.

Mulher-Maravilha, fase Azzarello e Chiang: A Deusa da Guerra chutando bundas e mostrando como a personagem ainda tem muita lenha para queimar no seu universo.

Demon Knigths: Personagens quebrados trabalhando para vencer os demônios na idade média! Uma história de fantasia que tem ótimas viradas de roteiro.

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Demon Knights. Arte de Bernard Chang.

Arqueiro Verde, fase Lemire, Sorrentino e Maiolo. Esse trio me fez acreditar que o Arqueiro Verde poderia ser grandioso novamente. Uma reconstrução do personagem que vai marcar por muito tempo a cronologia do personagem.

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Arqueiro Verde de Andrea Sorrentino.

Grayson: A história mais surpreendente que apareceu nos Novos 52. Mesmo nascendo de uma ideia estaparfúrdia, conseguimos ler um dos melhores momentos de Dick Grayson. Espionagem e muito pew wee kaboom nas páginas.

Midnighter: O DC You abriu com esse petardo na sua cara! O “Batman” da Wildstorm se tornou um personagem ainda mais interessante com essa mensal. Histórias de muita ficção cientifica, kung fu e sangue… com uma pitadinha de romance.

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Midnighter. Arte de Aco.

Batgirl de Cameron Stewart, Brenden Flechter e Babs Tarr: Uma releitura da Batgirl que sinalizou para os leitores da DC que nem tudo precisa ser triste no universo em que eles vivem. A personagem cresceu e mostrou uma faceta que até agora não era muito trabalhada pelos seus roteiristas.

Batman e Robin: A melhor revista da linha do Batman por muito tempo! Tomasi e Gleason fazendo você chorar em edições sem texto vai ficar marcado por muito tempo na minha memória.

The Multiversity: Morrison e seus amiguinhos explorando o multiverso! Quer algo mais? Talvez 13 horas de ComicPod podem te impressionar.

Outros títulos que vale citarmos: Batwoman, The Flash de Manapul/Buccellato, Aquaman, Action Comics Morrison e Pak.


Ruy, o Renegado

Wonder Woman do Azarello: Eu não gostei de certas coisas, mas foi realmente uma fase muito boa e visionária.

Aquaman do Geoff Johns: Faz tempo que o Aquaman precisava de histórias boas e não se via algo assim desde que o Peter David o escrevia.

Green Arrow depois da saída do Krul e do Jurgens: As histórias e caracterização do personagem melhoraram muito. E os desenhos ficaram épicos! Mesmo depois da saída do Lemire as histórias continuaram boas.

Batman Eternal: História ótima, com ótimos desenhistas. Uma trama envolvente e a atuação de toda a batfamília.

Batgirl de Babs Tarr.
Batgirl de Babs Tarr.

Batgirl: Conseguiram criar um excelente elenco de apoio pra Batgirl com histórias ótimas e essa fase é um divisor de águas pra personagem.

Superman / Wonder Woman: Mesmo detestando o romance entre Superman e Mulher-Maravilha, curti muito essa revista. Adorei o embate entre o casal de heróis e o General Zod e Faora. E adorei a caracterização da Circe.

Legends of Tomorrow: Finalmente apareceu o Metamorfo, não o víamos desde o começo dos Novos 52, quando ele foi substituído por uma nova Garota-Elemento. E eu adoro os Homens Metálicos, embora seja a última história da revista, é sempre a que eu leio primeiro.

Convergence – Superman: Confesso que não gostava muito do Jurgens escrevendo, mas em tempos desse Superman dos Novos 52, ele escrever uma história tão boa assim do Superman.

Convergence – Shazam!: Essa história lembrou aos leitores mais novos porque a Família Marvel vendiam tanto na Era de Ouro. Demonstrou que os valores desses heróis nunca se tornam antiquados numa história inesquecível.

Convergence – Plastic Man and the Freedom Fighters: É sempre um prazer ler uma história com o Homem-Borracha, ainda mais uma com os Combatentes da Liberdade clássicos. Eles mostraram que não importa o quanto as coisas estejam ruins, sempre há luz no final do túnel, depois da tempestade sempre vem a bonança.

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