[Jab] 4001 A.D. #1, de Matt Kindt e Clayton Crain

Maio marca a estreia de 4001 A.D., a nova saga super-heroica neste emergente universo Valiant. A proposta da editora para este primeiro evento em 2016 é aproximar seus leitores cativos e novos entusiastas da rica mitologia nipônico-futurista de Rai, personagem que já tinha seu título próprio desde 2014. Para tanto, os autores deste reboot, Matt Kindt e Clayton Crain, que trabalham no título desde sua estreia, preparam um grande evento dentro deste universo compartilhado.

4001 A.D. tem um formato simples: Trata-se de uma minissérie principal em quatro partes, publicada mensalmente de maio a agosto. Adicionalmente, temos mais quatro edições únicas com histórias neste contexto. Estas edições são protagonizadas por personagens emblemáticos da Valiant, como X-O Manowar, Bloodshot e Shadowman, além de uma edição especial apresentando uma nova personagem feminina na editora. Durante os meses de publicação, 4001 A.D. faz um tie-in com o próprio título do guerreiro Rai, nas edições 13 a 16 da mensal.

4001 A.D. nos transporta para o futuro distante do universo Valiant, especificamente tratando do continente chamado Novo Japão – uma ilha flutuante (que é o antigo continente japonês) orbitando ao redor da Terra e governada por uma inteligência artificial. No meio disso temos Rai, o guerreiro de uma antiga dinastia de seres semissintéticos, que é considerado o guardião espiritual do Japão e recentemente se rebelou, retornando à Terra.

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A primeira edição de 4001 A.D. tem o árduo trabalho de ambientar o leitor leigo a este universo cheio de nuances e de uma mitologia muito bonita e abrangente. Isto é feito através de textos curtos e salteados em três páginas de recapitulação, logo no início do gibi, O design muito elegante dessas páginas é do artista David Mack (responsável pelas belas capas de Alias, da Marvel, entre outros trabalhos). Logicamente você não vai terminar de ler a introdução e se tornar um especialista no novo Japão do século 41, mas as informações fornecidas pelo corpo editorial são suficientes para embarcar na história que segue.

É bom se preparar para uma verdadeira montanha russa, pois o roteiro de Matt Kindt que segue a recapitulação é bastante econômico na exposição e vertiginosamente acelerado. Em duas ou três páginas o leitor entende visualmente o que é mais ou menos o continente flutuante nipônico e logo em seguida o roteiro já engrena. Pontualmente o roteirista usa falas da entidade sintética governante, chamada Pai, e da jovem revolucionária Lula Lee para elucidar pontos chave da trama. Entretanto, trata-se de uma linha narrativa que não perde tempo introduzindo ninguém. Kindt consegue manter um equilíbrio delicado ao apresentar abruptamente o próprio Rai, a versão do século 41 de Gilad, o Guerreiro Eterno, e o gigante Lemur. Não satisfeito com toda esta inércia narrativa, Kindt já emenda em conceitos relacionados à icônica armadura Manowar neste futuro e um conflito de proporções enormes já se inicia em 4001 A.D.. Quando o leitor se dá conta do que aconteceu, a edição termina em um clímax megalomaníaco digno de uma grande aventura de ficção futurista. É possível perceber que os conceitos do escritor aqui são bem profundos, mas que ele não se prende a detalhes para não alienar a grande massa. Dessa forma, a narrativa torna-se fluída e os acontecimentos tem muito mais destaque que a exposição.

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A arte de Clayton Crain é única. Quem já se deparou com o trabalho do cara sabe disso. Em 4001 A.D., trabalhando com uma estética que ele mesmo criou nas mensais de Rai, o ilustrador está em casa. O estilo metalizado e cintilante que lhe é característico está ali em toda a sua glória. O artista transita com uma naturalidade impressionante entre o utópico continente flutuante e o decadente planeta Terra. A caracterização do elenco é orgânica e compõe os ambientes ao invés de ofuscá-los. No entanto, quando há necessidade de destacar algum elemento visual específico, o artista é matador e demonstra com quantos robôs gigantes se faz uma cena de luta japonesa. Em linhas gerais, um tipo de arte que você dificilmente vai encontrar em qualquer outra publicação nas bancas neste mês. Um trabalho extremamente caprichado que só engrandece o roteiro de Matt Kindt.

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4001 A.D. ironicamente é uma saga que se passa no século 41 mas começa mostrando dinossauros. Isso já é suficiente para chocar quem pega esta primeira edição para ler. Os conceitos grandiosos de Matt Kindt servem de pano de fundo para um início de arco que não enrola em momento algum. Pouca exposição, muita objetividade e ação, além de uma arte de tirar lágrimas dos fãs mais ardorosos de ficção futurista, garantem a esta estreia uma inesperada inércia e um impacto final enorme. Se o objetivo do corpo editorial da Valiant era arrendar fãs para a rica mitologia de Rai, este aqui é um puta cartão de visitas. Sejam bem-vindos ao Novo Japão.

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