[#Pitaco] Supergirl, nós te amamos!

Supergirl teve sua primeira temporada encerrada nos Estados Unidos há pouco mais de uma semana. Em um dos melhores finais de temporada de uma série baseada em quadrinhos – pelo menos para este que vos escreve –, o programa arrebatou cerca de 6,1 milhões de telespectadores em seu último episódio, Better Angels, um número considerado bom para o canal CBS no horário nobre. Ano passado a Garota de Aço teve uma estrondosa estreia de 12 milhões de telespectadores, mas a queda já era esperada. Todavia, uma dúvida ainda paira nas mentes dos fãs: será que ela volta?

Produtores e fontes dentro da CBS garantem que uma segunda temporada de Supergirl já é tida como certa. Por outro lado, o canal não confirmou nada, o que tem deixado fãs apreensivos, não apenas pelo pecado que seria tirar um programa dessa qualidade do ar, mas também pelas possibilidades narrativas que ele abriu no mundo dos super-heróis da TV.

Jessica Jones e Supergirl. Montagem feita pelo Washington Post.
Jessica Jones e Supergirl. Montagem feita pelo Washington Post.

Supergirl e Jessica Jones fazem parte de uma completa mudança de paradigma na narrativa super-heroica em outras mídias. Não apenas por serem focadas em personagens femininas fortes e batalhadoras, mas também por inserções certeiras no roteiro que fazem o telespectador pôr a mão na consciência e entender conceitos como representatividade e empoderamento. E o mais legal: ambos os programas, mesmo sendo completamente diferentes, são extremamente divertidos!

Aliás, vale destacar que há alguns meses, Melissa Benoist (Supergirl) e Krysten Ritter (Jessica Jones) se declaram fãs uma da outra nas redes sociais, o que não apenas ajuda no marketing de seus programas e até pessoais, mas também mostra aos fãs mais dedicados de Marvel ou DC que não há razão para “batalhas futebolísticas” entre as editoras – o legal mesmo é poder curtir o que as duas oferecem de melhor.

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E já que estamos falando do que é melhor, o final da temporada de Supergirl foi realmente muito bom. Digno do final de The Flash, cuja primeira temporada foi só elogios entre os fãs. Além de enfrentar a ameaça da Miríade, o plano dos kryptonianos de retomar Krypton no planeta Terra, a Garota de Aço combateu seus inimigos enquanto o roteiro ainda lidava com temas como amizade, poder feminino – afinal, o Superman foi pego pela Miríade e a Supergirl, não – e força através da união. Mais do que usar os punhos, a Garota de Aço usou o cérebro. Esse é o verdadeiro valor de um super-herói, ele pensa à frente das pessoas comuns e por isso nos salva dos piores perigos.

Claro que um final como esse tem muitas referências ao filme O Homem de Aço, de 2013. Assim como o Superman daquele filme impediu o General Zod terraformar a Terra para transformá-la em um Novo Krypton, Supergirl impediu que toda a raça humana fosse tomada pelo poder da Miríade, o plano definitivo dos kryptonianos que sobreviveram para tomar o planeta para si. A grande diferença está na forma como cada herói impediu seus respectivos vilões. Kara Zor-El teve classe.

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Enquanto Superman e Zod destruíram boa parte de Metrópolis na batalha – e entenda que eu sou do time que não culpa o Homem de Aço por isso, ainda que um pouco mais de responsabilidade e cuidado pela parte dele caíssem bem –, sua prima, com a ajuda do Caçador de Marte, conseguiu proteger National City e acabar com o plano dos kryptonianos. É isso que se espera de heróis tão poderosos como ela, e isso caiu muito bem na narrativa do programa. Supergirl é a luz, é o sorriso.

Aproveitando o ensejo, vale comentar a dinâmica da protagonista e do sidekick. Por mais que seja incrível para os fãs ver um Caçador de Marte de verdade na TV, com direito a transmutação e superpoderes, o personagem nunca passa do limite de ajudante. A preocupação da produção do programa é tão grande em deixar uma protagonista feminina tomar conta da coisa toda que nenhum personagem masculino toma à frente.

Supergirl enfrenta a personagem de Laura Vandervoort, a ex-Supergirl da série de TV Smallville.
Supergirl enfrenta a personagem de Laura Vandervoort, a ex-Supergirl da série de TV Smallville.

Isso é muito legal, pois mostra o esforço dos produtores de fazer com que a Supergirl realmente seja um meio de fazer com que homens se conscientizem da igualdade de gêneros sem que isso soe catequização forçada. É tudo muito natural e Melissa Benoist carrega o manto da heroína como se tivesse nascido para isso.

Fora isso, há as inúmeras referências ao Universo DC. Não somente ao Superman, mas também a alguns de seus vilões e outros personagens dos quadrinhos, como Tornado Vermelho, Maxwell Lord, General Sam Lane etc. Há um certo nível de “tosqueira” nos vilões, que muitas vezes usam próteses de borracha e efeitos bobos para nunca deixarem a galhofa ser substituída pela ameaça. Isso vem da escola Doctor Who de vilões, o que é uma ótimo referência. Por outro lado, os dramas dos personagens principais são sérios, palpáveis, envolvendo busca por identidade, redenção, adaptação social etc.

Supergirl na Fortaleza da Solidão.
Supergirl na Fortaleza da Solidão.

Sinceramente? Com tanta coisa legal assim, a Supergirl precisa ser renovada. Nós a amamos e estamos de dedos cruzados torcendo pela sua volta!

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