[#Review] O Coração do Cão Negro, de Alcázar e Rubim

Depois de alguns meses liberando teasers de vários lançamentos em seus canais nas redes sociais, a Avec Editora enfim colocou no mercado a graphic novel O Coração do Cão Negro, dos brasileiros Cesar Alcázar e Fred Rubim. Ambos os profissionais estão envolvidos com o mercado editorial brasileiro e até internacional há algum tempo – Alcázar é editor na Argonautas Editora, tradutor e autor de livros e contos em português e em inglês; Rubim, por sua vez, é ilustrador freelancer.

Fãs do gênero “espada & magia”, Alcázar e Rubim produziram a HQ O Coração do Cão Negro, primeira parte da antologia Contos do Cão Negro. O personagem que empresta seu nome ao título do volume tem muitas semelhanças com Conan, o Bárbaro, uma referência que nenhum dos autores quis esconder e que é, na verdade, um ponto muito positivo no trabalho da dupla. Influente em vários sentidos para a ficção fantástica do século 20, Conan, a criação máxima do falecido autor pulp Robert E. Howard, é adorado por multidões ao redor do muito, uma verdadeira inspiração para as mentes mais férteis que amam fantasia, jogos de RPG etc.

Página de O Coração do Cão Negro por Fred Rubim.
Página de O Coração do Cão Negro por Fred Rubim.

Na trama de O Coração do Cão Negro, o mercenário irlandês Cão Negro de Clontarf, um gaélico criado entre os Vikings, é um renegado condenado a não fazer parte de nenhuma cultura por viver entre duas tão distintas. Seu nome é Anrath e seu passado o persegue enquanto ele tenta encontrar o artefato Coração de Tadg para um mercenário inglês. O que o Cão Negro não imagina é que esta busca o levará a vinganças e traições, principalmente depois de ficar cara a cara com Ild Vuur, o Viking.

Uma primeira olhada do leitor mais atento causará familiaridade; Clontarf existe de verdade e hoje é um subúrbio ao norte de Dublin, capital irlandesa. No passado, porém, o local foi palco de uma grande batalha entre a Irlanda, comandada pelo rei Brian Boru, e os Vikings, aliados aos irlandeses de Leinster, uma província local. Outras referências deste calibre serão facilmente encontradas durante a leitura.

Em um cenário verossímil e envolto do misticismo típico dos contos de magia, a história de Alcázar e Rubim tem alicerces suficientes para se construir firmemente, e ela o faz. A HQ é um bom trabalho, ainda mais se for levado em consideração que esta é a primeira publicação conjunta da dupla.

Para fãs do gênero “espada & magia”, não há novidades na história; estão lá feiticeiros, trolls, grandes campos abertos para épicas batalhas e (muitas) amarduras. O leitor, na verdade, não deve procurar novidades nesse sentido, mas sim perceber que os clichês do gênero podem ser usados para uma história inédita. Esta é a verdadeira graça de O Coração do Cão Negro. Anrath, seu protagonista, em muito se assemelha aos seus predecessores do gênero, mas certamente guarda segredos nunca vistos antes.

Por fim, com bom roteiro e arte correta e respeitosa ao gênero, O Coração do Cão Negro é uma boa HQ de fantasia e mostra que o estilo ainda tem força no Brasil. A Avec acertou em cheio ao colocar a obra no mercado.