[#Review] Capitão América 3: Guerra Civil

Finalmente Capitão América 3: Guerra Civil está chegando aos cinemas. Demorou um bocado desde que o anúncio foi feito em 2014, há pouco menos de dois anos. Anos esses que, verdade seja dita, parecem distantes dado o aumento impressionante da indústria de super-heróis em outras mídias. Só a Marvel Studios lançou três filmes antes de Guerra Civil chegar; a Warner Bros., após uma longa pré-produção, colocou no mercado Batman vs Superman – A Origem da Justiça e está a poucos meses de mostrar o Esquadrão Suicida ao mundo.

Capitão América 3: Guerra Civil vem na esteira dos acontecimentos de Vingadores 2: A Era de Ultron e, apesar de ser um terceiro filme do herói bandeiroso, o consenso dos fãs e críticos ao assistirem aos trailers foi de que o filme tinha cara de “Vingadores 2.5”. E tem mesmo. Com cerca de 2h30 de narrativa, Guerra Civil tem uma trama focada apenas no Capitão América, mas a impressão de continuação de A Era de Ultron está lá.

Pôster de Capitão América 3: Guerra Civil. Reprodução.
Pôster de Capitão América 3: Guerra Civil. Reprodução.

Atenção: esta resenha NÃO terá spoilers pesados, mas algumas coisas da trama mostradas nos trailer serão brevemente comentadas aqui. Se achar que isso não estragará sua experiência como espectador, Zeronauta, siga por sua própria conta e risco!

alerta-spoiler

Como desafios esse filme tinha que (a) ser um filme do Capitão América e (b) mostrar uma Guerra Civil acontecendo de verdade. Ainda que o longa tenha tudo para divertir fãs de carteirinha do estúdio e de suas produções, nenhum dos pontos foi justificado. A produção não é bem um longa do Capitão América, tampouco tem ramificações palpáveis de uma verdadeira Guerra Civil. Na verdade, a sensação que se tem no final do filme é muito semelhante à de assistir a Batman vs Superman – trata-se de um recorte de eventos com edição complicada, praticamente uma coleção de bons momentos espalhadas por um filme regular cujo apelo perante o público é unicamente o quanto o espectador ama os personagens e se diverte com suas histórias.

Anthony e Joe Russo, que dirigiram Capitão América 2: O Soldado Invernal e que dirigirão os próximos dois filmes dos Vingadores, são os comandantes de Guerra Civil. Quem não ficou satisfeito com alguns equívocos cometidos por Joss Whedon em A Era de Ultron presenciará melhorias consideráveis; em termos de Marvel Studios, ninguém dirige cenas de ação tão interessantes como os irmãos Russo, mesmo que algumas delas sejam um pouco esticadas. Ambos têm facilidade de imergir o espectador na batalha, o que é um ponto muito positivo na produção. O aspecto de espionagem que o antecessor teve também marcou presença nesse filme, porém em menor escala.

Pôster de Capitão América 3: Guerra Civil.
Pôster de Capitão América 3: Guerra Civil.

A causa para a chamada Guerra Civil é bem próxima da que foi mostrada no quadrinho original, o que é muito bom, pois levanta temas como o papel do super-herói na sociedade as trágicas consequências de suas ações. O problema está no andamento e no excesso de personagens e de subtramas. Há, sim, uma conexão entre o que o Capitão América, Bucky (Soldado Invernal) e Falcão estão perseguindo – um elemento manipulador que merecia uma exploração muito maior no filme – e as consequências da Guerra Civil, mas ela fica mascarada pelo excesso de personagens e de coisas acontecendo.

Falando em personagens, os protagonistas da história são conhecidos do público e não apresentam muita diferença em relação aos filmes anteriores. Marinheiros de primeira viagem terão problemas sérios de entendimento do comportamento de cada um, mas a Marvel conseguiu se estabelecer bem o suficiente no mercado para saber que o grande público viu alguns de seus filmes. Logo, não desenvolver novamente o passado de seus principais super-heróis nesse filme faz parte do jogo. A parte ruim é que fica cada vez mais difícil fazer um filme acessível; a parte boa é ter espaço para desenvolver personagens que vão crescer mais adiante na cronologia. Entenda-se Homem-Aranha e Pantera Negra, especificamente.

Guerra Civil acertou onde Batman vs Superman errou; se as cenas com os futuros membros da Liga da Justiça pareceram gratuitas demais e até sem sentido pela forma como foram apresentadas, as entradas de Pantera Negra e Homem-Aranha em Guerra Civil são matadoras. Os dois caíram bem na trama geral e tiveram arcos próprios, dois aspectos que foram desenvolvidos de forma correta pelos Russo. Tanto T’Challa como Peter Parker são extremamente carismáticos e donos de personalidades muito autênticas. Há um futuro de ouro para os dois.

Homem-Aranha em Capitão América 3: Guerra CIvil.
Homem-Aranha em Capitão América 3: Guerra CIvil.

Por outro lado, Guerra Civil errou onde Batman vs Superman acertou. O filme tenta mostrar tragédias que justifiquem seu título, mas nenhum delas tem apelo para com o público. Há apenas uma grande cena que pode chocar algumas pessoas, mas, de modo geral, o tema “guerra” é tratado muito superficialmente depois de o tratado para registrar super-heróis é apresentado aos Vingadores. Se até o momento do documento de registro o filme tinha ido bem ao explorar o lado político da ação super-heroica, daí para frente tudo se torna uma grande picuinha entre os heróis e seus egos feridos. Como dito, não há tragédia. Não há “Guerra”, tampouco “Civil”. Para piorar, a luta entre Homem de Ferro e Capitão América é rápida e esquecível, sem conclusão satisfatória.

No fim das contas, Capitão América 3: Guerra Civil termina como começou. Não é um filme do Capitão América, nem é um filme sobre guerra de verdade. É um emaranhado de coisas que poderiam ser resolvidas de forma mais simples, com menos personagens e com consequências mais abrangentes que a cisão boba entre os super-heróis. Infelizmente, Capitão América foi mais uma franquia que caiu na maldição das trilogias e teve uma terceira parte muito aquém do esperado. Se serve de consolo, vale reforçar: Homem-Aranha e Pantera Negra foram apresentados tão bem que o espectador ficará morrendo de curiosidade para ver filmes solos dos dois personagens.

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