[Prateleira] Jackpot – Hoje é Domingo e Amanhã É Feriado

Jackpot é um universo em forma de livro por Guilherme Balbi (arte e conceitos), Henrique Guimarães (design e cores), Rafael Rodrigues (texto) e Fábio Catena (pós-produção). Neste livro, financiado via Catarse (e agora à venda na página da obra no Facebook), somos apresentado ao universo que dá nome ao livro: em forma de disco, equilibrado na barriga de um panda, e rodeado por espaço sideral imaginário, tendendo bastante a um viajante perder-se antes de chegar a qualquer outro lugar. Durante a campanha de financiamento coletivo, o Terra Zero falou com Balbi, Guimarães e Catena.

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Arte promocional do Catarse de Jackpot, por Guilherme Balbi e Henrique Guimarães.

Primeiro, eu devo dizer que esta classificação na Prateleira é algo tênue. Há quadrinhos aqui, sim. Mas a função deles é muito mais pontual. Talvez o melhor paralelo entre Jackpot e outras coisas que saem no mercado editorial brasileiro sejam livros de RPG de cenários como Tormenta, D&D e Reinos de Ferro. São livros de construção de mundos, com regras gerais – que você pode ignorar totalmente na sua imaginação se quiser -, oportunidades para narrativas dentro desse mundo descrito, e alguns exemplos de como o universo funciona (função essa que as tiras exercem).

Dito isso, e com uma boa experiência pessoal lendo, jogando e mestrando RPG, este redator pode dizer que Jackpot é um universo amplo e bem interessante. Nesse sentido, é muito bom. Você vê os conceitos de personagem (equivalentes às fichas de NPCs de personagens de jogos de interpretação), com descrições e uma ilustração, e já imagina mais situações além daquelas descritas nas tiras. É um RPG que eu jogaria.

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Biscoito é o personagem-símbolo do cenário de Jackpot – e é um pé no saco também. Arte de Guilherme Balbi e Henrique Guimarães.

Tirando isso, bem… Eu queria que fossem mais quadrinhos. Pelo menos eu imaginava que fossem mais quadrinhos. Espere sim por um bom exercício de construção de mundos, com vários núcleos bem definidos – quase como numa novela escrita pelo Carlos Lombardi, tipo Kubanacan. Não é ruim por isso, mas tive a minha expectativa traída. Sem ressentimentos, mas espero que o próximo volume – que segundo a página do Jackpot Universe, já está em desenvolvimento – traga realmente uma obra ou muitas tiras em quadrinhos. Pode-se apresentar mais alguns elementos como extra no final, mas esperava mais que conceps de Balbi e sua turma.

Arte de Paulo Siqueira, um dos autores convidados para o livro.
Arte de Paulo Siqueira, um dos autores convidados para o livro.

A edição é boa mesmo, entretanto: joga bem entre textos, conceitos de personagens e tiras, sem cansar e com um ritmo cadenciado. Ao final, ainda há artes feitas por muitos convidados – incluindo caras do calibre de Vitor Caffagi (Graphic MSP Turma da Mônica) e Paulo Siqueira (Titans Hunt) – e uma galeria de personagens inspirados em alguns dos apoiadores, cortesia da doentia mente de todos os envolvidos.

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Os autores em suas próprias versões em Jackpot: no quadro da esquerda, Guilherme Balbi; à direita, Rafael Rodrigues (acima, à direita), Fábio Catena (abaixo, à esquerda) e Henrique Guimarães (abaixo, à direita).

Em resumo, Jackpot é uma experiência interessante e surreal de construção de mundo. É engraçado, é instigante e completamente fora da casinha. Fãs de Discworld, série literária do finado Terry Prachett, vão se sentir em casa. Mas não é quadrinhos, e isso é uma pena. Espero o próximo porque o cenário promete.

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