[Pitaco] Batman vs Superman e o Clickbait

A internet cada vez mais tem posições polarizadas. Isso é um caminho para o qual vemos a sociedade correndo: são ideias opostas se digladiando, diariamente, com pessoas tentando provar o seu ponto a qualquer custo. O triste é que cada vez mais isso se aproxima do mundo da ficção, onde muita gente sente-se agredida apenas por uma pessoa não concordar com o que ela tem como concepção de certo ou errado. Agora, a bola da vez parece ser o filme Batman Vs Superman: A Origem da Justiça, com mais um momento de brigas. Porém, a coisa piora um pouco mais quando formadores de opinião vestem uma camisa e dão mais armas para uma guerra, na qual os dois lados estão errados, graças aos excessos.

Foto promocional de Batman vs Superman com Ben Affleck e Henry Cavill (reprodução).
Foto promocional de Batman vs Superman com Ben Affleck e Henry Cavill (reprodução).

O filme Batman V Superman: A Origem da Justiça foi lançado no dia 24 de março, mas a discussão começou no dia 22, quando foi liberada a publicação das resenhas de sites especializados. O filme teve uma queda vertiginosa no agregador de críticas Rotten Tomatoes e começou um grande debate sobre quem estava certo sobre o filme. Essa discussão foi aumentando com a pré-estreia e, quando chegou a quinta-feira da semana passada, os nervos estavam em ebulição, com várias opiniões divergentes e muita discussão. Isso é benéfico até certo ponto, pois gera pluralidade de ideias e deixa o debate amplo. Mas, nos últimos dias, estão acontecendo coisas estranhas.

O que podemos perceber é que muita gente tem entrado em um tipo de cruzada para validar seu ponto de vista. Vemos veículos especializados lançando textões para provar sua opinião e, muitas vezes, apenas contendo ódio vazio. Estranho é ver o quanto se preocupam com uma película que acharam ruim. Não sei vocês, mas quando eu acho um alguma coisa ruim, apenas critico e, após isso, ignoro o assunto, pois gosto é algo muito relativo e respeito opiniões diferentes, desde bem embasadas. Só que o que percebo em certas opiniões é apenas a vontade de falar que o filme é muito ruim, talvez para tentar fazer mais gente se sentir desconfortável, ou textos dizendo que quem não gostou do filme é burro porque não entendeu BvS. O caminho não é esse, o cenário está crescendo tanto que agora a batalha está virando apenas a busca do clique para melhorar mídiakits.

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Já falei muitas vezes que o jornalismo de internet é algo extremamente preguiçoso. Ele é feito para agradar um certo tipo de público e provar o ponto de alguma parcela da população. Não costuma ter confirmação de fontes, apenas reproduz releases ou matérias gringas, não tenta ir além do óbvio e, ultimamente, se resume a opiniões que valem muito mais que fatos. Os sites de cultura pop parecem estar caminhando para esta rota, assim como os produtores de opinião, que são aqueles que mais devem ter zelo com o que falam, para não incorrerem em erros e, também, para não omitir nenhuma voz que busque uma outra visão sobre alguma assunto. Lembremos da Estética do Confronto, já abordada em editorial do Terra Zero.

Batman vs Superman acendeu uma luz amarela na minha consciência. Estou vendo muita gente com opiniões extremas, que não pensam se sua resposta ou texto vai afetar alguém que realmente gostou ou que não gostou de um filme. Além de ver ambos os lados escrevendo textos de adoração ou ódio com pouco embasamento, apenas querendo provar seu lado, como os que exemplifico, ao extremo, abaixo:

“Batman vs Superman é a melhor coisa que já vi no mundo, não tem discussão, quem não gostou é marvete que não entendeu e tem que morrer.”

“Batman vs Superman, é um lixo, o pior filme de heróis já lançado no universo, algo odioso, quero vomitar em quem gostou.”

Em tal discussão, a coisa está um pouco além de se debater se o Batman está bem no filme ou se o Superman não serve ao propósito da película. O que estou tentando dizer que isso tem a ver com o respeito com o próximo e a mínima educação que separa as pessoas de, digamos, ogros mimados.

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Estou certo! Grito, xingo e reclamo com quem não concorda comigo.

Aqui, também preciso parar e fazer uma autocrítica. Tenho, sim, minhas opiniões e falo sobre elas, mas qualquer pessoa tem a mão dupla comigo para discutir – o que certamente vai rolar nos comentários. Creio que saber argumentar e não ignorar as pessoas que divergem de você seja o caminho mais simples. A democracia é feita disso: eu posso discordar de você, mas vou lutar até o fim para que possa ter essa alternativa, como já dizia Voltaire. Mesmo que eu brinque com o clubismo existente entre Marvel e DC, sou consciente de que ambas as empresas podem acertar e errar, e o fato de gostar mais uma não é fator para desmerecer minha visão, seja ela a favor ou contra. Levar isso em consideração é a porta de entrada para o diálogo e a apresentação de ideias.

A mensagem que quero passar, enfim, neste texto todo é: se você trabalha com extremos e usa seus canais para intensificar o ódio que sente por algo, deve parar por alguns minutos e pensar que essa prática tem um resultado que vai além do clickbait. Ele tem a ver com seu nome, sua índole, com a massa com a qual você mexe, que vai gritar suas palavras aos quatro ventos, pois você pode ter feito valer uma opinião impensada. Nenhum extremismo está certo, para o bem ou o mal.

Pense nisso: qual é seu papel ao entrar em uma cruzada? Isso vale para muitas coisas hoje em dia.

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Respeitem uns aos outros e vamos nos abraçar

A internet é diversa e tem formas melhores de captar acessos, leitores e buscar seu espaço. Você é responsável pelo que fala e escreve e, portanto, deve estar preparado para quaisquer respostas e consequências. Como eu estou, com este desabafo.

 

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