Os Poucos e Amaldiçoados volta ao Catarse

A HQ Os Poucos e Amaldiçoados de Felipe Cagno e Fabiano Neves está em campanha no Catarse para segunda edição da série. Ruiva, a protagonista do quadrinho, é mostrada no Velho-Oeste enfrentando um mundo sem água e monstros mitológicos.

Essa nova campanha do Catarse pode ser acessada aqui. Aliás, vale lembrar que a nova edição da HQ já está financiada, mas o aumento de apoiadores expandirá as recompensas, deixando o projeto mais atraente. Desta vez os criadores estão produzindo uma estátua da Ruiva, que faz parte de uma das recompensas da campanha. A HQ terá capas de Will Conrad e com cores de Marcelo Maiolo, além de capas variantes de Vitor Caffagi e Fábio Valle.

Capa edição 02 por Will Conrad
Capa edição 02 por Will Conrad

O Terra Zero fez uma entrevista com Felipe Cagno sobre a segunda edição de Os Poucos e Amaldiçoados, em ele aproveita para falar sobre concepção da história, o carisma da protagonista e como pensa em expandir a série para ser lançada no EUA.

Terra Zero: Cagno, a Ruiva tem muito carisma! De onde veio a inspiração?
 
Felipe Cagno: Fico feliz de saber que a personagem é tão carismática! É o tipo de coisa que a gente nunca planeja, pelo contrário, ela já nasceu carismática assim tanto que de todas as histórias do 321 foi a primeira a ganhar sua mini-série solo e de cara já ser um sucesso. Mérito da Ruiva (risos).
Em termos de inspiração para desenvolver a série, o mundo e a personagem, eu faço uma miscelânea de muita coisa que eu gosto ou que me impressiona tentando evitar sempre fazer algo que já vi por aí. Mad Max foi uma grande inspiração, os originais inclusive, porque quando assisti ao novo, primeira edição já estava roteirizada e sendo produzida. Tem também um western produzido nos anos 1990, do Sam Raimi, com a Sharon Stone (Rápida e Mortal) que me marcou demais por ter a imagem de uma heroína tão forte em um gênero tão tomado por homens. Isso foi determinante na criação da Ruiva.
Fora isso, eu curto muito o gênero e assisti muitos filmes de Velho Oeste. Um aspecto que sempre tento trazer para minhas histórias, por mais fantásticas que sejam, é ancora-las no mundo real de uma maneira ou outra. No caso da Ruiva, mesmo tendo monstros e uma realidade pós-apocalíptica, eu escrevo a série como um velho oeste clássico, respeitando e usando regras já estabelecidas do gênero.
 
Uma vez critiquei Revolution [Nota do editor: série de TV] pelo plot bobo de falta de energia elétrica, e disse que um mundo sem água seria bem mais interessante. Agora você e o Fabiano Neves misturaram essa ideia com westerns?! Li a primeira edição babando!
 
Que bom (risos)! Fico feliz de saber que acertamos em cheio com a falta da água, mas, na verdade, essa inspiração veio do mundo real mesmo. Quando o Fabiano veio conversar comigo para produzirmos uma série da Ruiva foi bem no ápice da crise hídrica em São Paulo, acabei juntando os pontinhos: mundo árido onde se passa a maioria dos westerns com falta de água.
 
Como foi a construção do mundo com Fabiano, escolhendo mitos e lendas que seriam explorados?
 
Eu queria explorar algo novo e nunca visto antes, não queria trazer vampiros, zumbis, lobisomens etc. Por isso, comecei a pesquisar alguns animais que seriam assustadores e não foi difícil chegar nos corvos. Lancei a ideia pro Fabiano, que curtiu bastante. Era uma oportunidade de criarmos algo novo e a partir do zero.
As outras lendas que aparecem ou irão aparecer, como Tsilkali da primeira edição, foi base de pesquisa sobre a região que a Ruiva visita. Por exemplo, eu precisava de uma lenda na região da Califórnia e pesquisando sobre isso encontrei a lenda indígena de Tsilkali. Como era apenas para estabelecer o mundo e a personagem, resolvi buscar algo “verídico” e não totalmente novo, mas a nossa interpretação da cobra gigante foi toda criada do zero também.
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O que a Ruiva enfrentará na segunda edição?
 
Sem querer entregar muito, mas, como já estão na capa, a Ruiva enfrentará os soldados que guardam a fronteira da cidade de San Andreas, capital da República de São Francisco. Estamos guardando também uma grande surpresa no final da edição, em que o Fabiano simplesmente destruiu na arte. É bastante impactante e tem ligação direta com os Corvos de Mana’Olana.
 
Você, Cagno, tem usado muito o Catarse para seus projetos. Domina a ferramenta como ninguém. Como manter o público após tantos projetos?
 
Transparência e planejamento. Os apoiadores querem ver o autor do projeto cumprindo o que promete e isso inclui prazos, itens de qualidade e constante comunicação.
Eu tento sempre lançar meus projetos quando meu cronograma já está acertado e, se sofrer algum atraso, será o menor possível. Existem projetos que entram despreparados na plataforma, muito corridos para aproveitar o momento da plataforma e infelizmente acabam enfiando os pés pelas mãos…
Não basta lançar o projeto no Catarse, é preciso ter um planejamento cuidadoso que envolve mídias sociais, assessoria de imprensa e muita divulgação pensada.
 
Uma das grandes sacadas de Poucos e Amaldiçoados são as capas variantes, algo bem próprio do mercado estadunidense. A ideia surgiu durante sua viagem aos EUA?
 
Nem tanto. É uma ideia bem antiga que vem desde quando comecei minha primeira série, a Lost Kids. Como eu sempre curti muito diferentes artes, eu nunca me satisfiz só com uma capa para cada edição, rs rs. Tanto que logo no primeiro 321: Fast Comics nós já tínhamos duas capas.
A decisão de fazer três capas diferentes e uma em branco, a chamada sketch cover, foi sim algo que pensei durante minha viagem e andanças pelo Kickstarter. Percebi que o ticket médio de uma edição individual de até 32 páginas é pequeno e uma boa sacada que agrada todo mundo, fãs, colecionadores e a mim mesmo. Então pudesse elevar um pouco esse valor eram capas variantes, em especial a sketch cover.
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Em sua segunda edição o projeto está maior e traz até uma estátua colecionável da Ruiva. Como surgiu essa ideia?
 
Surgiu no último FIQ [Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte]. O Eddie Vieira, da empresa Making Magic, estava expondo seus últimos lançamentos. Como já o conhecia, fui conversar com ele sobre estátuas. Ele me perguntou se eu tinha alguma personagem que daria um bom colecionável e apresentei a Ruiva para ele. Foi amor à primeira vista, (risos), ela realmente conquista muita gente!
Lá no FIQ mesmo acertamos a produção da estátua e na CCXP acertamos os últimos detalhes e design, foi uma experiência sensacional. Mal posso esperar para vê-la pronta.
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Sobre o lançamento no EUA, como estão as negociações?
 
Viramos o ano com boas perspectivas, mas tudo tem que ser feito com muito cuidado, muita conversa, muito planejamento. Por enquanto os planos estão na geladeira. Ando até pensando em simplesmente lançar de forma independente no Kickstarter como fiz com o 321, não sei… O que foi muito positivo da experiência toda foi abrir portas com alguns editores em empresas que sempre quis e quero trabalhar, quem sabe não pinta algo para esse ano. Fica aí a torcida.
 
Conte para o leitor do Terra Zero qual é a recompensa que mais te agrada e por quê.
 
Não por ser o pacote de maior valor, mas a recompensa que inclui a estátua é disparada a mais bacana. Por enquanto vamos ficar nas dez unidades mesmo e pelo que tenho acompanhado do Eddie, a estátua será um dos colecionáveis mais legais a ser lançados este ano, mal posso esperar para ter a minha na estante!

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