[#CasoBerganza] Demissão de Shelly Bond traz à tona nomes de abusadores

À luz da demissão de Shelly Bond, editora-chefe do selo Vertigo, da DC Comics, vários profissionais e jornalistas da área voltaram às armas para contestar a manutenção de outros editores dentro do quadro da editora. Isto porque, ao longo dos últimos anos, surgiram diversas denuncias de comportamentos abusivos de profissionais da DC em relação a outras profissionais ou aspirantes a profissionais durante convenções e no ambiente de trabalho.

O Terra Zero informou, em setembro de 2015, sobre as acusações da roteirista Alex de Campi sobre assediadores e alcoólatras no mundo das HQs, além das acusações de misoginia que reinam em muitas das editorias pelas quais ela passou. Mais genéricas, as acusações de Joshua Hale Fialkov à época não foram menos incisivas: segundo ele, as grandes editoras são comandadas por “pessoas horríveis”.

Estas e outras teorias sobre foram abordadas no ComicPod One-Shot #27.

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Desta vez, no entanto, as acusações deixaram de ser vagas e vieram à tona com um nome bem no centro do alvo: Eddie Berganza. O editor da linha do Superman e velho funcionário da DC é um notório assediador sexual. Entre as várias acusações, uma das que parecem mais conhecidas é a de 2012, durante a WonderCon, quando Berganza atacou uma empregada da DC enquanto o namorado dela ia ao banheiro. Isso porque tal ataque aconteceu no meio do lobby de um hotel, onde centenas de testemunhas viram a cena lamentável.

O jornalista Nick Hanover e a editora Janelle Asselin foram dois profissionais da área que falaram abertamente o nome de Berganza, questionando a DC sobre a demissão de uma profissional competente enquanto mantém no seu quadro de funcionários um conhecido predador sexual. Janelle disse que ela informou o comportamento abusivo de Berganza em 2011, mas a DC nada fez a não ser promovê-lo. Segundo ela, outras profissionais deixaram a DC por causa de Berganza e levaram consigo traumas causados pelo editor.

Após os acontecimentos da WonderCon, foi divulgado que Berganza perdeu a chance de assumir um cargo ainda mais alto que o de editor-executivo, como o que tinha naquele momento. Entretanto, ele também não foi demitido. Sua posição dentro da empresa, apesar de ter sido rebaixado a editor da linha Superman, é considerada tão importante que, ao invés de perder o emprego, ele foi obrigado a se submeter a sessões de terapia e a aulas de reprogramação de comportamento. Desde que que terminou estas aulas, as acusações de assédio parecem ter parado.

Isso significaria para a editora que a demissão de Berganza, agora, não seria justificada. Não porque as acusações de assédio pararam, mas porque todas as acusações anteriores foram levadas ao conhecimento da DC e foram “resolvidas internamente”. Não seria possível demitir um funcionário por algo que ele fez há quatro anos, sendo que a diretoria soube dos eventos que levariam a esta demandada demissão quando os acontecimentos ora relembrados tomaram forma. Ao mesmo tempo, a DC não pode alegar ignorância em relação às atitudes de Berganza. Além de Janelle, outras funcionárias denunciaram assédios protagonizados pelo editor. Todas as vezes em que o assunto foi trazido à baila, a empresa o tratou como algo de foro interno, a ser resolvido dentro dos limites da corporação.

O juízo de valor que se pode tirar disso é que, aparentemente, a DC valoriza mais o trabalho de Berganza do que o daquelas mulheres que foram demitidas, graças ao comportamento do editor.

Shelly Bond. Reprodução.
Shelly Bond. Reprodução.

Importante ressaltar que a demissão de Shelly Bond e a permanência de Eddie Berganza na DC não possuem correlação imediata. Os fatos duros são que os títulos de Berganza vendem bem, enquanto os de Bond não estavam tendo o mesmo desempenho (inclusive devido aos diferentes públicos-alvo das editorias).

Em outros momentos, foi levantada a hipótese de que Berganza permanecia no cargo porque ele teria material comprometedor acerca de seus superiores e estaria chantageando a sua permanência. Isto, até onde se sabe, não é verdade. O que parece ser verdade é que a DC procura não contratar mulheres para trabalhar em cargos de editoria nos escritórios do Superman, supervisionados por Berganza.

O título da Mulher-Maravilha fazia parte destes escritórios, mas, no mesmo espírito de evitar confusão, uma das condições impostas por Greg Rucka para voltar a escrever Diana foi a de que Berganza não edite seu trabalho. O título solo da personagem no Rebirth será controlado pelos editores das revistas do Batman, o que torna a possibilidade de interação entre Mulher-Maravilha e Batwoman, outra personagem com a qual Rucka realizou trabalhos importantes, ainda mais viável.

Na sequência, confira também um compilado com a reação do meio editorial a estas e outras ramificações do #CasoBerganza clicando aqui.

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