[Emulador de Críticas] Young Animal, Gerard Way e o renascimento

E aí pessoal! Na Quinta-feira (07) da semana passada, fomos surpreendidos pelo vários anúncios da DC Comics. Entre eles, o mais interessante é a criação de um selo chamado Young Animal, que tem como ideia inicial criar histórias “fora da caixa” nos cantos obscuros do vasto Universo DC. Uma atitude muito bem-vinda por si só, o imenso projeto é também capiteaneado pelo astro do rock Gerard Way para escrever um dos títulos-chave e ser uma especie de garoto propaganda do selo. Com esse movimento todas as ideias têm alcance maximizado.

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Para você que não é muito ligado em música, Gerard Way foi o vocalista da banda My Chemical Romance. O popular grupo tinha músicas inspiradas nos movimentos punk, gótico, e emo, além de um forte apelo visual. O MCR foi uma das principais bandas a criar a ideia de emocore que explodiu nos anos 2000. Entretanto, após 13 anos e 4 álbuns de estúdio, os integrantes da banda entenderam que não queriam mais trabalhar juntos e buscaram outras atividades. Way emplacou uma carreira solo como cantor, por exemplo.

Durante os anos de banda de Way, o vocalista sempre mostrou que gostava muito de histórias em quadrinhos – antes de sua carreira musical ele queria trabalhar como ilustrador. O cantor sempre trouxe a estética dessas narrativas para suas músicas, já que ele pensava os álbuns como enredos conceituais. Em 2010, no álbum Danger Days: The True Lives of the Fabulous Killjoys, ele e seus companheiros tornaram-se super-heróis dentro do contexto do álbum.

Sim, o homem da ponta direita é o Grant Morrison.
Sim, o homem da ponta direita é o Grant Morrison.

Essa paixão pelo gibis também levou o músico a escrever uma série chamada The Umbrella Academy, com arte do competente Gabriel Bá, para a editora Dark Horse. Uma história sobre super seres com viagens no tempo, macacos e tudo que um fã de quadrinho convencional curte. A crítica recebeu tão bem o trabalho de Way que acabou premiando a Umbrella Academy com o Eisner Awards de Melhor Série Limitada em 2008. Após o lançamento do segundo volume do seu trabalho, trabalhou com adaptação do álbum Danger Days em quadrinhos e escreveu uma edição de Spiderverse para Marvel.

Agora vocês se perguntam: #PorraPab pra que essa volta toda?

Vou responder: A jogada da DC é interessantíssima, pois juntou a fome com a vontade de comer.

Acredito que a DC Comics gostou do feedback que os fãs de material mais indie estava dando para editora. Ela aproveita o ótimo momento editorial que foi o DC You e mistura com ideias da época da proto-vertigo. Gerard Way vai escrever a Patrulha do Destino, um dos títulos cults mais aclamados de todos os tempos dentro da DC e meio que herda de seu amigo Grant Morrison o título, já que passou a admirar a equipe quando o escritor escocês literalmente pirou com esses personagens. Esse movimento mostra que de fato a editora das lendas ainda não desistiu do mercado indie e busca rejuvenescer seu público ao trazer um astro da música para ser o garoto propaganda do selo Young Animals.

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Way é detentor de uma massa de fãs que acompanha seu trabalho – inclua este redator nessa horda. O cantor consegue movimentar multidões e seu carisma faz com que as pessoas busquem o que ele está fazendo. Apenas para exemplificar, o anuncio de Young Animals está no top 3 de textos mais acessados do Terra Zero de abril e a nossa matéria conseguiu um alcance altíssimo no facebook, mesmo com seu algoritmo limitador. Além de botar a DC Comics na capa do site Rolling Stone,  um portal sobre comportamento e música conceituado mundialmente.

VERTIGO

Claro que Way é apenas uma porta de entrada, existem outros títulos dentro do Young Animals que merecem nossa atenção. Porém essa coluna foi para explicar: a DC Comics parece que está levando a sério essa ideia de renascer. A editora está olhando para todos os públicos que pode impactar e mostrando que tem vontade de entregar boas histórias para qualquer leitor que goste dos seus personagens. A escolha de Way para esse posto se mostra acertada, já que o artista trabalhou como estagiário na Vertigo antes de emplacar a carreira musical, e tem habilidade para gerenciar talentos.

Quando conversei com o roteirista Pablo Casado,  expliquei que as 4 revistas anunciadas do Young Animal, me animaram mais que toda a nova linha do DC Rebirth. Não é só por causa do Way e da Patrulha do Destino, é porque de fato sou uma viúva da vertigo dos 1990, onde o UDC funcionava de forma simples e qualquer pessoa poderia pegar histórias da DC sem se preocupar com cronologias e eventos astronômicos.

Vejo com bons olhos essa ideia, espero que ela funcione. Só nos resta esperar até setembro.

Até a próxima! Ou melhor: “So long and goodnight“!

  • Leandro

    Ótima matéria. Comprei o encadernado da Patrulha do Morrison, mas ainda não li. De qualquer forma gosto bastante de Umbrela Academy.
    Legal seria se lançassem a Legião dos Super-Heróis dessa forma. Já que no universo tradicional não vende porque não lança-lá em um formato mais experimental.

  • Nano Falcão

    Não acho que é um renascimento da Vertigo, porque essa NÃO MORREU, mas sim da “proto-vertigo”, que foi um punhado de revistas da DC dos anos 80 que acabaram dando gênese ao selo (criado em 1993). Revistas como Monstro do Pântano, Hellblazer, Sandman, Homem-Animal, Patrulha do Destino, Shade, e até Green Arrow e The Question, que não levavam o selo do “comics code”, isso é, não eram aprovadas pelo “código de ética dos quadrinhos, por isso eram vendidas exclusivamente em comics shops (revistas ainda vendiam em bancas norte-americanas na época), por causa de seu conteúdo maduro.

    Esse material NÃO ERA AUTORAL, no entanto era caracterizado por liberdade criativa e longe das amarras do universo DC, apesar de teoricamente fazer parte do universo DC, com personagens de propriedade da mesma – exemplo: John Constantine existia no mesmo mundo do Superman mas ele não aparecia em suas páginas e era cada vez menos mencionado.

    Quando a Vertigo nasceu, em 1993, ela partiu desses gibis, mas ampliou o conceito para ser um selo AUTORAL, onde autores poderiam publicar propriedades suas (como as famosas e premiadas Preacher, 100 Balas, Fábulas, Y o último homem, Os Invisíveis, Transmetropolitan DMZ, Escalpo, etc).

    O “Young Animal” está mais pra um selo dando continuidade a idéia do “DC You”, com uma linha meio proto-vertigo, com levada indie, buscando sabiamente renovar o público pra quem não se interessa pelos quadrinhos usuais do Universo DC, ao mesmo tempo que o selo Vertigo CONTINUA sendo a casa de títulos autorais, para “leitores maduros”. O “Young Animal” seria uma espécie de selo de transição, algo entre o universo DC e a Vertigo propriamente dita.

    Espero que nesse selo outros autores sejam convidados a participar e mais coisas com pegadas indies como PREZ sejam lançadas.

  • Isaura Luiza

    Concordo com o Nano Falcão, é tipo DC You fase 2, se bem que o DC You era um proto-Vertigo fase 2 também.

    Dúvida: Young Animal não é o nome daquela antologia manga onde sai Berseck de Kentaro Miura?
    Enfim, vou torcer e muito por este selo.

    Obs: já tiveram a chance de ver a antologia que Young Animal (acho que Kodansha), tem um quadrinhos e umas fotos de modelos bem interessante ali.

  • Frank Mito, Master Race!

    Deve durar cerca de um ano, e depois… Kaput!! A própria Vertigo já apresenta sinais de falência múltipla dos órgãos há uns dois, três anos. Mas eu queria muito que a Doom Patrol funcionasse. Só não queria que fosse através de um cara que toca numa banda dessas.

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