[Jab] Legends of Tomorrow #1, por vários

As Lendas do Amanhã estão aqui! Prepare-se, pois tem…

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Nesta quarta-feira (17), a DC lançou o primeiro número da antologia Legends of Tomorrow. A revista não tem ligação direta com a série televisiva cuja primeira temporada está em exibição no canal CW, mas aproveita o nome para reunir quatro da oito séries que haviam sido previamente anunciadas pela DC em julho de 2015. São elas: Nuclear, Metamorfo, Os Homens Metálicos e Sugar & Spike. As histórias têm 20 páginas cada, totalizando uma edição de mais de 80. Falaremos delas na ordem em que se encontram na edição.

Nuclear em Legends of Tomorrow #1. Arte: Eduardo Pansica.
Nuclear em Legends of Tomorrow #1. Arte: Eduardo Pansica.

Nuclear é escrita pelo lendário Gerry Conway (Liga da Justiça, Thor, a Teia do Homem-Aranha), criador do personagem junto com Al Milgrom, e conta com desenhos do brasileiro Eduardo Pansica (Terra 2: Fim do Mundo, Batwing, Convergência) e arte-final de Rob Hunter (Liga da Justiça, Homem de Ferro, Lanterna Verde). Nela, a dupla Jason Rusch e Ronnie Raymond, que está ligada à Matriz Nuclear para formar o herói, está testando os limites de seus poderes com o Professor Martin Stein quando algo começa a dar errado com Jason. Ao mesmo tempo, o vilão Multiplex, que ajudou Stein a desenvolver a Matriz, começa a ir atrás de cientistas para seu novo plano.

A história fornece uma boa abertura. Os personagens são bem desenvolvidos: Ronnie é um babaca, Jason é um nerd esforçado, e o Dr. Stein é um mentor zeloso. A arte do Pansica está puxando para um estilo neoclássico, o que fica perfeito ao escrever uma história do criador do Nuclear. A arte-final e as cores, entretanto, parecem que não fazem tão bem a alguns painéis de Pansica, dando linhas mais grossas á sua arte. Entretanto, nada que atrapalhe a experiência no geral. Boa leitura.

Metamorfo em Legends of Tomorrow #1. Arte: Aaron Lopestri
Metamorfo em Legends of Tomorrow #1. Arte: Aaron Lopestri

Depois disso começa a história de Rex Mason em Metamorfo, com texto e desenhos de Aaron Lopresti (Mulher-Maravilha, Excalibur, Ms. Marvel), além de arte-final de Matt Banning (Lanterna Verde: Novos Guardiões, Cyber Force, The Darkness). Preso dentro de um laboratório da Stagg Energy & Technology depois de ganhar seus poderes em uma pirâmide egípcia, Rex é submetido a diversos testes e sedado pelo Neanderthal perdido, Java, e Simon Stagg. A filha deste último, Sapphire, acaba sabendo do projeto secreto e obriga o pai a colocá-la também nos testes-custódia de Rex. Ao ver que Mason aparentemente manteve sua sanidade com sua nova forma, a cientista promete ajudar.

A história parece oferecer muito pouco. Quase não há ação aqui, só diálogos. Nos poucos momentos em que Rex usa seus poderes, parece ainda maior e mais bizarro do que jamais foi nos quadrinhos. Pelo menos a arte é muito competente e a aplicação de cores faz efeitos de luz e sombra serem realçados na medida. É uma HQ que, entretanto, ainda precisa se provar, sendo por enquanto o ponto baixo de Legends of Tomorrow. Se fosse vendida em separado, possivelmente não pegaria a #2 no lançamento, deixando finalizar um arco para comprar.

Sugar & Spice em Legends of Tomorrow #1. Arte: Bilquis Evely
Sugar & Spice em Legends of Tomorrow #1. Arte: Bilquis Evely

Na sequência temos Sugar & Spike, com roteiro de Keith Giffen (Liga da Justiça 3000/3001, Liga da Justiça Internacional), desenho e arte-final da brasileira Bilquis Evely (Shaft, Dc Comics Bombshells) e cores de Ivan Plascencia (Constantine: The Hellblazer, Rasputin). O título traz para o universo DC uma reimaginação de uma dupla de personagens infantis que, há mais de 50 anos atrás, eram publicados pela editora. Agora, Sugar e Spike são dois detetives particulares que têm a missão de se livrar de coisas indesejadas do passado dos super-heróis antes que elas sejam reveladas ao grande público. Isso vai de decisões erradas na vida dos supers, passando por uniformes ridículos (como nesta primeira edição, deixarei a surpresa) e antigos parceiros constrangedores.

Falar de diálogos de Keith Giffen é quase injusto: a química entre a Sugar e o Spike é bastante positiva, fazendo a história ir em frente e dando um tom de comédia de ação dos anos 1980 para a história – pensem em Máquina Mortífera, por exemplo. Há competição, como lidar com vilões que tem vícios bem particulares e interações que beirariam o absurdo se não estivéssemos no Universo DC. Há alguma semelhança com Powers, de Brian Michael Bendis e Michael Avon Oeming. E a arte de Bilquis Evely é um misto de Fiona Staples com Marcos Martin. Nunca tinha prestado atenção nos desenhos dela, mas já recomendo. A melhor das quatro, de longe. E entendo perfeitamente porque ela está no mix: fora dele, o sucesso da proposta seria incerto pela reimaginação proposta.

Homens Metálicos em Legends of Tomorrow #1. Arte: Yildiray Cinar
Homens Metálicos em Legends of Tomorrow #1. Arte: Yildiray Cinar

Por fim há Os Homens Metálicos. A história é escrita por Len Wein (Liga da Justiça da América, Batman, Hulk), desenhada por Yildiray Cinar (Legião dos Super-Heróis, Noble Causes), arte-finalizada por Trevor Scott (Terra 2, Stormwatch) e colorida por Dean White (X-Force, Black Science). Ouro, Platina, Ferro, Chumbo, Mercúrio e Estanho estão lidando diuturnamente contra ameaças robóticas e salvando pessoas, sempre sendo reconstruídos pelo Doutor Will Magnus, seu criador, caso eles sejam muito danificados. Diversos incidentes causados pelo hacker Nameless, que quer a todo custo os robôs transmorfos e seus responsores; entretanto, fazem com que o apoio do governo dos EUA ao grupo cesse.

A história é até simples, por ora. O vilão é misterioso – apesar de o título Nameless estar na cronologia dos Homens Metálicos em iterações passadas, não é possível sair adivinhando sua identidade com clareza ainda. Fiquei motivado a saber o que vem a seguir. A arte tem algumas partes meio inconstantes, como nas feições do Magnus. Os robôs, entretanto, são bem-feitos e tem até um quê cartunesco, o que fecha com a caracterização. Está bem, é algo que lerei sim.

Importante notar, por fim, que cada história tem inclusive editores diferentes. É quase como se a DC tivesse aprendido com a Panini e começasse a lançar mixes, para o bem ou para o mal. Nenhuma das quatro histórias é especialmente ruim e há pelo menos duas acima da média, com boas surpresas. E isso, nos EUA, pelo preço de duas revistas ou menos – 7,99 dólares, quando 20 páginas geralmente custam 3,99 ou até 4,99. É um bom exemplo da mistura ideal, mesmo que as histórias pouco tenham a ver uma com a outra, ao contrário das encadernações mais temáticas da Panini. Seguirei acompanhando.

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