[Review] Homem-Máquina, de DeFalco, Trimpe e Windsor-Smith

A Panini Comics, no Brasil, continua os seus vários lançamentos de HQs clássicas da Marvel Comics e da DC Comics. A editora italiana encontrou um filão na área de encadernados e está reeditando muitos bons quadrinhos que foram lançados décadas atrás. Uma das surpresas foi o anúncio de Homem-Máquina, uma minissérie em quatro partes lançada em um encadernado com capa dura.

O Homem-Máquina, também conhecido como X-51 ou Aaron Stack, foi criado por Jack Kirby em 1977, em 2001: A Space Odyssey #8, e se transformou em sucesso. Visando esse filão, a Marvel criou uma série solo para o personagem, escrita e desenhada pelo próprio Kirby.  O quadrinho durou 19 edições, nas quais Marv Wolfman, Steve Ditko e Tom DeFalco tiveram participação.

homem-máquina
Capa de Machine Man #2, de DeFalco, Trimpe e Windsor-Smith (Novembro de 1984)

Em 1984, a Marvel resolveu dar outra chance para o personagem robótico e criou uma minissérie, com DeFalco nos roteiros e desenhos a cargo de Herb Trimpe e Barry Windsor-Smith. Este é o conteúdo do encadernado lançado pela Panini.

A HQ é ambientada em 2020 e mostra uma cidade super-tecnológica controlada pela empresa Baintronics. A unidade X-51 acaba sendo religada após 35 anos, após ser encontrada um grupo de jovens que forrageava equipamento eletrônicos no lixo da grande corporação. Entretanto, o grupo de jovens e nem o Homem-Máquina não sabem que existe uma vilã chamada Sunset Bain querendo destruir a unidade robótica a todo custo, devido a problemas do passado de ambos.

A história do encadernado é, de fato, bastante divertida. Tom DeFalco conduz a HQ de forma muito coerente, utilizando vários elementos do cyberpunk no quadrinho. Existe a grande corporação com poderes maiores do que os do estado, jovens rebeldes que vivem à margem da sociedade, veículos futurísticos feitos com restos de equipamentos e gangues de motoqueiros. Um quadrinho cheio de reviravoltas. É óbvia a forte influência do livro Neuromancer, de William Gibson, e até mesmo do filme Blade Runner, de Ridley Scott, inspirado em Androides sonham com ovelhas elétricas?, livro de Philip K. Dick.

Homem-Máquina, de Herb Trimpe e Barry Windsor-Smith
Homem-Máquina, de Herb Trimpe e Barry Windsor-Smith

O interessante é notar como o roteirista não descarta nenhuma informação da série anterior do Homem-Máquina e, ainda, adiciona elementos interessantes a esse futuro alternativo da Marvel. Ele cria o mercenário Homem de Ferro 2020, um filho de Tony Stark que se torna o grande nêmese dos adolescentes forrageadores e do herói. Usa a androide Jocasta como bússola moral e entrega uma história bem amarrada.

O trabalho de arte de Trimpe e Windsor-Smith é ótimo! A arte é umas das melhores coisas desta HQ. Uma narrativa muito bem desenvolvida, desenhos lindos e designs magníficos de personagens do futuro e de cidades. Creio que o texto, algumas vezes datado, da história é compensado por essa ótima arte.

Essa HQ foi um grande acerto da Panini. Uma história boa, com desenhos lindos e uma embalagem bem pensada, em capa dura e com acabamento metalizado. Porém, no miolo, ainda passaram alguns erros de revisão bem bobos (algo que estava sendo bem controlado ultimamente, inclusive). Apesar da derrapada, o custo-benefício ainda é bem alto, devido ao valor acessível.

Homem-Máquina é um quadrinho divertido, bem pensado, resgatando nos leitores a nostalgia dos anos 80 e apresenta a uma nova geração mais um personagem importante criado pelo Rei.

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