[Jab] Red Sonja #1, de Marguerite Bennett e Aneke

Red Sonja está de volta em uma nova revista mensal. Lançada na quarta-feira da semana passada (13), a primeira edição deste título tem uma abordagem diferente das anteriores e uma equipe criativa fora comum: Marguerite Bennett e Aneke, além de Marguerite Sauvage como principal capista. Red Sonja (Lê-se “Red Sônia”) já foi escrita ou desenhada por mulheres antes, mas desta vez é diferente. A Dynamite Entertainment iniciou uma campanha para destruir estereótipos machistas na caracterização de algumas de suas personagens femininas contratando mulheres para escrevê-las e desenhá-las de formas diferentes. E o pontapé inicial desta campanha tem um nome: Gail Simone.

Ela mudou tudo. Uma das poucas escritoras de quadrinhos de super-heróis até a década passada em uma indústria considerada machista, Simone (que esteve no Brasil em 2015 para participar do FIQ) redefiniu algumas das principais personagens que a Dynamite publica ao lado da artista e designer australiana Nicola Scott. Isto, é claro, inclui a Red Sonja, que está na editora desde 2005.

Capa de Red Sonja Vol.3 #1 por Marguerite Sauvage.
Capa de Red Sonja Vol.3 #1 por Marguerite Sauvage.

A tonalidade desta nova série é diferente das anteriores, com mais humor e menos violência gratuita. Falando em gratuidade, acabou-se a era em que Red Sonja aparecia seminua apenas para atrair leitores homens. O que faz sentido, na verdade: ter um ícone feminino super-heroico que não precisa ser sexualizada para ter apelo é um desejo de muitos leitores, homens ou mulheres, e é para este caminho que a Dynamite quer seguir com a personagem. Sendo assim, Bennett e Aneke fundam nesta edição os alicerces para a construção de uma nova Red Sonja, que não é menos badass ou bárbara que suas versões anteriores, mas é sim mais crível aos olhos de leitores diversos que o mercado possui.

O balanço entre humor, construção de personagem, enredo e homenagens ao material clássico é bom. Não é um estouro ou algo fora do comum, mas é bem-feito e suficiente para que o leitor se interesse pelas edições seguintes. Red Sonja tem o espírito livre, a mente determinada e luta como ninguém neste universo.

Em termos de trama, ela tem chance de se tornar rainha da sua terra, Hyrkania, mas recusa o convite do rei moribundo (que Sonja considera um pai) em respeito aos cidadãos – seus sonhos como rainha não são lá muito altruístas, usando um eufemismo. Como guerreira, porém, ela ajuda os mais necessitados e é isso que acontece quando Hyrkania parece passar por um período de paz e harmonia utópicas quando, na verdade, está mergulhado numa distopia imprevisível meses depois da ascensão do novo rei.

Sem gratuidades e com bom enredo, a nova série da Red Sonja tem algo a oferecer para novos e velhos leitores, de preferência os que têm mente aberta para mudanças de paradigmas. Os épicos conflitos da personagem contra hordas de soldados e monstros inimigos ainda não começaram, mas é questão de tempo até que Bennett recheie páginas e páginas de quadrinhos narrando grandes batalhas. Aneke também é uma boa artista, a única ressalva para algumas pequenas inconsistências na sua arte. Nada que não deva ser melhorado com o passar do tempo.

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