[#TZnoFIQ] Os Tomos de Tessa, de Rapha Pinheiro

Os Tomos de Tessa foi mais um dos mais de 300 lançamentos do FIQ 2015. A HQ foi criada por Rapha Pinheiro e publicada de forma digital, mas, no evento, ela finalmente ganhou uma versão impressa. Este quadrinho narra a história de Rah Tessalor, sucessor do trono de Tessa, filho de Set Tessalor, o rei, e neto do Grande. O protagonista está em busca da cura para seu avô, que está com uma terrível doença. Esta caçada o levará a uma aventura como nenhuma outra.

Dotada de tonalidade séria mas não menos aventureira, Os Tomos de Tessa é uma história que presta homenagem a clássicos como Eram os Deuses Astronautas e ao universo de Stargate. Em Tessa, o mundo principal da trama, antropomórficos seres dominam as terras e os ares com tecnologias jamais imaginadas pelos humanos. O homo sapiens, aliás, foi exterminado pelos veterranos, um povo alienígena com o qual Set pretende fazer uma parceria para salvar seu pai.

Rah Tessalor, de OsTomos de Tessa, por Rapha Pinheiro.
Rah Tessalor, de OsTomos de Tessa, por Rapha Pinheiro.

Fascinado pela ideia de que alienígenas criaram as pirâmides, uma teoria que existe há décadas, Rapha Pinheiro usou estas ideias para criar uma aventura que cresce a cada edição. E falando em termos narrativos, o autor começa devagar, com alguns equívocos ao explicar motivações de personagens, mas logo a história decola e se torna interessante. As reviravoltas na vida do protagonista são boas e mantêm o leitor ligado à narrativa. Os capítulos quatro e cinco são os mais bem lapidados, pois é quando Pinheiro explica o passado e as motivações de outros personagens que estão na trama desde o começo.

Algo importante de se notar no aspecto técnico da série (que possui dez edições, com cinco lançadas até agora) é como o quadrinista desenvolveu sua arte. Arquiteto, Pinheiro criou cenários e personagens a lápis e os aperfiçoou com modelagem 3D na finalização e colorização. O resultado é satisfatório, mas precisa ser aprimorado. Algumas páginas são matadoras; outras, nem tanto. Fica claro que o quadrinista ainda está experimentando suas qualidades como profissional, o que nem sempre dá certo. A parte boa é que há identidade no seu trabalho, algo fundamental para qualquer artista.

De forma geral, Os Tomos de Tessa é um bom quadrinho. Por ser o início de uma possível carreira do quadrinista, a HQ se torna ainda melhor, já que as primeiras histórias de um autor costumam tropeçar em problemas comuns de narrativa. Não é o caso de Rapha Pinheiro. O universo da história é bem construído e a narrativa cresce a cada edição, deixando o leitor curioso para saber o que vem a seguir. Nem todos os iniciantes conseguem publicar algo assim logo de cara.

Se Pinheiro se dedicar ainda mais a lapidar sua narrativa e sua arte, Os Tomos de Tessa será o início de uma grande carreira.