[#TZnoFIQ] Limiar: Dark Matter, de Luciano Salles

Limiar: Dark Matter é o mais novo trabalho de Luciano Salles. O aclamado quadrinista não tem mais nada a provar para um mercado que abraçou sem ressalvas a criatividade do seu trabalho. Depois dos sucessos que foram suas três obras anteriores (Luzcia, a dona do boteco, O quarto vivente e L’Amour: 12 oz), o artista reprisa sua parceria com o colorista Marcelo Maiolo para seu mais novo álbum.

De certa forma, Limiar: Dark Matter encerra conceitos revelados em O Quarto Vivente, lançado em 2013. Os personagens não possuem ligação, mas algumas ideias do autor se fazem presentes em ambas as obras. Apaixonado pelo trabalho do lendário quadrinista francês Moebius, Salles trabalha mais uma vez com o cenário de um mundo distópico composto por uma ciência bizarra, além da compreensão dos humanos de hoje. O tema da sua história, porém, não poderia ser mais atemporal: vingança. O que acontece quando ela é maior que o limiar ético de uma pessoa? O que acontece com esta pessoa quando a vingança é executada?

Capa de Limiar: Dark Matter por Luciano Salles e Marcelo Maiolo.
Capa de Limiar: Dark Matter por Luciano Salles e Marcelo Maiolo.

Sempre desafiador, Salles usa um tema simples para passar mensagens e reflexões complexas. Uma ou duas leituras de Limiar: Dark Matter não serão suficientes para que o leitor capture todas as nuances da história. Além de propor questionamentos válidos, o artista se utiliza da sua própria identidade, construída com vocabulário atípico e figuras nada ortodoxas. Por trás da vingança de Nádio e Carino estão o marasmo, a conformidade e todas as coisas horríveis que o avanço científico pode trazer para uma sociedade, mascarando uma distopia com uma falsa utopia.

Algo imprescindível para o leitor de primeira viagem é entender que Salles propõe narrativas que prezam pela experiẽncia visual. Suas obras não são apenas álbuns de qualidade, mas sim quadrinhos reflexivos que desafiam a lógica narrativa e o padrão editorial. Assim como seus personagens, o autor gosta de sair da mesmice e convidar o leitor a embarcar com ele na experiência. Claro, as composições de páginas do artista não desafiam a lógica visual e muitas vezes homenageiam clássicos. Por outro lado, os diálogos que ele cria às vezes parecem ter saído de outro planeta.

Mas não é isso a arte?

Vale lembrar que este álbum de Salles não foi um lançamento exclusivo do FIQ 2015. Na verdade, o artista já estava vendendo sua nova obra em seu site, Dimensão Limbo. Dado o tamanho do festival e a quantidade de pessoas que passam por ele, foi natural que o artista se esforçasse para levar várias unidades do seu novo trabalho para o evento.

Limiar: Dark Matter é um acerto na mosca na cena independente nacional e deixará leitores desconfortáveis com sua desafiadora narrativa. Salles acerta mais uma vez e, com ele, o colorista piracicabano Marcelo Maiolo mostra por que é um dos maiores profissionais do ramo não só no Brasil, mas no mundo.

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