[#TZnaCCXP] Os bravos e destemidos Mark Waid e Ivan Reis

Apresentadores de duas masterclass no primeiro dia da CCXP 2015, Mark Waid e Ivan Reis dividiram o palco no final desta quinta-fira (02) para celebrarem os 75 anos do Flash e do Lanterna Verde. Os lendários personagens comemoraram sete décadas e meia de vida neste ano, e a organização do evento se lembrou da ocasião.

O Terra Zero soube que Francis Manapul também estaria neste painel, mas o artista precisou cancelar de última hora sua vinda ao Brasil. Escritor e desenhista da revista do Flash no início dos Novos 52, Manapul promoveria um bate-bola diferenciado ao falar do personagem com Waid, autor que escreveu o personagens durante anos em outra época.

Mark Waid e Ivan Reis. Mediação de Marcelo Naranjo (UHQ). Foto: UHQ.
Mark Waid e Ivan Reis. Mediação de Marcelo Naranjo (UHQ). Foto: UHQ.

The Brave and the Bold – 75 anos do Flash e Lanterna Verde foi o nome do painel. Mark Waid e Ivan Reis começaram se lembrando dos seus contatos com os personagens e como eles foram importantes para os quadrinhos. Algo engraçado aconteceu logo de cara, pois, ao contrário do que se imaginava, o desenhista brasileiro contou que o Flash também é seu herói favorito, não o Lanterna Verde.

Ambos os artistas relembraram momentos em que tiveram contato com estes personagens. Waid confidenciou que escrever mais de 100 edições estreladas por Wally West foi um marco na sua carreira, mas não apenas pela repercussão do trabalho. Para o escritor, o personagem nunca deixou de ser o jovem Mark Waid. O autor deixou claro que escreveu o personagem como via a si mesmo. Para Ivan Reis, Lanterna Verde mudou sua vida profissional. “Foi o que mudou minha carreira. O Lanterna Verde é responsável por isso”, afirmou.

Os Lanternas Verdes terráqueos na arte de Ivan Reis.
Os Lanternas Verdes terráqueos na arte de Ivan Reis.

Em termos de cinema, o filme do Lanterna Verde foi achincalhado o tempo todo pelos convidados e pelo público. Reis admitiu que o resultado foi muito aquém do esperado. Waid aproveitou o ensejo para criticar as decisões da Warner Bros. na época, dizendo que hoje as coisas são diferentes por lá – e por isso, seriados como Arrow e The Flash foram possíveis, programas que ele ama e que elogiou em diversos momentos do bate-papo. Todavia, o autor foi crítico e deu uma declaração sobre a Warner: “Se a Marvel conseguiu colocar os Guardiões da Galáxia no cinema, a Warner não tem desculpa para não fazer um filme bom da Tropa dos Lanternas Verdes“.

Os fãs ovacionaram o autor.

O atual cenário cinematográfico e televisivo dos estúdios não foi discutido tão a fundo. Mark Waid e Ivan Reis concordaram que cada vez mais as empresas apostam em profissionais apaixonados por quadrinhos. “Quando assisto a um episódio de The Flash, eu sei que aquelas pessoas amam os quadrinhos e é isto que cria um ótimo produto”, afirmou. O brasileiro concordou, reforçando a mensagem de que hoje o público nerd tem a quem se espelhar. “Não importa o que se faça. Em produções culturais, sempre ter um nerd por trás daquilo e é graças a estas pessoas que temos as coisas de hoje”.

Mark Waid e Ivan Reis, com Naranjo no centro. Créditos: Los Muchachos.
Mark Waid e Ivan Reis, com Naranjo no centro. Créditos: Los Muchachos.

Algo interessante de se notar no bate-bola entre os artistas foi admiração de um pelo outro. Waid conhece muito bem o trabalho de Reis, chegando a discutir as influências do brasileiro e sugerir nomes que foram confirmados pelo desenhista. John Buscema é o grande herói de Ivan Reis. De Mark Waid? Jim Shooter. O autor gosta muito do que Shooter fez nos anos 1960 na DC com apenas 13 anos de idade em histórias da Legião dos Super-Heróis. Isto também explica por que Waid gosta tanto dos personagens e os escreveu em várias ocasiões.

E falando em paixões, Ivan Reis revelou que seu maior sonho é desenhar uma história do Conan. “Em preto-e-branco, é claro. Adoro cores, mas os clássicos do Conan sempre foram assim e eu preciso satisfazer minha criança interior”, disse aos risos. Contar este sonho causou risos na plateia graças à reação de Mark Waid. Ao ouvir isso, o autor soltou um surpreendente “É sério?!”, e os presentes caíram na risada. Estas risadas, porém, logo foram substituídas por altíssimos aplausos quando Waid revelou que ainda quer muito escrever uma história do Capitão Marvel (Shazam).

O Capitão Marvel de Mark Waid e Alex Ross na história Reino do Amanhã. Reprodução.
O Capitão Marvel de Mark Waid e Alex Ross na história Reino do Amanhã. Reprodução.

E Ivan Reis não deixou de comentar: “Se te chamarem para fazer esta revista, eu vou desenhá-la!”. Muitos aplausos se seguiram.

Para fechar, vale citar o momento mais emocionante do painel: quando Mark Waid falou sobre o Superman. O autor foi questionado por um fã sobre sua paixão pelo personagem e o autor contou muitas coisas. Dentre todas as declarações de amor que fez ao herói, a mais importante foi explicar que a definição de seu caráter veio das melhores histórias do personagem:

Quando ele se veste como Clark Kent, é um homem comum. Este homem comum possui valores universais, valores que me ensinaram a ser um homem.

Não foram poucos os fãs que mudaram para sempre sua forma de ver o Superman.

Mark Waid e Ivan Reis deram uma aula de como ser profissionais e fãs ao mesmo tempo em um painel lotado na CCXP 2015. Os fãs não podiam pedir por algo melhor.

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