[#TZnoFIQ] A Ordem de Licaão, de Rodney Buchemi

A Ordem de Licaão é o mais novo trabalho do experiente quadrinista mineiro Rodney Buchemi. Este quadrinho autoral foi lançado de forma independente no FIQ 2015. A investida do autor neste trabalho foi grande e dedicada. Ele baseou-se na mitologia de Licaão (ou Licaón), o rei grego que servia carne humana para seus convidados e foi condenado pelos deuses a se transformar em um homem-lobo, o primeiro lobisomem. Somando este elemento com outras mitologias que explicam o lobisomem, Buchemi criou um terror policial bem à brasileira.

A fim de cozinhar um prato com suas comidas e temperos mais amados, Buchemi construiu uma trama que se passa na sua querida Belo Horizonte e que homenageia clássicos filmes de terror e de artes marciais. Praticante de kung fu desde jovem, o autor fez do primeiro volume de A Ordem de Licaão um apanhado das suas paixões para a solução de um mistério sangrento.

Capa de A Ordem de Licaão por Rodney Buchemi.
Capa de A Ordem de Licaão por Rodney Buchemi.

A história é moderna e se passa no presente de Belo Horizonte. Leitores que residem ou conhecem bem a capital mineira notarão várias referências visuais a lugares conhecidos. Há um lobisomem aterrorizando a cidade e cabe à polícia local, auxiliada pelo mercenário Tatsumo Ishihara, resolver a onda de crimes. Isto, porém, não será tão fácil, já que esta criatura traz consigo uma bagagem mitológica e pessoas que perseguem aqueles iguais a ela há tempos.

O mistério é interessante e Buchemi utiliza bem suas referências de filmes de artes marciais e clássicos do terror. Fazer a história toda em preto e branco, o que certamente vem da sua paixão pelos antigos quadrinhos do Conan, do que ele é fã confesso, foi um acerto. Os temas do quadrinho pedem uma abordagem soturna e a arte crua casa perfeitamente com eles. Mais que isso, a ambientação brasileira e diálogos típicos da região vão deixar os fãs à vontade durante a leitura.

Este, aliás, é um ponto muito interessante de A Ordem de Licaão. Apesar de lidar com temas fantásticos e mitologias antigas, Buchemi adapta tudo muito bem para a realidade mineira. O “jeitão” do delegado Marcondes e dos policiais remetem ao dia a dia do brasileiro, o que dá um sabor diferente a uma leitura de fantasia.

Há poucos problemas no quadrinho. Pequenas saídas de roteiro, como o amigo sem nome do protagonista que aparece misteriosamente ou o motivo da polícia contratar um mercenário para resolver o caso, ficaram estranhas, mas não prejudicam a leitura. A criação do universo do quadrinho compensa estas pequenas escorregadas. Só é necessário um maior cuidado com o português nos próximos números, tanto nos textos de introdução como em algumas falas dos personagens.

O material extra que preenche a segunda metade do volume é bom. Buchemi explica, brevemente, como surgiram seus personagens através de estudos visuais coloridos e páginas a lápis. Além disso, amigos do autor fizeram artes exclusivas para o projeto e elas estão na revista. São eles Daniel HDR, Roger Cruz, R.B. Silva, Eduardo Pansica & Eber Ferreira e Alex Rodrigues. Todos contribuíram, com muita qualidade, para a criação deste universo com seus desenhos.

Com cara de um (bom) episódio piloto de seriado, o primeiro número de A Ordem de Licaão é um bom começo para a nova investida de Buchemi. Intrigante, a história é bem contada e a espera pela sua continuação não será pequena.

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