[Prateleira] O Trono de Diamante, de David Eddings

Para os apaixonados pela fantasia medieval, cada livro é uma oportunidade de explorar novos mundos, novas paisagens fantásticas, desbravar cenários de tirar o fôlego e, é claro, combater criaturas oriundas dos cantos mais inspirados da imaginação do autor. E, chegando pela Editora Aleph, O Trono de Diamante, do autor David Eddings, é mais um mundo épico para ser visitado pelo fã do gênero.

Sinopse Oficial:

Após dez anos de exílio, Sir Sparhawk, cavaleiro da Ordem Pandion, retorna a Elenia e encontra sua terra natal imersa em sombras. O inescrupuloso Annias, primado da Igreja e membro do Conselho Real, manipula o débil príncipe regente para governar de fato, visando seus próprios interesses. A legítima soberana, Ehlana, acometida por uma estranha doença, jaz adormecida em seu trono, protegida por uma barreira de cristal. Graças a um poderoso feitiço, seu coração ainda pulsa, mas ela não resistirá a menos que uma cura seja encontrada antes que transcorra um ano. Sparhawk parte, então, em uma busca obstinada para salvar sua rainha e seu reino, travando uma luta incessante contra o tempo, as autoridades vigentes e toda sorte de perigos – reais e sobrenaturais. Nessa jornada de luz e sombras, ele contará com a ajuda de seus irmãos de armas, de seu escudeiro fiel, de uma feiticeira, de um jovem ladrão e de uma misteriosa menininha, cujas origens são desconhecidas.

O Trono de Diamante, capa por Marc Simonetti.
O Trono de Diamante, capa por Marc Simonetti.

Um mundo mágico que virou as costas para a magia.

Em O Trono de Diamante, o primeiro livro da trilogia Elenium, somos apresentados ao continente de Eosia. A história começa como todo bom livro de ficção fantástica: com um mapa. Depois disso, um prólogo, com a lenda da criação da joia mágica conhecida como Bhelliom, feita pelas mãos do anão-troll Ghwerig. Toda a natureza mística por trás da criação da joia gera um traço comparativo quase inevitável com as obras de Tolkien e seu Um Anel. Um paralelismo que pode assustar fãs mais radicais, é verdade, mas que não deveria.

O fato é que somos lançados em um mundo cuja magia é presente. A história da criação da Bhelliom é nossa primeira empreitada no universo criado pelo autor, e é uma empreitada mágica! Temos criaturas como anões-trolls, deuses e magia sendo citados em todo o momento e isso nos prepara para abraçarmos um universo com esses elementos.

Entretanto, o que acontece quando a história realmente começa é bem diferente.

No começo do primeiro capítulo, estamos apenas acompanhando Sparhawk, um cavaleiro Pandion, uma das ordens eclesiásticas espalhadas pelo continente. E, aos poucos, vemos que o mundo de Eosia é muito semelhante ao mundo que é retratado em nossa própria Idade Média. Um mundo dividido por jogos e intrigas políticas, que é, praticamente, liderado por uma instituição religiosa monoteísta com braços em quase todas as instituições de poder restantes.

Todo o cenário de trolls e deuses é relegado ao status de lenda, quando vemos que as diferenças entre os povos (e sua geografia) é muito semelhante aos do mundo em que vivemos. E apesar de não existirem elfos, a presença de um povo que prefere habitar em florestas, de porte físico menor e mais frágil e com grande domínio místico é notável.

Não demora para você notar que o mundo mágico e cheio de criaturas para o qual você se preparou ao ler o prólogo não é o mundo que você vai encontrar durante a saga liderada por sir Sparhawk.

Aquela que ocupa o trono de diamante

Quando Sparhawk retorna ao seu lar, depois de um longo exílio imposto pelo antigo rei, ele descobre que a atual soberana foi acometida de uma rara doença fatal e que, para impedir sua morte, os cavaleiros de sua ordem aprisionaram-na em um diamante. O feitiço preservará sua vida, porém, no termino do prazo de um ano, o feitiço será desfeito, e ela morrerá.

Eu sei o que você está pensando: Ele vai partir, imediatamente, em uma jornada para salvá-la, em busca da cura para sua doença. Não se culpe, todo mundo pensaria isso. Ainda mais que o cenário te leva a crer isso o tempo todo. Sparhawk era extremamente afeiçoado a atual rainha, sendo ele o seu protetor pessoal durante a infância da, então, princesa. Some isso ao fato de que, para a execução do feitiço que salvou a vida da princesa, foi necessário a união de 12 membros da ordem dos pandions. A cada mês, caso o feitiço não seja desfeito, um dos membros presentes no feitiço irá morrer. Isso, eles trocaram sua vida para dar mais um mês de vida para a rainha.

Claro que o herói vai partir imediatamente na busca da cura! Não é? Não.

Sparhawk se envolve em uma infinidade de tramas políticas, ameaças à ordem dos Pandions e jogos de poder. A doença da rainha é relegada à um status de “problema de plano de fundo”. A ordem se vê presa no meio dos jogos de poder e ambições do trono de tal forma que a prioridade de todos os membros se torna apenas se defender dos ataques que estão sofrendo.

De fato, Sparhawk e a ordem dos Pandions só resolve organizar uma comitiva em busca da cura para a enfermidade da rainha quando isso se torna um ponto político fundamental para a sobrevivência da ordem e do reino.

Mesmo que todos os subterfúgios e manipulações gerem uma trama interessantíssima, é impossível não sentir que a história está se prolongando para que, de alguma forma, preencha a necessidade de caber em uma trilogia. Não que isso represente uma história em que nada aconteça ou que fique enrolando, apenas que a trama principal parece se negar a assumir o status de “principal”.

Em termos de quem está acostumado com os grandes jogos de RPG do gênero, é como se os protagonistas perdessem mais tempo completando side quests do que dando atenção à main quest do jogo. Viram o problema?

A comitiva de Sparhawk

Se a história parece não desenvolver, tem algo que se desenvolve com louvor ímpar: os personagens. Os diálogos de David Eddings são cativantes, possuem personalidade e são extremamente bem escritos. As personagens e suas personalidades são marcantes e apaixonantes em cada uma de suas individualidade. Na metade do livro, você decide que está mais preocupado com os personagens do que com a história e isso é, de certa forma, libertador.

A comitiva de Sparhawk possui a reconhecível e acolhedora formação, tão comum no gênero: Guerreiros, um clérigo, um feiticeiro, um ladrão… Qual jogador de RPG não reconhece essas personalidades no grupo? Reconhece o potencial dessa formação? Isso torna a história automaticamente agradável. Quase nostálgica em seus elementos mais positivos.

A forma como os personagens interagem é magistral. Amigos se tratam como amigos, dispensando formalidades de títulos ou posições de poder. Mesmo a linguagem corporal descrita pelo autor é palpável. Real. A narrativa torna os personagens reais em um nível extremamente reconfortante.

O Trono de Diamante, capa por Marc Simonetti.
O Trono de Diamante, capa por Marc Simonetti.

Bem-vindos à Eosia

Com seus pontos positivos e negativos, O Trono de Diamante é um prato cheio para quem busca novas histórias do gênero “fantasia medieval”. Uma história sobre um mundo mágico que não abraça totalmente seu lado mágico. Um mundo cujos jogos pelo poder ameaçam alguns de seus pilares fundamentais. No primeiro livro da trilogia Elenium, somos apresentados a esse fascinante cenário de histórias ricas, de personagens fortes e bem escritos e de tramas políticas que vão te deixar boquiaberto.

Principalmente, Eosia é um mundo que, potencialmente, pode agradar desde os fãs do universo mágico e fantástico de Tolkien até o universo de tramas e politicagem de Martin. Um mundo que você, sem dúvida, precisa desbravar com seus próprios olhos.

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